
Os tipos de testes estruturais de tecnologias e de produtos são tão variados que provavelmente é uma missão infrutífera fazer um levantamento de todos os que já foram mapeados pela ciência e pela prática da inovação tecnológica. E tem um complicador a mais: a cada dia são criados e validados inúmeros outros. A razão dessa explosão de testes de estruturas é simples de ser compreendida: novos produtos exigem novos tipos de testes, assim como as inúmeras falhas e erros que as tecnologias apresentam também são fontes efetivas de novos esforços de correção, o que, por sua vez, leva à invenção de novos testes. Como conhecer todos os testes, se não é inteligente fazer um balanço de todos eles? Infelizmente, a resposta é deixar esse empreendimento de lado. Mas, por outro lado, se conhecermos a lógica de criação dos testes e retestes, teremos dado um passo gigantesco não apenas para compreender os testes existentes, mas para criarmos todos aqueles de que precisamos para validar nossas tecnologias e garantir ao seu público-alvo a funcionalidade e a segurança desejadas.
A primeira coisa que se deve entender é que estrutura é sempre sinônimo de partes e todo. Quando se fala em estrutura, portanto, a primeira coisa que deve vir à mente é que há um todo que é feito de pelo menos duas partes. As partes podem ser inúmeras, às vezes milhares, como nos automóveis e aeronaves. Quando isso acontece, o todo sofre a primeira divisão, que é uma espécie de organização, em componentes. Um automóvel pode ser dividido em componentes elétricos, componentes mecânicos, componentes eletrônicos etc. Isso significa que cada componente também é feito de partes, chamados de subcomponentes, e assim sucessivamente. Daí decorrem alguns tipos de testes, que podemos chamar de testes de composição, cuja finalidade é assegurar que todas as partes estão contidas no todo em quantidade necessária, nem a mais, nem a menos.
A segunda coisa é são os testes dos materiais de que as partes são feitas. A finalidade desses testes e retestes é assegurar que a matéria-prima das partes é a mais adequada sob vários aspectos, tais como segurança, durabilidade, custo, maleabilidade, dureza etc. Não é difícil compreender que para cada aspecto é necessário fazer o teste mais adequado e, no caso de desconformidade, alterar a matéria-prima ou o próprio material e refazer o teste até que a conformidade procurada seja alcançada. Três questões básicas justificam a realização desses testes: o cumprimento da legislação a que muitas tecnologias e produtos estão sujeitos, a confiabilidade que as tecnologias testadas adquirem quando comparadas com as que não são testadas e a otimização de processos, que contribui para inúmeros benefícios para a equipe, para a organização criadora e para os públicos-alvos.
A terceira coisa é a funcionalidade da tecnologia. Parece esquisita a inserção da funcionalidade nos testes estruturais, mas a esquisitice desaparece quando se considera que os testes de protótipos são feitos para dar conta dais seis dimensões que todo produto tecnológico precisa apresentar: conceitual, estrutural, funcional, processual, relacional e ambiental. Daí que praticamente nada adianta se ter a garantia de que o protótipo está com todas as partes componentes do todo, se ela não funcionar, se ela não tiver um esquema lógico eficiente para produção e manutenção e assim por diante. Esse terceiro desafio pode ser denominado de integrativo que toda tecnologia precisa dar conta.
Outras coisas podem ser incorporadas nesse rol, dependendo da natureza da tecnologia que se pretenda criar. Algumas delas são alvo de rigorosa fiscalização legal, de maneira que os cientistas precisam dar conta de uma verdadeira estrutura legal, como são os casos dos medicamentos e produtos e tecnologias perigosas. A lista desses testes é bastante variada, de maneira que fica impossibilitada a sua listagem.
As tecnologias da informação e comunicação são geradas a partir de uma série muito ampla e de amplo conhecimento de testes e retestes. Essa variedade serve para ilustrar o que queremos mostrar com a fundamentalidade de se fazerem os testes e retestes das tecnologias, assim como os benefícios que eles trazem para todos os envolvidos na sua geração e usos, assim como os demais stakeholders. Um dos testes estruturais da produção de software é o chamado caixa branca, que tem como finalidade garantir que todas as linhas de códigos foram executadas e aprovadas pelo menos uma vez. Esse teste mira essencialmente os caminhos independentes, as decisões lógicas, os laços de fronteira e a estrutura de dados. Inúmeros outros testes estruturais podem e devem ser feitos, dependendo dos aspectos fundamentais da tecnologia a ser gerada, tais como teste de carga, conformidade, desempenho, estresse, execução, operação, recuperação, segurança e sobrevivência.
No campo pedagógico, por exemplo, os testes também são tão variados que se torna inviável fazer uma lista deles. Mas podem ser divididos estruturalmente em insumos (testagem de todos os componentes da tecnologia), processamento (testagem de como cada insumo é transformado), desempenho (conformidade do resultado esperado com o realizado), eficiência e eficácia (relação entre o uso dos insumos com os resultados obtidos e com tecnologias concorrentes) e satisfação (prazer que a tecnologia proporciona aos usuários e stakeholders).
Os diferentes tipos de testes e retestes de protótipos são fundamentais para garantir que a tecnologia resultante é estruturalmente sólida, de maneira que seu funcionamento não traz consequências negativas para os seus usuários e nem para os seus diversos stakeholders. Além disso, garante também que os diferentes resultados obtidos (para cada um deles é necessária a aplicação de um teste/reteste) também estão em conformidade com o que se espera da tecnologia criada. Os testes estruturais representam justamente isso: saber com adequação que partes estão gerando que resultados a partir da identificação de seu lugar no protótipo e sua funcionalidade. Como as peças são feitas de algum insumo material, sua natureza e desdobramentos (como custo, logística, manuseio etc.) também precisam ser testados.

(*) Daniel Nascimento-e-Silva, PhD, Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)