
O judô roraimense segue forte revelando novos talentos para a modalidade, na temporada de 2026, a mais nova bola da vez se trata do atleta Heitor Samuel Menezes Borges, de apenas 8 anos de idade, que nasceu e se criou no bairro Silvio Leite, na Zona Leste de Boa Vista.
Autista, Heitor conquistou medalha de prata fora de sua categoria, abrilhantando a primeira edição da Copa Sensei Paulo de Oliveira Ferreira. Ele foi ovacionado pelos colegas da Academia Esporte Futuro, posou com mestres e mostrou a honrosa medalha aos colegas, nesta sexta-feira, 11, em Boa Vista.
Na competição que homenageou o presidente da maior entidade de judocas macuxis, o atleta Heitor venceu duas lutas e chegou na final e selou a prata.

“A medalha de prata significa que tenho potencial de subir degrau. Eu vou treinar mais para na próxima eu derrubar todo mundo e ganhar”, destacou o pequeno Heitor Samuel.
Faixa cinza e aluno dos senseis e mestres Brenda Lima e Vitor Uchôa, a nova revelação Heitor Samuel defende as cores da academia Esporte Futuro, vindo como prata da casa da Academia Assembleia Legislativa e descoberta pelo sensei e mestre Pantoja.
“Prova de fogo, importante para ele ver que valeu a pena cada treino, cada “puxão de orelha” e que tudo foi resultado de muito treino e dedicação, onde ele se esforçou bastante para aprender mais as técnicas, ter mais controle dos impulsos e se concentrar mais no momento e esquecer os barulhos externos (pois ele se distrai fácil)”, destacou a sensei Brenda Lima.

O judoca Heitor Samuel se dedica aos treinamentos duas vezes por semana, com duas diárias de atividades. Ele cursa o 3° ano na Escola Nara Ney, sempre sendo aluno referência, com notas boas, se alinhando à exigência do judô, que sempre cobra o foco nos estudos.
Os atletas que Heitor é fã, são os atletas locais que o garoto passou a espelhar, nos golpes e movimentos.
“Quero aprender a lutar igual o Thiago, filho da sensei Brenda, e também admiro muito meu amigo de treino Kayque, quero ser igual a eles”, destacou Heitor.
Superação total
O judoca Heitor Samuel começou quando tinha 5 anos de idade e a mãe Maria queria que ele fizesse algum esporte, na época o judoca não tinha laudo ainda e era o único esporte que aceitava a idade de Heitor no projeto. Os psicólogos contratados pela família recomendaram o judô, após constatar depressão, laudo de autismo, TEA e TDAH. A mãe do atleta, Adriana Borges conta a história de superação.
“Tentamos jiu-jitsu, mas ele não gostou e não respeitava o professor, então foi para o judô com Pantoja e amou, foi lá que recebeu o apelido que gosta muito ‘cara de pau’. Logo o sensei saiu do projeto e ele não conseguiu continuar com a outra professora. Então tiramos ele de lá e tentamos atletismo, jiu-jitsu de novo, karatê, mas nada funcionava, pois os professores não conseguiam lhe dar com ele e ele ficava muito agitado nas aulas. Então levamos para o judô da Vila Olímpica, com a Sensei Brenda (como última tentativa) e para nossa surpresa na primeira semana ele se comportou, respeitou ela e seguiu as regras e que não era para me preocupar, que ela iria ajudar ele”, disse a mãe Adriana Borges.

Passou pelo judô da Assembleia Legislativa, Vila Olímpica, até se firmar com a sensei Brenda Lima, que tem lapidado esses atletas promissoes.
“Nossa rotina mudou por completo e tivemos que tirar do judô por uns meses, foi quando conhecemos e conseguimos entrar no projeto Esporte Futuro e notamos que com o judô ele conseguiu ficar mais centrado, respeita as regras, hierarquias, as vezes tem uns deslizes quando desregula, mas logo se recupera com o manejo correto. Ele tem a sensei Brenda como mãe”, disse Maria da Silva.

