Central de Transplantes: Roraima realiza mais uma captação de órgão no HGR

Em meio à dor da perda de um ente querido, a família doadora tomou uma decisão marcada pela generosidade e pelo amor ao próximo. – Fotos: William Roth

A Sesau (Secretaria de Saúde), por meio da CET-RR (Central Estadual de Transplantes de Roraima), realizou na noite de sexta-feira, 7, mais uma captação de órgão no Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento.

Em meio à dor da perda de um ente querido, a família doadora tomou uma decisão marcada pela generosidade e pelo amor ao próximo. Um gesto nobre que transforma o luto em esperança e oferece a outras pessoas a chance de continuar vivendo.

“A Sesau segue na implementação e ampliação dos novos serviços na rede pública estadual de saúde. Hoje efetivamos a captação de órgãos aqui no Hospital Geral e quero aproveitar para agradecer à família que, nesse momento enlutada na perda de um ente querido, teve um ato nobre que foi permitir que pudéssemos efetivar a captação desse órgão, salvando uma nova vida”, afirmou a secretária da Saúde, Adilma Lucena.

Além da captação de órgãos, Roraima avança para dar um novo passo na área de transplantes. Atualmente, um médico da rede pública está em especialização fora de Roraima para atuar na área de transplantes, e a Sesau tem trabalhado na implementação dos transplantes intervivos e do Banco de Órgãos e Tecidos, ações que permitirão salvar ainda mais vidas aqui no Estado.

“Essa ação de hoje vem sensibilizar toda a população roraimense de que o transplante, a doação de órgãos, ela também acontece aqui em Roraima. Temos muitos pacientes precisando de um transplante, situações de risco de vida, e ter uma oferta [de cirurgias intervivos] aqui será bom porque aumenta muito as possibilidades de transplante. E no futuro bem próximo, estaremos fazendo a captação bem como transplante intervivos”, destacou a coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Dra. Patrícia Renovato.

A captação contou com a atuação do cirurgião de transplante Leonardo Toledo Mota, que destacou a importância da doação realizada em Roraima para pacientes que aguardam na fila de transplante.

“Recebemos a oferta de um doador aqui de Boa Vista para um paciente nosso que está aguardando transplante em Rio Branco. Foi uma grata surpresa, porque a fila de transplantes é muito desfavorável. Temos muitos pacientes em risco de vida, e essa oferta aumenta muito as possibilidades de salvar vidas”, ressaltou.

O médico também explicou, de forma técnica, como funciona o processo de captação e o deslocamento do órgão até o local do transplante, ressaltando o apoio logístico da Força Aérea Brasileira.

“Após a retirada, o órgão passa por um processo de preservação e é acondicionado de forma estéril em uma caixa térmica. A partir daí, seguimos imediatamente para o hospital de destino. No caso do fígado, temos um tempo de até 12 horas fora do corpo para que o transplante seja feito com segurança. O apoio da Força Aérea é fundamental, especialmente pelas grandes distâncias do nosso país, garantindo que o órgão chegue a tempo e com qualidade para o receptor”, explicou Leonardo Mota.

Segundo a Dra. Patrícia, cada captação representa esperança concreta para quem luta pela própria sobrevivência.

“Quero agradecer, principalmente à família, que nesse ato de benevolência e um ato altruísta de doar os órgãos do seu familiar para quem está numa fila de transplante, quem está num momento de sofrimento, hoje vai ter uma resposta, uma boa notícia que vai receber esse órgão lá no hospital onde está internado. O Governo de Roraima segue investindo na saúde do nosso Estado”, ressaltou.

A Importância de se declarar doador de órgão

É importante falar sobre doação de órgãos, que é um gesto de sensibilidade e amor ao próximo.

Manifestar o desejo de ser doador e conversar com a família sobre essa decisão pode fazer toda a diferença. Um único “sim” tem o poder de salvar várias vidas e transformar histórias.

Sobre a CET-RR

Em funcionamento desde 2014, a CET-RR está conectada às demais centrais de todo o País.

Como o Estado não realiza as cirurgias de transplantes, a unidade funciona como unidade de captação de possíveis doadores, a partir da autorização dos familiares.

Com o consentimento da família, uma equipe cirúrgica de outro Estado vem a Roraima para fazer a captação no HGR. Os órgãos são ofertados na Central Nacional de Transplantes, para que um receptor em qualquer Estado brasileiro seja beneficiado.

Suyanne Sá

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