Vazio sanitário da soja está em vigor em Roraima até 18 de março

Ação integra o Programa de Controle da Ferrugem Asiática e é fundamental para conter a disseminação da doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. – Fotos: Ascom | Aderr

O vazio sanitário da soja em Roraima está em vigor desde o dia 19 de dezembro e segue até 18 de março, totalizando 90 dias de suspensão da cultura no campo. A medida foi instituída pelo Governo de Roraima, por meio da Portaria nº 821 da Aderr (Agência de Defesa Agropecuária de Roraima), em conformidade com normas do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).

A ação integra o Programa de Controle da Ferrugem Asiática e é fundamental para conter a disseminação da doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, enfermidade mais severa da soja no Brasil e que é capaz de causar perdas de até 90% na produtividade se não controlada.

O programa fortalece a defesa sanitária vegetal ao interromper o ciclo de reprodução do fungo nas áreas produtoras do Estado e ao viabilizar o cadastro oficial dos produtores de soja, ampliando o monitoramento e as ações de prevenção fitossanitária.

Com o encerramento do vazio sanitário, os produtores estarão autorizados a iniciar a semeadura da safra 2025/2026 a partir de 19 de março, com prazo final em 26 de junho.

“De 19 de março a 26 de junho é o período oficial de semeadura da soja em Roraima”, destacou o presidente da Aderr, Marcelo Parisi.

O que é o vazio sanitário da soja

O vazio sanitário é o período em que é proibido plantar, cultivar ou manter plantas vivas de soja em qualquer estágio de desenvolvimento. A eliminação de plantas remanescentes é de responsabilidade exclusiva do produtor rural.

“Uma única planta mantida no campo pode servir de hospedeira para o fungo e comprometer todo o esforço coletivo. O objetivo do vazio sanitário é quebrar o ciclo da praga, reduzindo a pressão da doença no início da nova safra”, explicou o diretor de Defesa Vegetal da Aderr, Marcos Prill.

Segundo a Embrapa, o vazio sanitário é uma estratégia comprovadamente eficaz no combate à Phakopsora pachyrhizi, fungo causador da ferrugem asiática. A doença provoca desfolha precoce, compromete a formação dos grãos e pode gerar perdas significativas de produtividade.

Embora o uso de defensivos agrícolas registrados no Mapa auxilie no controle, a aplicação contínua favorece o desenvolvimento de resistência do fungo. Por isso, a interrupção do ciclo da praga é considerada a medida mais eficiente e sustentável para preservar a eficácia do controle químico.

Ferrugem asiática em Roraima

A ferrugem asiática está presente no Brasil desde 2001 e foi detectada oficialmente em Roraima em 2021, em propriedades do município de Alto Alegre, com confirmação por laboratório credenciado do Ministério da Agricultura.

Segundo Parisi, o Estado mantém vigilância permanente. “Estamos atentos e preparados para executar todas as ações necessárias ao enfrentamento da praga, sempre em parceria com os produtores rurais”, afirmou.

A identificação do primeiro foco foi resultado de trabalho conjunto entre técnicos da Aderr e produtores durante inspeções de rotina nas lavouras.

Elias Venâncio

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