Da costura aos tequeños: empreendedora venezuelana busca novos caminhos em trilha de empreendedorismo

Capacitação reúne migrantes e refugiados em cinco oficinas sobre gestão, finanças, vendas e desenvolvimento de negócios promovido pelo Sebrae. – Foto: Ascom | Sebrae-RR

Há três anos, quando chegou a Boa Vista, a venezuelana Yasmery Nakarith Atencio, de 50 anos, trouxe na bagagem uma profissão que já exercia há décadas: a costura. Indígena da etnia Wayuu, encontrou na máquina de costura uma forma de trabalhar e garantir renda. Mas, neste ano, decidiu experimentar um novo caminho.

Desde março, Yasmery também produz tequeños, tradicional comida venezuelana feita com massa e recheio de queijo. O produto é preparado, embalado em bandejas com 20 unidades e vendido pronto para o cliente fritar, principalmente para festas e encomendas.

Segundo ela, a nova atividade surgiu da necessidade de buscar alternativas para gerar renda e se adaptar à vida como imigrante. Também conta que a ideia também foi uma oportunidade de colocar em prática conhecimentos que já tinha e aprender outros para estruturar o novo negócio.

“Como imigrante, a gente tem que buscar uma forma de sobreviver. A gente mora aqui de aluguel, tem que pagar, tem que buscar uma forma de sobreviver. Então essa é uma nova ideia que eu digo que veio da parte de Deus, que me deu para eu poder empreender”, relata.

Foi justamente a busca por conhecimento que levou Yasmery à Trilha de Empreendedorismo, realizada pelo Sebrae Roraima em parceria com o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR). Durante a semana, ela e outros participantes têm acesso a conteúdos que podem ajudar a transformar ideias e atividades que já desenvolvem em negócios mais organizados.

Yasmery soube da capacitação por meio de grupos de comunicação e decidiu participar para buscar conhecimentos que pudessem ajudar na estruturação do novo negócio

“Através dos grupos, eu soube da oficina e pensei: vou buscar esse conhecimento para o meu novo empreendimento de tequeños. São coisas que já aprendi anteriormente, mas é sempre bom relembrar para melhorar o negócio. Estou aprendendo sobre a parte financeira e também sobre estratégias para vender. São muitos conhecimentos que realmente valem a pena”, afirma.

Conhecimento para fortalecer pequenos negócios

A Trilha de Empreendedorismo reúne 25 participantes migrantes e refugiados em uma programação de cinco oficinas, com quatro horas de duração cada. As atividades seguem até sexta-feira (25) e trabalham diferentes etapas da construção e do desenvolvimento de um negócio.

De acordo com a analista da Unidade de Políticas Públicas e de Desenvolvimento Territorial (uppdt) do Sebrae Roraima, Keitiane Costa, a proposta é trabalhar tanto os conceitos quanto situações práticas do dia a dia dos empreendedores.

“É para levar o conhecimento do imigrante, desde o início do negócio, de como nasce o seu negócio, até o desenvolvimento financeiro e mesmo do empreendedorismo. Temos uma jornada no decorrer da semana para concluir a metodologia daquele pequeno negócio, até o desenvolvimento e crescimento, não só pessoal como profissional também”, explica.

A programação começou com a metodologia Canvas e segue com temas como educação financeira, precificação de produtos e serviços, atendimento ao cliente e marketing. O conteúdo também foi adaptado para facilitar a participação do público migrante.

Parceria

Para a coordenadora de projetos do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR), Thaisa Cristina Girão Freitas, a capacitação representa uma oportunidade de fortalecer conhecimentos e experiências que os próprios participantes já carregam.

“Percebemos que muitas das pessoas atendidas têm interesse em empreender, gerar renda e desenvolver novas habilidades. Trazer essa capacitação é uma forma de aproximá-las de conhecimentos e oportunidades que podem contribuir para sua autonomia”, afirma.

Segundo Thaisa, muitas pessoas migrantes chegam ao Brasil trazendo experiências profissionais, conhecimentos e habilidades que podem ser desenvolvidos em novas oportunidades.

“Muitas pessoas migrantes já chegam com experiências, conhecimentos e habilidades, e nosso papel também é criar oportunidades para que possam fortalecer essas capacidades e construir seus próprios caminhos no Brasil”, completa.

Veja também

Topo