
A Casa Brasil, apresentada pelo Ministério da Cultura e Petrobras, começou o ano atravessando as divisas do estado com um intercâmbio entre as culturas do Rio de Janeiro e de Roraima. Por meio da ação Poéticas Norte-Sudeste em Diálogo, o equipamento cultural promove o intercâmbio entre as artistas Mayara e Rafael Pinto (Pérola) em território roraimense com oficina e uma série de vivências e trocas culturais até o dia 17 de janeiro de 2026.
Esta é a segunda ação do intercâmbio da Casa Brasil que, no ano passado reuniu os artistas do Rio de Janeiro e de Roraima em uma experiência voltada à diversidade nacional e ao diálogo entre territórios distintos. Nesta segunda etapa, as relações artísticas, com foco na ancestralidade e na natureza, aprofundam os vínculos entre o Rio de Janeiro e as redes de criação da Amazônia roraimense. A vivência propõe um percurso imersivo por comunidades, espaços de arte e ambientes naturais, com encontros abertos que atravessam práticas rituais, artesanais e ecológicas.
“A brasilidade no nosso projeto se destina a mostrar a grandeza da arte do Brasil, em todas as suas regiões e estados. As ações fora do Rio de Janeiro foram uma forma que encontramos de devolver aos territórios um pouco do que estamos recebendo aqui. Este intercâmbio aprofunda essa vivência, fortalecendo os vínculos entre as capitais”, analisa Tania Queiroz, diretora da Casa Brasil.
Roraima foi um dos territórios a receber o projeto por sua riqueza cultural com grande influência indígena e latina. Sua tríplice fronteira na borda do Brasil e os aspectos culturais são elementos fundamentais para pensar a identidade brasileira. Levar artistas do Sudeste para uma imersão na Amazônia roraimense é um gesto político de afirmação do Norte como um centro de criação, pensamento e produção cultural.
“Essa ação reafirma que Roraima e o Norte produzem arte e conhecimento que precisam ser experienciadas, e não reduzidas a imaginários distantes. Quando o deslocamento acontece, o fluxo se inverte, não somos nós que precisamos ir ao “Brasil”, é o Brasil que precisa vir até aqui, viver o território, escutar nossas vozes e reconhecer as muitas Amazônias que existem. Essa presença rompe estereótipos, confronta a lógica colonial que nos invisibiliza e fortalece trocas horizontais, em que o encontro se dá na confluência, e não na hierarquia”, comenta Rafael.
A ação proposta pela Casa Brasil, antiga Casa França-Brasil, faz parte do calendário de iniciativas que inauguram o Ponto de Cultura AFATABE e promove a oficina Folhas que Curam: Saberes de Ervas Sagradas, além da apresentação pública da obra Farmácia Comunitária, com mediação do coordenador-geral do projeto CASA BRASIL, Jocelino Pessoa.
“O intercâmbio valoriza a arte brasileira ao permitir a confluência de poéticas regionais para uma reflexão sobre as diversas brasilidades. A Casa Brasil tem esse objetivo, apresentando, até março, uma exposição que tem obras de 57 artistas com registros de todas as regiões do país. Uma diversidade ampla, atraindo a atenção dos brasileiros e de turistas estrangeiros”, conta Jocelino.
Governo do Estado do Rio auxilia intercâmbio por meio de edital
Outro diferencial do intercâmbio cultural da Casa Brasil é o mecanismo de financiamento das passagens. A ida dos artistas foi viabilizada por meio do edital Mobilidades, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, que destinou, em 2025, o total de R$ 4,1 milhões, em chamada pública inédita, para garantir o custeio de despesas de locomoção, possibilitando que agentes e produções culturais participem de feiras, festivais, mostras e outros eventos.
“Estamos garantindo que artistas e produtores culturais tenham a oportunidade de levar sua arte para outros cantos do Brasil e do mundo. Especialmente para a Casa Brasil, que tem em sua nova fase a ênfase na cultura nacional, promover este intercâmbio reforça os laços culturais que nos unem e evidencia a potência dos nossos fazedores de cultura em todos os territórios”, destaca a Secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros.
Sobre os participantes
Mayara — Artista visual formada em História da Arte pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Natural do Morro do Salgueiro, zona norte do Rio de Janeiro, atua como artista visual, erveira e pesquisadora. Suas investigações permeiam a matéria têxtil a partir de uma construção familiar, do subconsciente e de suas representações simbólicas, especialmente por meio da cor vermelha.
Pérola (Rafael Pinto) — Artista visual e audiovisual, professor de Arte da educação básica. Nascido em Ilhéus (BA) e radicado em Boa Vista (RR), desenvolve projetos que articulam arte urbana e educomunicação, refletindo sobre território, espiritualidade, corpo, memória e narrativas que emergem do deslocamento e da experiência de migração do Nordeste para o Norte do Brasil.
A mediação do projeto é realizada por Jocelino Pessoa, gestor e produtor cultural especializado em artes visuais, especialista em Cultura e Educação pela FLACSO Brasil e mestre em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Os projetos contam com patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através do Edital Mobilidade RJ.
Nova fase na história da Casa
A Casa Brasil, centro cultural do Governo do Estado do Rio de Janeiro, vive uma nova fase após sua reestruturação, realizada em parceria com a V ARTE e viabilizada pelo Ministério da Cultura e pelo Governo Federal, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio oficial da Petrobras. Contemplada pelo edital Novos Eixos – Ícones da Cultura Brasileira, a iniciativa concorreu com mais de 8 mil propostas e foi uma das selecionadas no Programa Petrobras Cultural, reafirmando a missão do equipamento de valorizar a produção artística nacional, ampliar o acesso e colocar a brasilidade no centro de sua atuação.



