Projeto Sa’Man Ti: Governo de Roraima fortalece juventude indígena em oficina cultural na Terra São Marcos

Iniciativa reúne jovens de diferentes comunidades em uma imersão nos saberes tradicionais, com atividades de pintura, confecção de artesanato, música, dança e outras expressões culturais e ancestrais. – Fotos: Arthur Farias

Com foco na valorização da cultura indígena e no fortalecimento da juventude, o Governo de Roraima participa da oficina do projeto Sa’man Tî, que está sendo realizada até sexta-feira, 20, na comunidade indígena Mauixi, na região do Baixo São Marcos, em Boa Vista.

A iniciativa integra um ciclo iniciado em 2025, reunindo jovens de diferentes comunidades em uma imersão nos saberes tradicionais, com atividades de pintura, confecção de artesanato, música, dança e outras expressões culturais e ancestrais. Jovens indígenas do Alto e Médio São Marcos também já participaram da oficina.

Coordenador do Núcleo da Juventude da Terra Indígena São Marcos, Israel Santana destacou que a proposta surgiu da necessidade de reconectar os jovens com as próprias origens.

“Esse projeto envolve a juventude, porque muitos hoje já não conhecem a própria origem. A gente trabalha a valorização da cultura, da língua e dos saberes tradicionais, além de mostrar caminhos para que eles não se percam e possam construir um futuro dentro da comunidade”, explicou.

Cultura e geração de renda

A secretária da Setrabes (Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social), Tânia Soares, destacou a importância de incentivar o potencial das comunidades. Ela explicou que, além do resgate cultural, a iniciativa também apresenta o artesanato como oportunidade de geração de renda para os jovens indígenas.

“Precisamos valorizar a força, o talento e a sabedoria das comunidades indígenas. O artesanato produzido aqui já representa Roraima em feiras nacionais e internacionais, sendo um dos mais visitados. Nosso papel é fortalecer essa produção e abrir oportunidades para que ela gere renda e autonomia”, afirmou.

Durante a oficina, também foram apresentadas políticas públicas voltadas ao empreendedorismo, como a emissão da Carteira do Artesão e a participação em feiras nacionais, onde os produtos são comercializados.

Segundo o coordenador de Trabalho, Emprego e Renda da Setrabes, Gabriel Maciel, a proposta é transformar a produção cultural em oportunidade econômica. “O objetivo é dar autonomia financeira aos jovens e artesãos, fortalecendo a cultura e criando novas fontes de renda dentro das comunidades”, destacou.

Juventude e permanência na comunidade

Para as lideranças locais, a oficina também cumpre um papel social importante ao incentivar a permanência dos jovens nas comunidades. “O foco é preservar a cultura e fortalecer a juventude dentro da comunidade. A gente quer que eles aprendam, se ocupem e cresçam aqui, sem precisar sair e deixar suas raízes”, afirmou o tuxaua da comunidade Mauixi, Alessandro da Silva.

A estudante Raquel de Sousa Araújo, de 15 anos, participou da oficina e destacou o aprendizado adquirido. “Eu não sabia fazer tiara, cocar e pulseira. Já aprendi e achei muito legal. Quero aprender ainda mais”, contou a jovem, que também vê na atividade uma oportunidade futura de geração de renda.

Fortalecimento coletivo

O projeto Sa’man Tî reúne jovens das regiões Alto, Médio e Baixo da Terra Indígena São Marcos, promovendo troca de experiências e integração entre diferentes etnias, como Makuxi e Wapichana.

Ao final do ciclo, os participantes devem se reunir em um grande encontro para apresentar as produções culturais, incluindo danças, músicas e peças confeccionadas durante as oficinas.

João Paulo Pires

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