HGR realiza pela primeira vez em Roraima cirurgia de implante de eletrodo sacral para tratamento de dor crônica

O objetivo do procedimento é auxiliar na recuperação de funções neurológicas comprometidas, promovendo mais autonomia, bem-estar e qualidade de vida ao paciente. – Fotos: Ascom | /Sesau

Com grandes investimentos na saúde para a ampliação de procedimentos de alta complexidade na rede pública estadual, o Governo de Roraima, por meio da Secretaria de Saúde, realizou pela primeira vez em Roraima uma cirurgia de implante de eletrodo sacral no HGR (Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento).

A tecnologia e o procedimento chegaram ao Brasil em 2021 e foram realizados apenas em três estados da região Norte. O objetivo do procedimento é auxiliar na recuperação de funções neurológicas comprometidas, promovendo mais autonomia, bem-estar e qualidade de vida ao paciente.

A técnica consiste na implantação de um pequeno eletrodo próximo aos nervos sacrais, responsáveis pelo controle da região pélvica, intestino e bexiga. O dispositivo emite estímulos elétricos suaves capazes de modular os sinais nervosos, auxiliando na recuperação das funções comprometidas e proporcionando mais qualidade de vida ao paciente.

“É um marco no Estado de Roraima, porque é a terceira cirurgia feita na região Norte e a primeira de Roraima com uma tecnologia bastante superior para o SUS. É um procedimento que vai ajudar bastante a paciente no ponto de vista humano, uma paciente que estava em um quadro depressivo, porque não conseguia sair de casa. O custo do eletrodo é bastante avançado e de alto custo, o Estado disponibilizou esse tratamento inédito para essa paciente para melhorar a sua qualidade de vida de modo geral”, afirmou o neurocirurgião do HGR, Alcimar Lavareda Júnior.

Para a realização do procedimento inédito, o HGR contou com apoio de equipe especializada de fora do estado. A cirurgia exige treinamento específico e conhecimento avançado em neuromodulação, além da utilização de equipamentos de alta precisão guiados por imagem.

O neurocirurgião funcional Pedro Henrique Martins da Cunha explica que a técnica utilizada é conhecida como estimulação dos gânglios das raízes dorsais, ou seja, a região dos nervos que transmite informações de dor ao cérebro.

“Ele faz um tipo de estimulação muito direcionada ao alvo. Então cada gânglio vai atuar em uma região que vai transmitir a informação de uma região específica do corpo para a gente conseguir mapear e estimular essa região para fazer o tratamento de dores nas pernas, joelho, pés, quadril, dor pélvica, dentre outros tipos de dor”, explicou.

A neuromodulação sacral é considerada minimamente invasiva e conta com uma fase inicial de teste para avaliar a resposta do paciente antes da implantação definitiva do sistema. Entre os principais benefícios estão a redução dos episódios de incontinência, melhora do controle intestinal e urinário, além da recuperação da autonomia e da segurança para realização das atividades diárias.

Suyanne Sá

Veja também

Topo