
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) participou, na terça-feira, 3, da abertura do Encontro das Artesãs Indígenas, sediado na Comunidade Indígena Tabalascada, em Roraima. O evento encerrou nesta quinta-feira, 5, consolidando-se como um espaço para a troca e valorização de saberes tradicionais indígenas, o fortalecimento da produção artesanal e a geração de renda.
A Funai foi parceira do evento, juntamente com a Organização das Mulheres Indígenas de Roraima (Omir), o Conselho Indígena de Roraima (CIR) e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Participaram dos três dias de evento mais de 60 artesãos e artesãs indígenas, representantes de cinco etnias — Macuxi, Wapichana, Waiwai e Taurepang — de dez regiões indígenas do estado de Roraima e Warao, povo indígena da Venezuela.
O encontro incluiu a apresentação e o diálogo sobre o projeto piloto de inclusão socioeconômica para artesãos e artesãs indígenas, que faz parte do Programa Acredita no Primeiro Passo do MDS, além de oficinas e rodas de escuta ao longo de toda a programação.

A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, reforçou o compromisso em viabilizar recursos e equipamentos que garantam a continuidade das atividades do projeto. “A Funai está à disposição, e também iremos buscar mais parceiros. É importante que tenhamos essa garantia tanto para a cultura como para as artes indígenas, e isso, consequentemente, fortalece a rede indígena. Nós somos o órgão indigenista que cuida dos direitos, da demarcação, mas nós também temos como papel promover esse movimento sustentável. Porque é preciso ter renda para um melhor bem-estar nas comunidades”, frisou.
O coordenador-executivo do CIR, Amarildo Macuxi, reforçou o compromisso da organização em incentivar o protagonismo feminino e as iniciativas já existentes nas aldeias de Roraima. “É importante apoiar o movimento e a atividade das mulheres indígenas. Estamos trabalhando bastante para elas poderem ser atendidas por esse projeto. Precisamos fortalecer o trabalho das artesãs e as várias formas de artesanato que já produzem dentro da comunidade”, enfatizou.
Amarildo Macuxi também celebrou a parceria com a Funai e o MDS, que tem como meta dar o suporte necessário para expansão da produção: “Assim a gente pode continuar trabalhando de forma coletiva para garantir a melhoria do trabalho das comunidades.”
A coordenadora regional da Funai em Roraima, Marizete de Souza, destacou a atuação conjunta com o MDS e as instituições indígenas, como o CIR e Omir. “Somamos esforços para fortalecer a inclusão produtiva e garantir que as políticas cheguem na ponta, com diálogo e presença nos territórios”, complementou.
Encontro
A programação do primeiro dia do encontro envolveu apresentação de um projeto que busca fortalecer a inclusão socioeconômica de artesãos de Roraima por meio do aprimoramento das capacidades produtivas, a valorização comercial do artesanato, a expansão dos canais de comercialização e a inclusão de mulheres artesãs indígenas que desejam participar do Programa Acredita no Primeiro Passo.
Ao longo dos três dias, os participantes mapearam demandas de oficinas práticas — com destaque para precificação, embalagem, adequação ao mercado, fortalecimento do comércio local e uso de mídias sociais — e se organizaram em cinco modalidades para qualificar técnicas e compor kits de apoio: biojoias, cerâmica, cestaria, tecelagem e artefatos de madeira. A equipe do CadÚnico/MDS também prestou esclarecimentos sobre o cadastramento diferenciado para indígenas e realizou verificação cadastral dos participantes.
Durante o evento, houve ainda debate sobre a importância da assistência social para os povos indígenas e abordagem sobre o Cadastro Único (CadÚnico).
Acredita no Primeiro Passo
Segundo o MDS, o Programa Acredita no Primeiro Passo tem como foco promover a melhoria de vida de famílias registradas no CadÚnico por meio do fomento ao trabalho e ao empreendedorismo. A iniciativa, criada pelo Governo Federal, por meio do MDS, prioriza o atendimento a grupos que historicamente encontram maiores barreiras no mercado, como mulheres, jovens, negros, indígenas, pessoas com deficiência, além de comunidades ribeirinhas e tradicionais.
A estrutura do programa disponibiliza qualificações profissionais, apoio na busca por emprego e incentivos para a criação de novos negócios, incluindo acesso a microcrédito com taxas reduzidas e orientação especializada. Estão aptos a participar cidadãos com idade entre 16 e 65 anos que tenham seu Cadastro Único devidamente atualizado.


