Educação e Prevenção: projeto da ALERR orienta estudantes sobre violência e riscos no ambiente virtual

Durante uma semana, a comunidade escolar do CEM Professora Wanda David Aguiar recebeu orientações sobre tráfico de pessoas e segurança na internet. – Fotos: Eduardo Andrade | SupCom/ALERR

Estudantes do Colégio Estadual Militarizado Professora Wanda David Aguiar, localizado no bairro Raiar do Sol, participaram, nesta sexta-feira, 11, do encerramento da 66ª edição do projeto Educar é Prevenir, desenvolvido pelo Programa de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (PDDHC) da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR). A iniciativa leva informação e orientação às escolas para ajudar crianças e adolescentes a identificar e denunciar situações de violência ou buscar apoio.

Durante a programação, foram abordados temas como abuso sexual, tráfico de pessoas e violência virtual, com atenção aos riscos presentes nas redes sociais, nos jogos online e em falsas promessas de oportunidades. As atividades também incentivaram os estudantes a compartilhar informações e procurar adultos ou instituições de confiança diante de situações suspeitas.

O diretor do projeto, Glauber Batista, destaca a importância da prevenção e do acolhimento no ambiente escolar.

O diretor do projeto Educar é Prevenir, Glauber Batista, explicou que o retorno à escola reforça o trabalho de prevenção e amplia o diálogo com a comunidade escolar. Ao longo da semana, líderes, vice-líderes, professores e funcionários participaram de atividades de capacitação. A culminância reuniu estudantes e representantes de instituições parceiras.

“A gente estava necessitando dessa demanda da Secretaria de Educação e, prontamente, estamos aqui novamente para renovar e reforçar essas questões, principalmente a violência virtual e a violência contra os adolescentes aqui do nosso estado”, destacou.

De acordo com Glauber, as ações do projeto podem contribuir para que vítimas se sintam mais seguras para relatar situações de violência e buscar ajuda dentro da própria escola.

“Os alunos se sentem mais seguros e se encorajam para falar sobre o que está acontecendo, algo que talvez não falariam em outra oportunidade, dentro da escola ou da própria família. O projeto vem também nesse sentido de levar essas informações e fazer com que eles realmente se sintam acolhidos”, ressaltou.

A coordenadora pedagógica Ana Nogueira ressalta o envolvimento dos estudantes nas atividades de orientação.

Para a coordenadora pedagógica da instituição, Ana Nogueira, a participação dos alunos ao longo da semana mostrou a importância de tratar dos perigos na internet que nem sempre são percebidos pelos adolescentes.

“Apesar de terem acesso a informações na internet, muitas vezes os adolescentes deixam passar despercebidas certas situações. É de suma importância que os alunos saibam identificar o que acontece ao redor deles, tanto em casos de abuso sexual e tráfico de pessoas quanto em relação à internet, porque eles estão sempre na rede e os criminosos também”, alertou.

A assistente social Raquel Brito explica a atuação da Cáritas Diocesana de Roraima na rede de proteção.

Entre os parceiros que participaram da ação estava a assistente social da Cáritas Diocesana de Roraima, Raquel Brito, que detalhou que a instituição atua no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente migrantes, e integra a rede de proteção acionada em casos que envolvem crianças e adolescentes.

“Nós somos parceiros e estamos nesse grupo em todas as escolas. Somos aquela parte do ouvir. Qualquer indicativo, principalmente quando se fala de criança e adolescente, que é o nosso público mais vulnerável. Nós ouvimos e passamos para as equipes responsáveis em solucionar”, explicou.

O professor Bruno Mercês desenvolveu atividades em sala de aula sobre os riscos da violência no ambiente virtual.

Informação que protege

Durante a semana de atividades, estudantes e professores também desenvolveram trabalhos em sala de aula, com cartazes e apresentações sobre situações de risco. Uma delas abordou o caso de um garoto que quase foi sequestrado após receber uma promessa para se tornar jogador profissional de um jogo online. Após tentar viajar para outro estado para encontrar a pessoa que fez a oferta, o menino foi resgatado por um familiar na rodoviária.

O professor de inglês Bruno Mercês contou que utilizou relatos pessoais e materiais do projeto para aproximar o tema da realidade dos alunos. “Através desses relatos, pude fazer com que eles entendessem que isso não acontece somente com alunos, mas também com pessoas que estão na rua, fora da escola ou em qualquer lugar do mundo”, contou.

A estudante Maria Clara Reis compartilha aprendizados sobre segurança na internet e prevenção às violências.

A estudante Maria Clara Reis, de 14 anos, afirmou que as orientações ajudaram a ampliar a atenção para situações suspeitas, principalmente no ambiente virtual e nos jogos online.

“A gente fica mais em alerta e se conscientiza. Não só a gente, mas também outros alunos que podem estar passando por isso na escola e não sabem se é algo normal. Eu também aprendi a ter mais cuidado com a internet e com os jogos, porque, através deles, a gente não sabe realmente quem está do outro lado”, relatou.

A população pode fazer denúncias por meio do Disque 100 ou diretamente em delegacias especializadas. A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) está localizada na Avenida Nazaré Filgueiras, nº 1991, bairro Pintolândia.

Estudantes do CEM Professora Wanda David Aguiar participam da 66ª edição do projeto Educar é Prevenir.

Sobre o projeto

O projeto “Educar é Prevenir” tem como finalidade promover o empoderamento da comunidade escolar, incluindo gestores, corpo discente e docente, servidores efetivos e terceirizados, além da comunidade em geral. A iniciativa promove nas escolas de ensino médio ações de enfrentamento ao tráfico de pessoas e de suas diversas modalidades.

Monica Gizele

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