
Diz o ditado que: “quem bebe das águas do Rio Branco jamais esquece.”
Sim, essa tem sido uma verdade absoluta na minha vida.
Desde os idos da década de 90 do século passado que tenho apreciado esse sabor e seus encantos.
Em Roraima conheci uma terra rica, talvez das mais ricas de nosso Brasil, um povo acolhedor e miscigenado de todas as regiões do País, determinado a povoar a nossa fronteira Norte.
Defendi com minhas estrelas da carreira de Oficial General a ação estratégica do Programa Calha Norte, que trouxe brasileiros de todos os rincões a fim de vivificarem e produzirem essa região.
Pude participar da identificação do ponto extremo Norte do Brasil, corrigindo o erro que citava o Oiapoque, mostrando que havia outro local mais extremo, o Monte Caburaí, simplesmente 84 km mais ao norte, junto aos contrafortes do Monte Roraima, dando cartas verdadeiras do local.
Convivi com pessoas de coragem e determinação, que se deslocaram para criarem raizes no lavrado Macuxi. Nominarei algumas, mesmo admitindo o risco de deixar outras sem citar: Brigadeiro Ottomar, Desembargador Roberio, Conselheiro Amazonas Brasil, Isabel Itikawa, Capitão Damásio, Sargento Arruda (Autoridade como ele nós chamava), o português Rui Brunido, dentre outros.
Todos marcaram parte importante da minha vida. Quer seja como militar, como cidadão ou como historiador.
Sim, historiador, porque instigado pela busca de nossas raizes, participei em Portugal de pesquisas em relação ao Forte São Joaquim, marco da presença portuguesa, e por isso mesmo, como Comandante do 7• Batalhão de Infantaria de Selva, organizamos as festividades quando da celebração dos 500 anos do Brasil.
Hoje, voltar à Roraima, agora como Parlamentar Federal me enche de orgulho e a certeza de que as Mãos de Deus me trouxeram para essa região como uma missão Dele.
Venho com a certeza de que pude ajudar a transferir e instalar, no começo da década de 90, a 1• Brigada de Infantaria de Selva- Brigada Lobo D’Almada, para a defesa estratégica de Roraima e do Brasil.
Grande Unidade que tive a honra de ter sido um de seus Comandantes, missão que determinou definitivamente o fim de minha carreira militar, abrindo portas e janelas para a carreira política.
Como cidadão brasileiro acredito que temos que defender nossos princípios e valores de Nação. O patriotismo, meio que sequestrado por uma narrativa danosa ao valor que o termo enquadra, tem sido vulgarizado na boca de pessoas que não botam suas famílias e seu País.
Que nesse crítico momento que vivemos, quando a alta administração dos Poderes do País, inclusive das minhas Forças Armadas, namora e convive com um regime de exceção, flertando com a censura, a impunidade, a imoralidade administrativa, política e financeira, a falta de ética em vários segmentos da sociedade, que Deus nos permita estarmos vacinados e possamos fazer parte de um antídoto, uma vacina poderosa que nos proteja de nos transformarmos numa república de bananas como a vizinha Venezuela.
Assim sendo, deixo a mensagem final, fazendo minhas as palavras de um bravo português que, em meados do Sec XVIII por aqui viveu, o Manoel da Gama Lobo D’Almada:
“ Todo sangue que corre a serviço da Pátria é Nobre”
Que Deus, o Criador do Universo, continue a nos proteger.
Boa Vista, Roraima, 29/01/26

(*) General Elieser Girão Monteiro Filho