Leilão de R$ 7 bilhões abre disputa por projetos de minerais críticos

Ex-ministro de Michel Temer afirma que pesquisas realizadas no estado precisam chegar às carteiras de investimento dos bancos vencedores. – Foto: Ascom Parlamentar

O anúncio de que o quinto leilão do Eco Invest Brasil deverá mobilizar R$ 7 bilhões para projetos de minerais críticos e terras raras abriu uma nova disputa por investimentos no país. Para o ex-ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, do governo de Michel Temer, Marcos Jorge (Republicanos), o estado de Roraima precisa agir para transformar seu potencial mineral e as pesquisas já realizadas no estado em projetos capazes de disputar esses recursos.

Diferentemente de um leilão de áreas minerais, o processo não escolheu estados, jazidas ou empreendimentos específicos. O Governo Federal selecionou instituições financeiras, que apresentaram propostas para mobilizar capital privado e estruturar fundos e operações de crédito. Caberá aos bancos vencedores formar as carteiras e selecionar os projetos que receberão os investimentos.

Nesse modelo, Roraima não foi excluído do leilão, mas também não possui recursos garantidos.

“Roraima possui uma riqueza mineral enorme. As pesquisas já apontam altos teores de terras raras e a presença de outros minerais estratégicos. Não podemos permitir que esse potencial seja ignorado justamente quando o país começa a mobilizar bilhões para o setor. Roraima precisa participar desses investimentos, da tecnologia e dos empregos que serão gerados.”, declarou Marcos Jorge.

Em Caracaraí, as pesquisas no Complexo Mineral Barreira são conduzidas pelo proprietário e pesquisador Lucérgio Barreira, em parceria com equipes da Universidade Federal de Roraima e da Universidade de São Paulo. Em fórum realizado em Boa Vista, Lucérgio classificou o trabalho como a primeira pesquisa de terras raras desenvolvida no estado. O diretor do Instituto de Geociências da UFRR, professor Vladimir de Souza, destacou que “tudo começa com a pesquisa, começa lá na universidade”. Os estudos buscam identificar as ocorrências minerais e desenvolver tecnologias de extração, separação e beneficiamento.

Os resultados divulgados até agora apontam a presença de minerais estratégicos e justificam o aprofundamento dos estudos. Para Marcos Jorge, essa característica abre uma oportunidade concreta para que universidades, pesquisadores, empresas e órgãos públicos de Roraima construam uma proposta tecnicamente consistente e iniciem a interlocução com as instituições financeiras vencedoras.

“Roraima não está pedindo privilégio nem dinheiro sem projeto. Está reivindicando o direito de apresentar seu potencial, ser avaliado com critérios técnicos e participar da construção dessa nova cadeia econômica. Temos pesquisa em andamento, conhecimento local e instituições capazes de contribuir”, afirmou.

O ex-ministro defende que os investimentos não se limitem à retirada da matéria-prima. Segundo ele, a estratégia precisa contemplar pesquisa, formação profissional, desenvolvimento tecnológico e agregação de valor dentro do próprio estado.

“Se a riqueza estiver no Norte, mas todo o conhecimento, a indústria e os empregos qualificados forem levados para outras regiões, o Brasil poderá reduzir uma dependência externa repetindo uma desigualdade interna. Roraima precisa participar não apenas da extração, mas da ciência, da tecnologia e da geração de oportunidades”, disse.

As terras raras formam um grupo de 17 elementos empregados em equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas, motores elétricos, satélites, equipamentos médicos e sistemas de defesa.

Para Marcos Jorge, o momento exige organização e rapidez para que Roraima não chegue atrasado à fase de seleção dos projetos.

“Os recursos foram anunciados e os bancos começarão a montar suas carteiras. É agora que Roraima precisa ocupar esse debate. Potencial guardado no subsolo não gera desenvolvimento. Pesquisa, tecnologia, planejamento e investimento é que transformam riqueza mineral em emprego e futuro”, concluiu.

Sobre

Marcos Jorge foi ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, é deputado estadual por Roraima pelo Republicanos. Também exerceu funções nas áreas de planejamento, desenvolvimento e gestão pública.

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