
A comandante-geral da PMRR (Polícia Militar de Roraima), coronel Valdeane Alves, e a secretária da Sesp (Segurança Pública), Eliane Gonçalves, participaram nesta sexta-feira, 17, do programa Quem é Quem, na Rádio Folha FM, apresentado por Cida Lacerda. Na entrevista conjunta, as duas trataram de assuntos distintos da área de segurança.
A coronel Valdeane Alves detalhou o funcionamento da Operação Escudo Capital, lançada na véspera para reforçar o policiamento em Boa Vista, e explicou que a ação de 96 horas é itinerante e vai avançar por novos bairros da capital a partir da próxima semana. Já a secretária Eliane Gonçalves atualizou as investigações sobre um casal de pastores procurado por abuso sexual de crianças e adolescentes na capital.
A operação dura 96 horas ininterruptas e começou na quinta-feira (16). Segundo a comandante, trata-se de uma ação itinerante, planejada a partir de dados estatísticos que apontam as áreas com maiores índices de determinadas ocorrências, o chamado mapa de calor. Os primeiros bairros atendidos são o Treze de Setembro, o Calungá, o Centro e o São Vicente.
“A gente já identificou alguns pontos vulneráveis, algumas frentes em que a segurança pública precisava ter esse enfrentamento mais emblemático”, afirmou. Ela explicou que o nome da operação remete à ideia de formar um “grande escudo”, a partir dos bairros com maior número de ocorrências.

Foco no crime organizado
De acordo com a coronel, a região dos bairros priorizados tem registrado forte atuação de facções, que buscam se capitalizar e controlar territórios. Ela afirmou que o trabalho é feito em conjunto com órgãos de inteligência e outras instituições, entre elas a Polícia Civil de Roraima, a Polícia Federal, o Ministério Público de Roraima e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
“Jamais iremos compactuar que o crime organizado tome conta do território e que as nossas polícias não intervenham nisso”, declarou.
A comandante ressaltou que a Escudo Capital não substitui o policiamento ordinário, que segue em funcionamento 24 horas. A operação promove uma intensificação, com força-tarefa direcionada aos crimes específicos de cada região.
Ação itinerante e viés comunitário
Valdeane Alves afirmou que a operação passará por avaliações e avançará por novos bairros já a partir da próxima semana, também definidos com base em dados estatísticos. Neste momento, a ação está concentrada na capital.
Além da repressão, a coronel destacou o eixo comunitário. Estão previstas visitas a comerciantes, escolas e lideranças, e o trabalho da Patrulha Maria da Penha, que acompanha mulheres vítimas de violência doméstica e verifica o cumprimento de medidas protetivas.
“O crime acontece dentro da comunidade, e ninguém melhor para saber o que está acontecendo do que quem mora ali”, disse. Segundo a comandante, a aproximação com moradores e comerciantes cria uma via de mão dupla, em que a população também contribui com informações sobre a segurança do bairro.

Sesp busca casal de pastores investigado por abuso sexual de meninas
A secretária da Sesp, Eliane Gonçalves, também participou como entrevistada da rádio e atualizou as informações das investigações sobre um casal de pastores apontado como responsável por abusos sexuais contra crianças e adolescentes em Boa Vista. Os dois são procurados pela polícia.
As apurações começaram em abril deste ano, após duas adolescentes procurarem a delegacia. O caso é conduzido pela Polícia Civil de Roraima, por meio da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, com apoio do Departamento de Inteligência da Sesp. Até o momento, 11 vítimas foram identificadas, todas do sexo feminino, a partir dos 12 anos.
De acordo com a delegada, o casal deixou o estado em direção a Manaus (AM), e a Sesp pediu apoio às polícias Civil e Militar do Amazonas para localizá-los. A igreja fundada pelos investigados, em Roraima, foi fechada. A secretária afirmou que o material já reunido no inquérito é suficiente para embasar a denúncia. “As provas são robustas, temos muitas provas com relação a isso”, disse.
A divulgação das imagens do casal pela imprensa pode ajudar a localizá-los e citou a colaboração da população como decisiva. Denúncias podem ser feitas pelo 190.

