Brasileirão reacende o hábito de assistir aos jogos fora de casa em todo o país

Início do campeonato reacende o hábito de assistir aos jogos fora de casa e reforça o futebol como estratégia recorrente para bares e restaurantes ao longo do ano. – Fotos: Ascom | Abrasel

O início do Brasileirão voltou a movimentar bares e restaurantes em todo o país. Com calendário extenso, rivalidades regionais e uma relação histórica entre futebol e consumo fora do lar, o campeonato se consolida como uma das principais alavancas de fluxo e permanência nos estabelecimentos, especialmente nos primeiros meses do ano.

A expectativa do setor se apoia tanto no comportamento do consumidor quanto em dados recentes. Experiências anteriores mostram que competições esportivas de grande alcance têm impacto direto no faturamento. Durante a Copa do Mundo de 2022, por exemplo, um levantamento da Abrasel apontou crescimento médio de 30% no faturamento dos bares e restaurantes brasileiros já na primeira semana de jogos, em comparação com uma semana considerada normal. Para empresários, o Brasileirão carrega potencial semelhante, com a vantagem da regularidade ao longo de vários meses.

Torcida, tempo de permanência e adaptação das casas

Em capitais onde o futebol faz parte da identidade cultural, o Brasileirão influencia decisões práticas dentro dos bares. Em Belo Horizonte, a competição costuma alterar rotina, layout e ambientação. Para Vando Fontes, sócio do Almanaque e do Avra, o início do campeonato representa uma espécie de recomeço do calendário comercial. “O torcedor chega com esperança renovada, isso puxa o movimento e muda completamente o clima da casa”, afirma.

Segundo ele, a transmissão dos jogos exige ajustes. “A gente reorganiza as mesas, prioriza a visão dos telões e calibra luz e som. Em dia de jogo, o bar vira arquibancada”, explica. O efeito mais perceptível está no tempo de permanência. “O torcedor chega antes da casa abrir e, se o time ganha, fica mais tempo comemorando.”

No Norte do país, o cenário ganha contornos ainda mais específicos em 2026. Em Belém, a volta do Remo à Série A após mais de duas décadas reposiciona o Brasileirão no cotidiano da cidade. Para Maurício Façanha, dono do TapHouse Ver A Cerva, o campeonato dialoga com uma nova geração de consumidores. “Tem muita gente de 25 a 30 anos que nunca tinha visto o Remo na Série A e hoje já frequenta bares e restaurantes. Isso muda o comportamento”, avalia.

Ele destaca que os jogos durante a semana tendem a ganhar força. “Muita gente não sai nesses dias, mas o jogo vira o motivo. Nem todo mundo vai ao estádio e nem quer ficar em casa”, diz. Aos fins de semana, o público se divide. “O paraense tem o costume do churrasco em casa, então o movimento se reparte.”

Brasileirão como estratégia recorrente para o setor

Além dos clubes locais, partidas envolvendo times do eixo Rio São Paulo também impulsionam o movimento. “Os jogos dos grandes clubes sempre atraem público. Existem muitos fã clubes e gente de fora do estado que procura a casa”, explica Maurício. Para atender essa demanda, o TapHouse adaptou a operação. “Abrimos um segundo andar para transmissões em dias de jogo, enquanto o térreo segue com música. Isso ajuda a conciliar públicos diferentes.”

A leitura dos empresários é que o Brasileirão não deve ser tratado como ação pontual. “Transmitir futebol virou parte da estratégia da casa. A rivalidade fica na TV, não entre as pessoas. A gente cria um ambiente saudável, com brincadeiras e apostas entre mesas”, relata Maurício.

Essa visão dialoga com a percepção da Abrasel de que eventos esportivos recorrentes ajudam bares e restaurantes a planejar melhor equipe, estoque e ações comerciais. Diferentemente de datas isoladas, o Brasileirão oferece previsibilidade, frequência e oportunidade de fidelização.

Para o setor de alimentação fora do lar, o campeonato reforça um aprendizado já consolidado: quando bem estruturado, o futebol deixa de ser apenas entretenimento e passa a integrar a estratégia de negócio, contribuindo para fluxo constante, maior permanência e melhor aproveitamento dos dias de menor movimento ao longo do ano.

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