Governo realiza abertura da 1ª edição do Festival Estadual Indígena Anna Eseru

Evento reúne oficinas, apresentações culturais, feira da agricultura familiar indígena e concurso para escolha da Miss Anna Eseru. – Fotos: William Roth

O Governo de Roraima realizou nessa quarta-feira, 16, a abertura oficial da 1ª edição do Festival Estadual Indígena Anna Eseru. O evento cultural é promovido pela Sepi (Secretaria dos Povos Indígenas), em parceria com o Irdesc (Instituto Roraimense de Desenvolvimento Educacional, Social e Cultural). A programação ocorre na sede da Sepi até sexta-feira, 18, com atividades gratuitas e abertas ao público.

O encontro reúne oficinas de artesanato, biojoias, gastronomia, cestaria e grafismo, além de apresentações culturais, feira da agricultura familiar indígena, palestras e escolha da Miss Anna Eseru.

A secretária dos Povos Indígenas, Síria Mota, falou sobre a importância do evento para a reafirmação da identidade cultural indígena roraimense.

“A realização do Festival Anna Eseru em nível estadual é de grande relevância. É o fortalecimento e a valorização da cultura indígena de todos os povos. Esse é um sonho que estamos realizando com todo esse apoio do Governo do Estado, por meio do Instituto, para esse momento tão especial. Temos fazedores de cultura e pessoas que vieram das comunidades indígenas. Isso é uma valorização muito grande. É o incentivo, porque é a nossa história”, ressaltou Síria.

Para o presidente do Instituto Irdesc, Magdiel Araújo, a parceria fomenta não somente a cultura, mas também aquece a economia local.

“O Festival Indígena Anna Eseru é fruto de uma parceria entre a Sepi e o Irdesc. O evento visa valorizar a cultura indígena por meio de apresentações artísticas, como teatro, dança e música, além de artesanato, palestras e oficinas. Além de promover a identidade cultural, o festival fortalece a economia local e a agricultura familiar indígena, servindo como um espaço estratégico para o escoamento de produtos e geração de renda nas comunidades”, contribuiu.

Escolha da Rainha Anna Eseru

A noite de festa reservou ao público presente o concurso que elegeu a Rainha do Festival Estadual Anna Eseru. Também foram escolhidas a Princesa e a Garota Simpatia.

Entre as candidatas estava a jovem Daniele Macedo, do município de Normandia. Ela venceu a disputa e recebeu o título de Rainha do Festival. Para ela, o momento foi de grande emoção.

“Estou muito grata pela conquista e por representar meus antepassados. É um evento para a valorização da cultura indígena e o fomento econômico dos produtos artesanais. Temos disponíveis biojoias, panelas de barro, e o festival ajuda muito”, disse.

Para representar o título de Princesa do Festival, a escolhida foi Cris Hemily, que defendeu a realização de grandes festivais como esse também fora das comunidades.

“Para mim é muito importante. Sabemos que esse é o primeiro evento e eu espero que venham vários outros como esse, principalmente dentro da cidade. Isso porque estamos acostumados a ver um evento lá no interior. Então, temos que trazer isso aqui, de dentro da comunidade, para o pessoal de fora, que não é indígena, ver e saber valorizar a cultura indígena”, reforçou.

Já a conquista da faixa de Garota Simpatia ficou com Ariane Melquió. Ela destacou sua participação e a importância da valorização da cultura indígena.

“É um acontecimento muito importante, pois, além de elevar a cultura, vemos várias pessoas de outras etnias e temos a oportunidade de conhecer um pouco de cada uma. Eu acho que, além de agregar, tanto de um lado como do outro, a gente leva como aprendizagem a cultura indígena. Cada um tem sua identidade, e a gente tem a chance de levar ainda mais a nossa cultura para qualquer lugar”, afirmou.

Apresentações culturais

O evento teve ainda apresentações musicais de artistas locais, com a Banda Dubai e Zerbine Araújo. Além disso, contou com a presença do convidado Davi Kopenawa, liderança indígena da etnia Yanomami, conhecido nacional e internacionalmente pela defesa da cultura e dos direitos dos povos indígenas.

O líder iniciou seu discurso falando na língua materna, Yanomami, sobre a necessidade de preservar a cultura indígena e pediu a valorização dos costumes tradicionais das etnias locais.

“É importante para valorizar a nossa cultura, a nossa língua, a nossa sabedoria tradicional e também para valorizarmos a nossa terra-mãe, onde nós nascemos. Precisamos valorizar para manter vivo, para mostrar a nossa fala, a nossa importância para os brancos e para quem nunca ouviu falar a nossa própria língua. O povo indígena de Roraima, da Amazônia e o povo Yanomami falam diferente. A gente sempre mostra para que possam acreditar e também valorizar e respeitar a nossa cultura”, finalizou Davi.

Wesley Oliveira

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