Chronos: operação da PCRR prende investigados por roubo armado e busca suspeito foragido

F.A.W., de 26 anos, foi reconhecido por uma funcionária que presenciou o roubo; N.J.M.A., de 47 anos, é apontado como responsável pelo apoio logístico à ação criminosa e já está custodiado na PAMC; e as diligências para localizar e prender J.B.R.,de 36 anos. – Fotos: Ascom | PCRR

A PCRR (Polícia Civil de Roraima), por meio do 2º DP (Distrito Policial), deflagrou nas primeiras horas desta segunda-feira, 19, a Operação Chronos, que cumpriu seis mandados judiciais, sendo três de prisão preventiva e três de busca e apreensão, contra investigados por um roubo à mão armada praticado em 2 de setembro de 2026, em um estabelecimento comercial de Boa Vista. A ação resultou na prisão de um dos suspeitos. Outro investigado, que já estava custodiado no sistema prisional, foi formalmente cientificado da nova ordem de prisão preventiva. O terceiro não foi localizado e segue sendo procurado.

A Operação Chronos foi coordenada pelo delegado titular do 2º Distrito Policial, Vinícius do Vale Oliveira, responsável pela condução das investigações que reuniram imagens de câmeras de segurança, depoimentos, reconhecimentos formais e relatórios de monitoramento eletrônico. Os elementos apurados indicaram que os três investigados, que utilizavam tornozeleiras eletrônicas à época dos fatos, teriam recorrido a mecanismos para bloquear ou interromper o sinal dos equipamentos em períodos compatíveis com a execução do roubo.

O crime ocorreu por volta das 12h30 do dia 2 de setembro, quando o proprietário do estabelecimento chegou ao local e encontrou dois homens que haviam ingressado no imóvel sob o pretexto de buscar uma encomenda. Conforme a investigação, após acessarem as dependências internas, os suspeitos anunciaram o assalto e, portando armas de fogo aparentemente do tipo revólver, ameaçaram o proprietário e as funcionárias presentes.

Durante a ação, foram subtraídos aproximadamente R$ 11 mil em dinheiro, uma pulseira de ouro avaliada em R$ 50 mil, um relógio e o celular de uma funcionária. Para dificultar a identificação e retardar a chegada da polícia, os criminosos teriam arrancado os fios do sistema de câmeras de segurança e trancado as vítimas em uma sala antes de fugir.

Apesar da tentativa dos criminosos de comprometer o sistema de segurança do estabelecimento, os investigadores da PCRR conseguiram reunir imagens do circuito interno e de câmeras instaladas nas proximidades. A análise permitiu identificar características dos suspeitos e apontar a utilização de um veículo Volkswagen Fox branco como apoio à ação criminosa.

As diligências também identificaram possíveis vínculos entre os investigados e o automóvel utilizado. Relatórios do CME (Centro de Monitoramento Eletrônico), vinculado à SEJUC (Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania), registraram interrupções ou anomalias nos sinais das tornozeleiras eletrônicas dos três homens em períodos compatíveis com a ocorrência.

Um dos investigados, identificado como sendo N.J.M.A., de 47 anos, é apontado como responsável pelo apoio logístico à ação criminosa. No dia do roubo, policiais militares localizaram um Volkswagen Fox branco em uma oficina mecânica no bairro Araceli. No estabelecimento, também foi encontrada uma placa pertencente a outro veículo, que, segundo a investigação, teria sido utilizada para mascarar a identificação do automóvel.

A proprietária da oficina e o responsável pelo estabelecimento informaram que o investigado trabalhava no local e havia solicitado o empréstimo do veículo entre 12h e 14h, período coincidente com o roubo. O relatório do CME também registrou bloqueio do sinal da tornozeleira eletrônica nesse intervalo. Intimado a prestar esclarecimentos, ele permaneceu em silêncio.

O segundo investigado, identificado como sendo J.B.R., de 36 anos, foi formalmente reconhecido por duas funcionárias que estavam no estabelecimento durante o assalto, conforme os procedimentos de reconhecimento fotográfico registrados no inquérito policial. Os dados do monitoramento eletrônico apontaram uma anomalia compatível com bloqueio do sinal da tornozeleira entre 12h40 e 14h31 do dia do crime.

O terceiro investigado, F.A.W., de 26 anos, foi reconhecido por uma funcionária que presenciou o roubo. Segundo a investigação, ele possui reincidência específica em crimes de roubo. O relatório do monitoramento eletrônico registrou interrupção ou bloqueio do sinal de seu equipamento entre 10h55 e 17h44 da mesma data. Durante o interrogatório policial, ele confessou a prática do crime.

Com base nos elementos reunidos, o delegado Vinícius do Vale Oliveira, representou judicialmente pela prisão preventiva dos três investigados, considerando os indícios de participação no crime, o emprego de armas de fogo, a atuação conjunta e a restrição da liberdade das vítimas.

Também foram solicitados mandados de busca e apreensão nos endereços vinculados aos suspeitos e autorização para as providências legais necessárias à análise de celulares e de outros dispositivos eletrônicos eventualmente apreendidos.

As medidas foram autorizadas pelo Poder Judiciário e cumpridas pelas equipes do 2º Distrito Policial durante a Operação Chronos.

Durante a operação, F.A.W. foi preso em cumprimento ao mandado de prisão preventiva. Na residência dele, os policiais também cumpriram mandado de busca e apreensão e recolheram um aparelho celular, uma porção de substância semelhante à maconha e um par de óculos que, conforme a hipótese investigativa, pode apresentar características compatíveis com o acessório utilizado durante o roubo. Os materiais serão submetidos a perícia.

O investigado N.J.M.A. já estava custodiado na PAMC (Penitenciária Agrícola de Monte Cristo). A equipe policial cumpriu o mandado de busca e apreensão em sua residência, no bairro Raiar do Sol. Em seguida, os policiais foram até a unidade prisional, onde deram ciência formal ao investigado da nova ordem de prisão preventiva expedida no âmbito do caso.

O investigado J.B.R. não foi localizado e é considerado foragido. Os policiais cumpriram o mandado de busca e apreensão em sua residência, no bairro Cidade Satélite, mas o suspeito não estava no imóvel. Informações obtidas durante as diligências indicam que o investigado pode ter fugido para uma região de garimpo. O equipamento de monitoramento eletrônico vinculado a ele está sem sinal desde 3 de outubro de 2026.

Segundo o delegado Vinícius do Vale, as diligências para localizar e prender J.B.R., permanecem.

“Os materiais e dispositivos eletrônicos apreendidos serão submetidos à análise técnica, observadas as autorizações judiciais pertinentes, para contribuir com o esclarecimento dos fatos e a identificação de eventuais elementos adicionais de prova”, afirmou.

O nome da Operação Chronos faz referência ao sistema de monitoramento eletrônico ao qual os investigados estavam submetidos à época do crime. A investigação identificou interrupções e bloqueios nos sinais das tornozeleiras eletrônicas em períodos compatíveis com a prática do roubo, elemento que contribuiu para o avanço das apurações.

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