Gestores de Minas Gerais se encantam com modelo educacional de escolas indígenas e do campo em Boa Vista

Cronograma de visitas evidencia investimentos e ações que fortalecem o ensino em diferentes realidades, além das políticas públicas integradas voltadas à primeira infância. – Fotos: Semuc | PMBV

A troca de experiências marcou mais um dia da agenda da comitiva de gestores da cidade de Curvelo (MG), em Boa Vista. Nesta quarta-feira, 18, os visitantes conheceram de perto duas realidades que traduzem o modelo educacional do município: a Escola Municipal Indígena Vovó Tereza da Silva, na Comunidade Darora, e a Escola Municipal de Tempo Integral José David Feitosa, localizada no P.A. Nova Amazônia, na área rural.

A recepção na comunidade indígena Darora foi marcada pela dança do Parixara, expressão cultural do povo Macuxi. Em seguida, os visitantes acompanharam apresentações dos alunos, que compartilharam músicas, atividades pedagógicas e experiências de aprendizagem que integram tradição e inovação.

Investimento e valorização da cultura indígena

Durante a visita, a comitiva conheceu ferramentas tecnológicas utilizadas em sala de aula, como a Playtable e o Matatalab, além de atividades que estimulam desde a coordenação motora, na educação infantil, até o ensino bilíngue, com palavras na língua materna.

O tuxaua da comunidade, Jeckcinei Silva Mota, destacou a importância da visita dos gestores. “Recebemos essa equipe com bastante carinho. Para a gente, é muito importante esse reconhecimento de representantes de outros estados. É prova que o trabalho da prefeitura, feito aqui na comunidade, tem gerado resultados positivos e se tornou referência para outras regiões”, contou.

O secretário municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas, César Riva, que acompanhou os profissionais durante a visita, destacou o trabalho integrado desenvolvido pela Prefeitura de Boa Vista nas comunidades indígenas.

“Frequentamos as comunidades todas as semanas e não tem como não se emocionar. Mesmo vivendo isso no dia a dia, cada visita é uma experiência nova. Desenvolvemos projetos na agricultura, que vão desde a plantação de milho, mandioca, macaxeira a criação de peixes e implantação de kits de irrigação fotovoltaica. No verão, a comunidade também se destaca pela produção de melancia. Hoje, ela é referência não só na agricultura, mas também na educação”, destacou.

Práticas que conectam gerações no campo

Durante a visita à Escola Municipal de Tempo Integral José David Feitosa Neto, recentemente entregue pelo prefeito Arthur Henrique e, considerada um marco para a educação municipal, a comitiva conheceu a estrutura e as atividades pedagógicas desenvolvidas na unidade.

Um dos destaques foi a interação entre turmas de diferentes idades na horta escolar, onde estudantes aprendem, na prática, sobre meio ambiente, cooperação e responsabilidade. A proposta integra teoria e prática, permitindo que os alunos participem de todas as etapas do cultivo, desde o plantio até a colheita, em uma iniciativa construída com a participação da própria comunidade escolar.

Outro projeto apresentado foi o “Pequenos Leitores, Escritores Incríveis”, no qual os alunos produzem suas próprias histórias. Em 2025, mais de 100 livros foram confeccionados por estudantes do 2º ao 6º ano, culminando no tradicional “Dia de Autógrafos no Campo”.

Experiência que transforma

Para o secretário de Educação de Curvelo (MG), Alessandro Soares, a visita à escola indígena foi um dos momentos mais marcantes de sua trajetória profissional. “Foi uma experiência única na minha vida. Eu tenho mais de 25 anos na educação e nunca tinha visto algo daquele nível. O que mais me marcou foi o cuidado com as pessoas, o envolvimento das famílias e o respeito à cultura. Isso toca de verdade”, compartilhou.

Ele também destacou práticas observadas na escola de tempo integral. “Ver alunos de diferentes idades aprendendo juntos, com os mais velhos ajudando os mais novos, é algo que me encantou e que eu pretendo levar para o nosso município”, disse.

Rede estruturada e inovadora

A secretária-adjunta de Educação e Cultura de Boa Vista, Meiry Jane Gomes, explicou que a proposta da programação foi apresentar de forma ampla o funcionamento da rede municipal.

“Nós buscamos proporcionar aos visitantes uma visão completa da nossa educação, desde as escolas urbanas até as unidades do campo e indígenas. Eles puderam vivenciar as práticas, conhecer a cultura local e entender como trabalhamos respeitando as especificidades de cada comunidade”, disse.

Ela ressaltou ainda, o retorno positivo da comitiva. “Eles estão encantados com o que viram e isso reforça que a rede está no caminho certo, com foco na alfabetização, na qualidade do ensino e no desenvolvimento dos nossos alunos”, contou.

Investimento que gera resultados

A Rede Municipal de Ensino de Boa Vista é estruturada com base em três pilares: qualidade, inovação e inclusão. Entre os investimentos, estão a oferta de tecnologia educacional, como tablets, chromebooks e conectividade em todas as escolas, além de programas voltados à primeira infância, formação de professores e ensino estruturado.

A comitiva já visitou outras unidades e equipamentos da educação municipal, como o Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (CETEA), reforçando o caráter integrado das políticas públicas desenvolvidas na capital. O cronograma de visitas segue até sexta-feira, 20, reforçando o intercâmbio de boas práticas e consolidando o município como referência na área educacional e de políticas voltadas à primeira infância.

Ráyra Fernandes e Marcus Miranda

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