
Uma ação que uniu educação, sustentabilidade e protagonismo juvenil resultou na arrecadação de 4.149 quilos de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (REEE) no Campus Bonfim do Instituto Federal de Roraima (IFRR), no Município de Bonfim. A iniciativa integrou a gincana “Desafio REEE: Criar, Conscientizar e Transformar”, realizada entre março e abril, numa parceria entre o IFRR e o Instituto de Incubação e Aceleração (IA).
O volume expressivo de material recolhido ao longo de 30 dias foi encaminhado ao Centro de Recondicionamento de Computadores do IA. Lá, ele passará por tratamento adequado, contribuindo para a redução de impactos ambientais causados pelo descarte irregular. O encerramento da atividade foi conduzido pela Coordenação de Gestão e Inovação para a Sustentabilidade do IFRR.
Quatro equipes iniciaram a competição, mas apenas três permaneceram até o fim. Consagrou-se campeã a “EletroRRecicladores” (@eletrorrecicladores), com 2.205 quilos de resíduos arrecadados, garantindo troféu, certificado e participação na oficina Manutenção de Aparelhos Celulares no Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC), em Boa Vista. A vitória garantiu ao CAB uma mesa de tênis de mesa.
A segunda colocada foi a “Eletro cab” (@eletro.cab), que arrecadou 1.644 quilos de resíduos. Entre os eletrodomésticos e eletrônicos arrecadados estavam 33 televisores e um televisor antigo pesando 38 quilos, além de 8 geladeiras e 5 máquinas de lavar. A terceira colocada foi a “Cab eletron”(@cab.eletron), com 300 quilos arrecadados.

Durante a gincana, os estudantes se envolveram em atividades práticas e educativas voltadas à coleta de resíduos eletrônicos, produção de conteúdos digitais e criação de peças artísticas sustentáveis (esculturas). A competição foi estruturada em três eixos: coleta de materiais, engajamento digital e produção de esculturas com resíduos, incentivando não apenas a conscientização ambiental, mas também o desenvolvimento de habilidades criativas e comunicativas.
Para o estudante Lucas Silva de Oliveira, 16 anos, da equipe campeã, a experiência foi transformadora. “A gincana foi importante para nos conscientizar sobre o descarte correto dos resíduos eletrônicos e também para o nosso aprendizado. Desenvolvemos habilidades como produção de conteúdo para redes sociais e comunicação. Além disso, levamos essa conscientização para a comunidade, explicando, de casa em casa, a importância de não descartar esses materiais no meio ambiente”, disse.
A mobilização foi além dos muros do CAB e alcançou diferentes espaços no município. A estudante Júlia Bianca Pereira Veras, 15 anos, da equipe “Eletro cab”, a vice-campeã, relatou o engajamento da equipe nas ações externas. “A gente visitou escolas, conversou com outras turmas e deixou pontos de coleta. Também fomos até a Vila São Francisco buscar eletrodomésticos. Foi uma experiência que uniu a equipe e reforçou a importância da preservação ambiental, principalmente para quem estuda agropecuária”, afirmou.
Segundo a coordenadora de Sustentabilidade do IFRR, Edileia Sousa, a gincana superou as expectativas. “Nossa intenção foi despertar a consciência ambiental em cada integrante das equipes. Eles entenderam isso, levando a ação para fora da escola e envolvendo a comunidade. Foi um sucesso absoluto, tanto pela quantidade arrecadada quanto pelo engajamento dos estudantes. No nosso plano de trabalho em parceria com o IA, foi proposta a arrecadação de 2 toneladas em dois anos em todas as unidades. Somente o CAB, em um mês, dobrou a meta”, comemorou.
O material arrecadado já foi destinado ao CRC em Boa Vista, cuja equipe já iniciou os trabalhos de recondicionamento dos computadores para serem, posteriormente, doados às comunidades indígenas.
Segundo Edileia, o próximo campus do IFRR a executar a gincana será o Campus Boa Vista, a maior unidade da instituição. Isso ocorrerá no mês de maio, finalizando em junho, na Semana do Meio Ambiente.

A vitória da equipe “EletroRRecicladores” (@eletrorrecicladores) foi garantida pelo desempenho no terceiro eixo da gincana “Desafio REEE: Criar, Conscientizar e Transformar”, voltado à produção de esculturas com resíduos. Estruturada em três frentes — coleta de materiais, engajamento digital e criação artística com reaproveitamento —, a competição, realizada pelo Instituto Federal de Roraima em parceria com o Instituto de Incubação e Aceleração (IA), foi marcada por uma disputa acirrada entre as equipes ao longo de toda a programação do evento.
Chamada de “Anjo do Último Sinal”, a escultura vencedora foi desenvolvida a partir de resíduos eletroeletrônicos, destacando-se como símbolo de alerta ambiental. A obra representa uma entidade construída com materiais descartados pela sociedade, ressignificando a imagem angelical para provocar reflexão sobre o consumo excessivo e seus impactos no planeta. Elementos como roteadores, placas eletrônicas e fios dão forma à peça, evidenciando a contradição entre a hiperconectividade atual e a negligência com a sustentabilidade.
Com forte carga simbólica, a escultura aborda o ciclo acelerado de obsolescência tecnológica e o acúmulo de lixo eletrônico, que não desaparece e continua a causar danos ambientais, como a contaminação do solo e da água. A composição estética, propositalmente bruta, reforça a origem dos materiais e denuncia a realidade do descarte inadequado, ao mesmo tempo em que questiona padrões de consumo e a busca constante por inovação sem responsabilidade ambiental.

Inspirada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), a obra propõe um alerta à sociedade: a tecnologia avança, mas os resíduos permanecem. Mais do que uma representação artística, o “Anjo do Último Sinal” convida à reflexão sobre até quando os impactos ambientais serão ignorados, reforçando a urgência de mudanças de comportamento em relação ao consumo e ao descarte de equipamentos eletrônicos.
Em segundo lugar ficou a escultura “Conectados e Acumulados”, que reflete a evolução da tecnologia ao longo do tempo, mostrando como os dispositivos, antes simples e limitados, se tornaram essenciais no cotidiano. Elementos como celulares antigos, televisores e fios representam essa transformação, evidenciando tanto os avanços quanto a crescente dependência tecnológica, simbolizada também pelo papel indispensável da internet e do wi-fi na vida moderna.
Ao mesmo tempo, a obra chama atenção para o acúmulo de lixo eletrônico gerado por esse avanço acelerado. Os fios e cabos, além de simbolizarem conexão, representam o excesso e a desordem causados pelo consumo desenfreado. Assim, a escultura funciona como um alerta sobre os impactos ambientais do descarte inadequado, destacando que, enquanto a tecnologia evolui, o lixo permanece, cabendo, pois, à sociedade refletir e agir de forma mais consciente.

Em terceiro lugar ficou a escultura “Conexão Sustentável”, obra tridimensional produzida a partir de resíduos eletroeletrônicos, com destaque para fios de carregadores descartados. Seu elemento central é um coração formado por cabos reaproveitados, fixado em uma base de papelão reutilizado, simbolizando o cuidado e a responsabilidade com o meio ambiente ao transformar o que seria lixo em arte.
Buscando promover a conscientização ambiental, a obra propõe uma reflexão sobre o descarte correto de resíduos e o uso consciente da tecnologia, evidenciando que pequenas ações podem gerar impactos positivos. Além disso, dialoga com os princípios da sustentabilidade e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), ao incentivar a reutilização de materiais e a preservação ambiental, transmitindo a ideia de que criatividade e consciência podem contribuir para um futuro mais sustentável.
Rebeca Lopes

