Aderr reforça ações de monitoramento de zoonoses em comunidades indígenas de Roraima

Iniciativa realizou durante uma semana, a coleta de amostras biológicas de morcegos, cães e bovinos nas comunidades indígenas de Uiramutã, Monte Moriá I e Willimon. – Fotos: Felipe Omartins

A Aderr (Agência de Defesa Agropecuária de Roraima) apoia as ações do Projeto Saúde Única da Amazônia Brasileira, desenvolvido em parceria com pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará) e da UFPI (Universidade Federal do Piauí), voltado ao monitoramento e à prevenção de zoonoses na Terra Indígena Raposa/Serra do Sol.

A iniciativa realizou durante uma semana, a coleta de amostras biológicas de morcegos, cães e bovinos nas comunidades indígenas de Uiramutã, Monte Moriá I e Willimon, com o objetivo de analisar a circulação de agentes causadores de doenças transmissíveis entre animais e seres humanos, com destaque para a raiva humana.

A equipe realizou capturas e coletas de amostras, principalmente de morcegos também na região da Serra do Sol. Para dar suporte às atividades, foi instalado um mini laboratório de análises na Escola Municipal Indígena Mãe Eliza, na comunidade de Uiramutã.

De acordo com a coordenadora do projeto, a bióloga e professora da UFPA, Isis Abel, a pesquisa ocorre simultaneamente nos Estados do Pará, Amazonas e Roraima, considerando diferentes características ambientais.

“No Pará, o estudo é realizado em áreas de mangue; no Amazonas, em áreas de floresta; e em Roraima, no lavrado. Já identificamos que fatores ambientais influenciam diretamente a circulação da raiva entre animais e humanos”, explicou.

Ações educativas

Além da pesquisa de campo, foram promovidas ações educativas junto às comunidades indígenas, incluindo a exposição “Mala Museu”, com orientações sobre a raiva, cuidados no manejo de ambientes que possam abrigar morcegos e medidas preventivas em casos de contato com animais silvestres.

A Aderr participou das ações com apoio técnico por meio do Programa Estadual de Controle da Raiva de Herbívoros. O médico veterinário Joseney Maia de Lima coordenou a atuação da equipe especializada na captura de morcegos hematófagos com os técnicos Sílvio Ligoski e Paulo Barbosa, na identificação de abrigos e no monitoramento sanitário do município.

“É fundamental que as comunidades estejam atentas ao comportamento dos animais e comuniquem à Aderr qualquer suspeita de raiva ou presença de abrigos de morcegos. A vigilância contínua é essencial para evitar a circulação do vírus”, ressaltou o veterinário.

A atuação conjunta entre a Aderr, instituições de ensino superior e comunidades locais reforça o conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental, contribuindo para a prevenção de zoonoses e para a proteção da população roraimense.

As zoonoses representam um importante desafio à saúde pública, especialmente em regiões de grande biodiversidade como a Amazônia. Doenças como raiva, leptospirose, brucelose, tuberculose bovina, toxoplasmose e febre amarela estão entre as mais comuns e podem causar impactos graves à saúde humana quando não prevenidas adequadamente.

Elias Venâncio

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