
Diante da sobrecarga enfrentada por muitos familiares de pessoas com autismo, que precisam conciliar trabalho e outras responsabilidades diárias, o Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), promoveu, nesta sexta-feira, 18, uma palestra sobre o Setembro Amarelo com o tema “Para cuidar de quem cuida”.
A diretora terapêutica do Teamarr, Ana Paula Aporta, destaca que além do suporte aos pacientes é fundamental acolher as famílias.

“Quando se fala em saúde, especialmente em saúde mental, é preciso lembrar que o autista tem uma família, que também necessita de apoio. A ideia é estender o atendimento aos familiares das crianças e jovens acompanhados pela instituição”, ressalta.
Pensando nisso, uma ação foi planejada para as famílias de crianças e adolescentes atendidos pelo Teamarr. “O momento é voltado à escuta dessas famílias, oferecendo orientações, dados e informações sobre como identificar situações de sofrimento emocional, como a depressão, e quais caminhos podem ser buscados para obter ajuda”, detalha Ana Paula.

Larissa Ramos, assistente social do Teamarr ressalta que o mês de setembro é dedicado à reflexão sobre a valorização da vida e à importância dos cuidados com a saúde mental. Segundo ela, a atenção também precisa alcançar os familiares que carregam a sobrecarga do dia a dia ao lidar com crianças e jovens que necessitam de cuidados especializados.
“Nosso tempo, hoje, foi para orientar essas famílias e mostrar que elas não estão sozinhas, pois o Teamarr também tem um olhar direcionado para eles, os instruindo, dentro desses sinais que, de repente, a pessoa pode identificar, como que ela poderá buscar ajuda, quais são os serviços públicos que ofertam o atendimento, para quem enfrenta algum sofrimento psíquico”, pontua.

Suporte necessário
A professora Joseane Viana é mãe de uma adolescente com autismo, atendida pelo Teamarr há dois anos. Ela relatou que o acompanhamento especializado transformou a rotina da filha, que tinha dificuldades de interação com outras pessoas. “Depois que tive o diagnóstico, pensei: ‘Meu Deus, vou buscar ajuda’. Fui pesquisar, e descobri o Teamarr pelo Instagram. Fiz o cadastro dela e, pouco tempo depois, nos chamaram”, conta.
Segundo Joseane, a evolução da filha foi significativa. Além da socialização, houve melhora na rotina escolar. Ela relata que apesar de a garota realizar as aulas regulares de forma remota, alcançou uma importante conquista acadêmica.
“O Teamarr foi um divisor de águas nas nossas vidas. Antes de ser atendida, ela não estava mais conseguindo assistir às aulas, que tiveram que ser remotas. Ela teve uma mudança da água para o vinho. Começou a me ajudar dentro de casa, a estudar sozinha e passou no vestibular da UFRR para o curso de Arquitetura aos 17 anos”, relembra orgulhosa.
Joseane avalia como fundamental a iniciativa do Teamarr em também cuidar de toda a rede de apoio do autista.
“É necessário cuidar realmente de quem cuida. Então, quem é mãe atípica, sempre está inserida naquela questão: eu estou sozinha, onde buscar a rede? Ver esse suporte é muito bom. É uma ação que deve se multiplicar várias vezes durante o ano e o Teamarr é um programa que não deve parar”, concluiu.
