
A ciência que, por muito tempo pareceu distante da realidade de muitas estudantes da rede pública, começa a ganhar novos rostos, vozes e histórias dentro das escolas de Roraima.
Por meio de iniciativas que unem educação básica, universidade e pesquisa científica, meninas passam a ocupar espaços de protagonismo e a enxergar novos caminhos possíveis para o futuro.
A Seed (Secretaria de Educação e Desporto) tem incentivado assiduamente a participação de estudantes em iniciativas de iniciação científica. Os frutos já são colhidos, mantendo o protagonismo estudantil e feminino em destaque no âmbito acadêmico.
Na Escola Estadual em Tempo Integral Professora Maria das Dores Brasil, em Boa Vista, esse movimento se fortalece com a aprovação da terceira edição do projeto de iniciação científica “Meninas Cientistas do Lavrado”, desenvolvido em parceria com a Uerr (Universidade Estadual de Roraima) e aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O projeto tem como foco o protagonismo feminino na ciência, promovendo vivências práticas de pesquisa por meio de oficinas científicas, atividades em laboratório, montagem de torres aeropônicas, coleta e análise de dados e culminância com apresentação pública dos resultados.
Nesta edição, três alunas da escola foram selecionadas para representar a unidade de ensino: Marta Ribeiro Valentim, Juliana da Silva Menezes e Tais Ribeiro Santana. Para elas, participar do projeto significa ir além da sala de aula e vivenciar, na prática, o fazer científico.
“Essa experiência está sendo incrivelmente enriquecedora, pois permite vivenciar a ciência na prática e entender que a pesquisa vai muito além da teoria. Sou imensamente grata por essa oportunidade, que tem um impacto significativo na minha formação e futuro acadêmico”, relata Marta, ao falar sobre a experiência de aproximação com o ambiente universitário.
Formação científica com acolhimento e prática
O projeto é coordenado pelo professor Luís José de Oliveira Geraldes Primeiro, pesquisador responsável pela iniciativa intitulada “Meninas Cientistas do Lavrado: aeroponia como prática de agricultura familiar urbana sustentável no contexto escolar”.
A proposta do projeto articula ciência, sustentabilidade e educação, conectando o conhecimento acadêmico ao cotidiano das estudantes.
As atividades contam com uma equipe de pesquisadores-monitores, que acompanham diretamente as alunas nas ações formativas, oficinas e práticas laboratoriais.
O projeto também é fortalecido pela atuação de pesquisadores-colaboradores da própria escola Maria das Dores Brasil, além de pesquisadores-colaboradores da Uerr.
Segundo o coordenador, a proposta vai além da iniciação científica.
“É muito significativo poder construir esse trabalho unindo a educação básica e a universidade, com apoio de professores pesquisadores, colegas da escola e da Uerr, que hoje oferecem estrutura e conhecimento e acompanhamento científico para essas estudantes”, destaca.
Futuras Cientistas: programa nacional amplia horizontes em Roraima

Outro destaque é a participação do Colégio Estadual Militarizado Fernando Grangeiro de Menezes, no Programa Futuras Cientistas, uma iniciativa nacional criada em 2012 pelo CNPq, em parceria com o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), com o objetivo de estimular meninas e jovens mulheres a seguirem carreiras nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).
O resultado preliminar da seleção foi divulgado recentemente, contemplando estudantes da segunda série do ensino médio: Izabela Xavier e Nicolly Alana Vasconcelos.
“Estou envolvida em um projeto incrível focado na estabilidade térmica do litscrew por meio de testes de aero com imagens digitais. É uma experiência enriquecedora que permite desenvolver habilidades em pesquisa, análise de dados e processamento de imagens. Além disso, mostra como a tecnologia pode ser aplicada para melhorar a qualidade e segurança dos alimentos”, disse Izabela, estudante do Colégio Fernando Grangeiro de Menezes.
Em Roraima, o programa é coordenado pelo professor Wilson Botelho, da UFRR (Universidade Federal de Roraima). As estudantes desenvolveram o projeto “Estabilidade térmica de leite cru por meio do teste de alizarol”.
“A Nicole e a Isabella têm demonstrado um interesse notável e comprometimento exemplar ao longo das duas semanas de projeto. Nossa expectativa é que, ao final desse trabalho, elas tenham desenvolvido habilidades valiosas em ciência e tecnologia e, quem sabe, sejam inspiradas a seguir carreira nessa área”, disse o coordenador.


