Política de Assistência estudantil garante permanência e viabiliza acesso à educação

Em 2025, o Campus Amajari atendeu 120 estudantes com alimentação; 95 residiam no alojamento e 68 contavam com transporte escolar para frequentar as aulas. – Foto: Ascom | IFRR

No Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima (CAM/IFRR), a política de assistência estudantil tem sido determinante para assegurar que jovens em situação de vulnerabilidade não apenas ingressem, mas também permaneçam e concluam os estudos. Em 2025, 120 estudantes foram atendidos com alimentação diária. Desses, 95 viviam no alojamento estudantil — com direito a café da manhã, almoço e jantar — e 68 tiveram acesso ao transporte escolar.

Segundo o coordenador do alojamento do CAM, Francisco Moura, a política é essencial para garantir o funcionamento da própria oferta educacional no campus. “Ela é fundamental. Pela localização onde estamos, sem auxílio de alimentação, transporte ou alojamento, nós não teríamos alunos. Esses estudantes não conseguiriam acessar a educação de qualidade que o campus oferece”, afirmou.

A realidade local impõe desafios logísticos que tornam os auxílios estudantis uma estratégia indispensável. Segundo Moura, muitos estudantes vêm de comunidades, vilas e municípios onde não há cobertura de transporte escolar. “O alojamento possibilita que esses jovens tenham acesso à educação profissional. Em muitos casos, é a única forma de estarem aqui”, explicou.

A institucionalização da Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), por meio da Lei 14.914/2024, consolidou iniciativas que já vinham sendo adotadas nas instituições federais, ampliando seu alcance. A política tem como foco garantir a permanência dos estudantes, reduzir desigualdades sociais e regionais e melhorar o desempenho acadêmico, contribuindo para a redução da evasão escolar.

No Campus Amajari, os impactos vão além do ambiente escolar. “O impacto é gigante na vida desses estudantes e também dos familiares. Muitos deles são os primeiros da família a cursar o ensino médio técnico e a ter acesso a uma educação de qualidade. Isso amplia horizontes e mostra que eles podem transformar a própria realidade”, disse o coordenador.

A permanência, no entanto, nem sempre é linear. Moura relata que muitos estudantes enfrentam momentos de dúvida ao longo da trajetória. “Vários já pensaram em desistir. Às vezes, com uma conversa, um apoio, eles conseguem seguir. Depois, reconhecem o quanto isso fez diferença e se sentem preparados para qualquer desafio”, pontuou.

Entre essas histórias está a de uma estudante indígena venezuelana, que encontrou na assistência estudantil o suporte necessário para concluir sua formação. “Sem os auxílios, eu não teria conseguido terminar o curso técnico”, relatou Yorgelis Flores, de 19 anos, indígena taurepang venezuelana que vive no Brasil há sete anos. Moradora da Comunidade Indígena Tarau Paru, no Município de Pacaraima, ela é uma das formandas que conseguiram aprovação em universidade pública.

Ao garantir condições básicas como alimentação, moradia e transporte, a assistência estudantil cumpre um papel estratégico na democratização do acesso à educação pública. No Amajari, mais do que apoiar a rotina acadêmica, ela sustenta trajetórias e reafirma a educação como instrumento de transformação social.

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