Acusado de confeccionar e comercializar atestados médicos falsos em Boa Vista é preso em flagrante pela PCRR

Com J.G.S., de 29 anos, os policiais apreenderam aproximadamente 20 atestados médicos já preenchidos, formulários em branco, além de materiais utilizados na falsificação dos documentos. – Fotos: Ascom | PCRR

A PCRR (Polícia Civil de Roraima) prendeu em flagrante, nesta quinta-feira, 6, J.G.S., de 29 anos, suspeito de confeccionar e comercializar atestados médicos falsos em Boa Vista. Durante a ação, os policiais apreenderam aproximadamente 20 atestados médicos já preenchidos, formulários em branco, além de materiais utilizados na falsificação dos documentos.

A ação foi coordenada pela delegada titular da DRCAP (Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração e Serviços Públicos), Ana Paula Barbosa de Lima, após denúncia apresentada por representantes de um supermercado da capital a um investigador do DENARC (Departamento de Narcóticos). A informação foi imediatamente repassada à DRCAP, que iniciou as diligências por meio dos investigadores da SIOP (Seção de Investigação e Operação).

De acordo com a delegada, os representantes da empresa procuraram a Polícia Civil após perceberem um aumento significativo no número de funcionários que passaram a apresentar atestados médicos supostamente emitidos pelo mesmo profissional. A situação despertou suspeitas quanto à autenticidade dos documentos e motivou a comunicação imediata à Polícia Civil.

Conforme a delegada Ana Paula Barbosa de Lima, após receber a denúncia, a equipe de investigação organizou uma ação para acompanhar a entrega de um novo atestado previamente negociado. Logo após o repasse do documento, os investigadores abordaram o suspeito e efetuaram a prisão em flagrante.

Material apreendido pelos policiais.

Durante as buscas na residência de J.G.S., no bairro Cidade Satélite, foram apreendidos cerca de 20 atestados médicos já preenchidos, contendo nomes de supostos pacientes, datas, períodos de afastamento, assinatura, carimbo e número de registro profissional (CRM) de um médico, utilizados de forma fraudulenta. Também foram localizados formulários impressos em branco, prontos para preenchimento, além de diversos medicamentos, cuja origem, procedência e regularidade da posse serão apuradas em procedimento específico.

Segundo a delegada, as investigações apontam que os formulários eram confeccionados pelo próprio suspeito, que imprimia modelos semelhantes aos utilizados por unidades de saúde e realizava manualmente o preenchimento das informações falsas.

Durante o interrogatório, J.G.S. confessou a prática criminosa. Conforme relatou à delegada, ele afirmou que comercializava os atestados falsificados havia aproximadamente três anos, cobrava R$ 40 por documento e possuía uma clientela reduzida.

De acordo com a delegada, todas as informações prestadas serão confrontadas com as provas produzidas durante a investigação.

A delegada ressaltou ainda que, até o momento, as investigações indicam que o médico teve seu nome, assinatura, carimbo e número de registro profissional utilizados indevidamente, sendo considerado vítima da fraude. Não há, até o momento, qualquer indício de participação do profissional na prática criminosa.

Segundo Ana Paula Barbosa de Lima, as diligências terão continuidade para identificar toda a extensão do esquema criminoso, inclusive as pessoas que adquiriram e utilizaram os atestados falsificados.

“Recebemos a denúncia e nossa equipe agiu imediatamente, conseguindo prender o suspeito em flagrante e apreender diversos documentos falsificados. Até o momento, o médico é considerado vítima, pois teve seus dados profissionais utilizados de forma indevida. As investigações serão ampliadas para identificar todos os envolvidos. Os funcionários que apresentaram esses atestados serão intimados para prestar esclarecimentos e, caso fique comprovado que tinham conhecimento da falsidade dos documentos, poderão responder pelo crime de uso de documento falso”, afirmou a delegada.

A delegada destacou também que a rápida atuação dos investigadores da SIOP foi decisiva para interromper a prática criminosa e reunir elementos importantes para o avanço das investigações.

“As diligências prosseguem com o objetivo de identificar todos os envolvidos, responsabilizar os autores e combater fraudes que comprometem a credibilidade dos documentos públicos, causam prejuízos às empresas e atentam contra a fé pública”, disse.

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