Candidato retorna a concurso após eliminação por acusação injusta

Vitor Gomes de Sá foi sequestrado enquanto trabalhava como motorista de aplicativo e acabou apontado como suspeito de um assalto; DPE-RR comprovou o erro. – Fotos: Ascom | DPE-RR

A Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) garantiu na Justiça o reenquadramento de um candidato que havia sido eliminado de um concurso público após ser acusado, por engano, de participar de um assalto. Com a atuação da instituição, a decisão judicial reconheceu a inocência de Vitor Gomes de Sá e permitiu que ele retornasse ao certame e concluísse o curso de formação para a carreira de policial penal.

A atuação da DPE ocorreu após a absolvição criminal do candidato. Com a sentença e demais documentos, a instituição ingressou com mandado de segurança na Vara da Fazenda Pública para demonstrar que Vitor havia sido vítima de um erro e não poderia ser penalizado administrativamente por um fato que não cometeu.

“Administrativamente, ele não teria qualquer chance de retorno. Somente após a absolvição na esfera penal foi possível buscar, na Vara da Fazenda Pública, o reenquadramento no concurso. Com a sentença de absolvição e toda a documentação apresentada, o Judiciário reconheceu a injustiça sofrida, permitindo que ele retomasse o certame e seguisse no cargo. Sem a intervenção judicial, ele teria sido definitivamente excluído, inclusive de outros concursos que também realizava à época”, explicou a defensora pública Teresinha Lopes, titular da Vara da Fazenda Pública.

Com a decisão favorável, Vitor pôde retomar as etapas do concurso e concluir o curso de formação, garantindo o ingresso na carreira.

Defensora pública Teresinha Lopes, titular da Vara da Fazenda Pública.

“A Defensoria entrou com mandado de segurança para garantir que eu pudesse seguir nas etapas do certame enquanto provávamos a verdade. Graças ao trabalho humano e incansável dos defensores, a justiça foi feita em todas as frentes. Fui inocentado criminalmente e consegui seguir na minha carreira”, disse Vitor.

Antes da intervenção da Defensoria, a história de Vitor havia tomado um rumo inesperado. Motorista de aplicativo, ele foi rendido por criminosos, sequestrado e colocado no porta-malas do próprio carro enquanto o veículo era utilizado em um assalto.

Ao procurar a delegacia para registrar a ocorrência como vítima, Vitor foi surpreendido: uma das pessoas assaltadas o apontou, por engano, como participante do crime. De vítima, passou a investigado. Naquele momento, além da própria liberdade, também ficou em risco sua aprovação no concurso para a carreira de policial penal, já que ele estava na fase de investigação social, etapa decisiva do certame.

Com o processo criminal em andamento, Vitor acabou eliminado da seleção. A acusação, ainda não esclarecida, foi considerada incompatível com o exercício do cargo.

Hoje, já atuando como policial penal, ele resume o impacto da decisão judicial em sua vida.

“Hoje eu não sou mais aquele motorista injustiçado, preso no porta-malas do próprio carro. Hoje eu sou policial e sou a prova viva de que a Defensoria Pública é o pilar que garante que o direito de um cidadão honesto não seja atropelado por um erro”, finalizou.

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