
Uma ação integrada entre lideranças indígenas da comunidade Cachoeira do Sapo, Polícia Militar de Roraima (PMRR) e Polícia Civil de Roraima (PCRR) resultou na prisão do guianense M.T., de 33 anos, acusado de abusar sexualmente de uma criança de oito anos. O suspeito foi inicialmente contido por moradores da comunidade, preso pela Polícia Militar e apresentado à Polícia Civil, que lavrou o Auto de Prisão em Flagrante pelos crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual.
O caso foi conduzido pelo delegado Alberto Alencar, titular da Delegacia de Normandia, que no fim de semana respondia pelo plantão regional, atendendo as ocorrências das delegacias de Normandia, Bonfim e Cantá.
De acordo com o delegado, o suspeito disse ser brasileiro, mas foi ainda criança para a Guiana e não possui documentação brasileira. Ele estava morando na residência da família da vítima há cerca de cinco meses, após ser convidado pelo padrasto da criança, com quem mantinha amizade, enquanto buscava trabalho na região.

Ainda conforme o delegado, horas antes do ocorrido, a mãe da criança foi vítima de violência doméstica praticada pelo companheiro, F.S., de 36 anos, após uma discussão motivada pelo consumo de bebida alcoólica. Durante a briga, o homem teria atingido a mulher com uma faca no braço.
Após o episódio, a mulher foi conduzida à delegacia para registrar a ocorrência, enquanto o padrasto também foi levado para prestar esclarecimentos. As crianças permaneceram na residência.
Foi nesse momento, segundo o delegado Alberto Alencar, que o suspeito teria se aproveitado da ausência dos responsáveis para praticar atos libidinosos contra a vítima, que tem oito anos de idade.
“A própria vítima relatou que um pouco mais cedo ele tinha tentado tirar a toalha dela quando ela saía do banheiro. Depois, na ausência dos pais, ele deitou em uma rede, mandou a menina tirar a roupa e passou a praticar atos libidinosos contra ela, ocasião em que uma pessoa chegou à casa e interrompeu a ação”, detalhou o delegado.
O crime foi interrompido quando um cunhado da mãe das crianças chegou à residência e encontrou o suspeito em situação suspeita com a menina. Ele acionou as lideranças indígenas da comunidade, que contiveram o acusado e acionaram a Polícia Militar. O Conselho Tutelar também foi comunicado.
“Moradores da comunidade contiveram o suspeito até a chegada da Polícia Militar, que realizou a condução do homem até a delegacia e o apresentou à Polícia Civil. Até então ele permaneceu em silêncio e somente na delegacia confessou ter tocado no corpo da criança”, explicou o delegado.

Com base nas informações colhidas e nos elementos reunidos durante a ocorrência, o delegado Alberto Alencar lavrou o APF (Auto de Prisão em Flagrante) pelos crimes de importunação sexual (artigo 215-A) e de estupro vulnerável (artigo 217-A do Código Penal), com agravante em razão da relação de confiança, uma vez que o suspeito convivia com a família e era considerado pelas crianças como um “tio”.
O acusado foi apresentado em audiência de custódia na manhã desta segunda-feira, dia 23, ocasião em que a prisão em flagrante foi homologada pela Justiça e convertida em prisão preventiva e, posteriormente encaminhado ao Sistema Prisional.
Em relação ao padrasto da vítima, também foi lavrado Auto de Prisão em Flagrante pelo crime de violência doméstica. Ele passou por audiência de custódia e responderá ao processo em liberdade.
A criança, bastante abalada, recebeu atendimento médico e acompanhamento do Conselho Tutelar.

