Projeto de Marcos Jorge institui o Dia da Fotografia Roraimense

A data de 8 de agosto faz alusão à fotografia mais antiga de Roraima, registrada pelas lentes do fotógrafo alemão George Huebner. – Fotos: Divulgação | SupCom/ALE-RR

O deputado estadual Marcos Jorge (Republicanos-RR) apresentou na Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) o Projeto de Lei 266/2025, que institui o Dia da Fotografia Roraimense, a ser comemorado, anualmente, no dia 8 de agosto

De acordo com o parlamentar, a data é um reconhecimento do papel crucial da fotografia como um patrimônio visual e um instrumento indispensável para a preservação da memória histórica e da identidade cultural do Estado de Roraima.

Ele explica que a ideia de instituir a data de 8 de agosto como Dia da Fotografia Roraimense partiu da Universidade Federal de Roraima (UFRR), por intermédio da pesquisa de Pós-doutorado do professor Dr. Maurício Zouein, “Visualidades Amazônicas” (UFRR-USP), que conseguiu comprovar por meio de documentos originais a fotografia mais antiga de Roraima, registrada pelas lentes do fotógrafo alemão George Huebner (1862-1935), em 1895.

“Na pesquisa ainda estamos analisando fotografias que datam entre 1888 e 1890 e que se mostram como realizadas em Roraima, mas, ainda carentes de uma confirmação mais substancial”, afirma Zouein.

Meninas Maquiritere, de George Huebner, feira em 1895, que están no álbum “Valle do Rio Branco”.

George Huebner foi contratado pelo Governo do Amazonas para fotografar uma expedição ao “Valle do Rio Branco” (Roraima), em 1904. Juntos à expedição estavam o próprio governador Antônio Constantino Nery (1859-1924), o engenheiro militar Alfredo Ernesto Jacques Ourique (1848-1932) responsável por escrever o relatório da viagem, e o Conde italiano Ermanno Stradelli (1852 – 1926) incumbido de produzir o mapa da região.

O trabalho de Huebner consistiu em documentar a vida ribeirinha, as grandes fazendas nacionais do Rio Branco, origem da maior parte da carne que abastecia Manaus. O resultado de tal empreitada foi o álbum “Valle do Rio Branco” (1906), que contém 131 páginas e as primeiras 85 imagens fotográficas, em série, de Roraima.

“Esta obra constitui um registro de notável relevância histórica, pois capturou paisagens, e as pessoas simples em seus habitats naturais com seus afazeres, principalmente os que moravam nas fazendas locais”, disse Maurício Zouein.

A edição do Álbum demorou dois anos para ser finalizada. Os 300 exemplares foram entregues ao Governo do Estado do Amazonas, em 1906, e só foi divulgado no Rio de Janeiro durante a “Exposição Nacional”, que durou de 8 de agosto de 1908 à 15 de novembro do mesmo ano.

O “Álbum Valle do Rio Branco” foi agraciado com a Medalha de Ouro pela qualidade da edição e o conteúdo demonstrativo do lugar inóspito/exótico e promissor, que era o então Valle do Rio Branco.

O dia 8 de agosto é marcado por ser a data, tanto da primeira premiação a nível internacional da fotografia produzida em Roraima, quanto o reconhecimento da região por meio da imagem fotográfica.

Para o professor Maurício Zouein, a instituição do “Dia da Fotografia Roraimense” assegura o devido lugar na história para os pioneiros visuais que ajudaram a construir e fixar a identidade imagética do estado.

“Nesse sentido, a necessidade de reconhecimento legislativo advém do valor documental e artístico dos registros fotográficos pioneiros realizados em Roraima. Tais obras são essenciais para a compreensão da realidade local e para a valorização do patrimônio histórico e artístico roraimense”, completou o deputado Marcos Jorge.

Gilvan Costa

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