Falso oftalmologista é preso em flagrante em igreja com mais de 100 óculos e materiais de consulta ilegal

Foram presos a autônoma R.M.R., de 56 anos, e o técnico em optometria B.R.T., de 29 anos; caso ocorreu na Vila do Roxinho, no município de Mucajaí. – Fotos: Ascom/PCRR

A PCRR (Polícia Civil de Roraima) flagrou a atuação de um falso médico oftalmologista na Vila do Roxinho, no município de Mucajaí, e apreendeu 110 óculos, sendo 95 armações sem lentes e 15 já vinculados a receituários com grau oftalmológico, além de dois blocos de receitas médicas e diversas lentes utilizadas em exames visuais. Duas pessoas foram presas e encaminhadas à Delegacia.

De acordo com o delegado titular da Delegacia de Mucajaí, Trajano Júnior, a ação foi desencadeada após a SIOP (Seção de Investigação e Operação) receber denúncia anônima informando que pessoas sem habilitação estariam realizando consultas oftalmológicas e comercializando óculos numa igreja evangélica localizada na Vila do Roxinho.

“Diante das informações, a equipe foi imediatamente ao local e constatou a veracidade da denúncia. Havia atendimento ao público, com exposição de armações e indícios claros de realização de exames oftalmológicos, sem qualquer comprovação de habilitação profissional”, afirmou o delegado.

Durante a abordagem, dois suspeitos foram presos em flagrante. Trata-se da autônoma R.M.R., de 56 anos, e do técnico em optometria B.R.T., de 29 anos.

Os suspeitos alegaram que apenas comercializavam armações de óculos. No entanto, durante as verificações, os policiais encontraram receituários oftalmológicos preenchidos com dados de grau visual, além de equipamentos típicos de avaliação ocular, o que evidenciou a realização de exames no local.

Na sequência, a equipe localizou uma adolescente de 16 anos, que confirmou ter sido atendida momentos antes da chegada dos policiais e relatou ter efetuado pagamento pelo serviço, acreditando se tratar de um profissional habilitado.

A adolescente também informou que foi orientada pelos suspeitos a omitir as informações caso fosse questionada pela polícia.

As investigações apontaram que os atendimentos eram previamente divulgados e que os valores cobrados pelos serviços, incluindo consulta, armação e lentes, variavam entre R$ 500 e R$ 800.

Durante a apreensão, os policiais constataram que parte dos óculos já estava separada por pacientes, acompanhada de receituários com identificação e grau visual, evidenciando a prática reiterada da atividade irregular.

“Diante da situação, realizamos a apreensão de todo o material utilizado na prática ilícita e conduzimos os envolvidos à delegacia para os procedimentos cabíveis”, destacou.

Na unidade policial, os dois foram autuados por exercício ilegal da profissão, sendo lavrado contra eles um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência).

Após serem ouvidos, os suspeitos foram liberados, conforme prevê a legislação para o caso, e responderão em liberdade por exercício ilegal da profissão.

O delegado Wulpslander Trajano Júnior reforçou que a população deve redobrar a atenção antes de buscar esse tipo de atendimento.

“É fundamental procurar apenas profissionais devidamente habilitados e registrados nos órgãos competentes, como o Conselho Regional de Medicina. Situações como essa colocam em risco a saúde das pessoas. A Polícia Civil continuará atuando para coibir esse tipo de prática, e a colaboração da população, por meio de denúncias, é essencial”, destacou.

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