
Depois de cinco dias de imersão, desafios e mudanças de perspectiva, a terceira edição do Empretec para Refugiados terminou na última sexta-feira, 19, em Boa Vista. Promovido pelo Sebrae Roraima em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) e com apoio da Universidade Federal de Roraima (UFRR), o seminário foi concluído pelos 20 participantes que iniciaram a jornada de desenvolvimento das características empreendedoras.
Entre eles estava a venezuelana Vanessa Villegas, empreendedora e proprietária da escola de idiomas Entre Línguas. Ela conta que chegou ao Empretec em busca de ferramentas para fortalecer o negócio, mas terminou a capacitação com uma nova visão sobre si mesma.
“O maior desafio foi vencer a mim mesma, superar as limitações e as estruturas que eu tinha na minha mente. Aprendi a estabelecer metas, a me planejar e a enxergar meu negócio de outra forma. A experiência superou todas as minhas expectativas”, afirmou.
Empreendedorismo para reconstruir caminhos
Para o associado de Integração da Acnur, Leandro Mendes, o encerramento da terceira edição representa mais um passo na estratégia de fortalecimento da autonomia de pessoas refugiadas em Roraima.
Segundo ele, os participantes concluíram a capacitação, entre empreendedores, indígenas e lideranças de organizações formadas por refugiados.
“O Empretec oferece uma oportunidade para que essas pessoas fortaleçam seus negócios ou coloquem em prática suas ideias. Nosso objetivo é contribuir para a autonomia e a inserção socioeconômica dessa população”, destacou.
Leandro lembrou que os resultados das edições anteriores mostram o impacto da iniciativa. Entre os exemplos estão refugiados que expandiram negócios nas áreas de alimentação e costura após participarem do seminário. Ele ressaltou que a parceria entre Acnur e Sebrae vai além do Empretec, com outras ações voltadas à qualificação e ao fortalecimento da autonomia econômica de refugiados e migrantes no estado.
Cinco dias de desafios e transformação
O facilitador Jeancarlo Kohler destacou que a diversidade da turma foi um dos principais diferenciais desta edição. Segundo ele, a convivência entre refugiados, indígenas e participantes com diferentes histórias de vida tornou a experiência ainda mais enriquecedora.
“Tivemos uma pluralidade muito grande na sala, com refugiados, indígenas e pessoas de diferentes trajetórias. Foi uma semana de muita troca e intensidade. Vimos participantes que chegaram sem expectativa nenhuma e terminaram completamente envolvidos com a metodologia. O Empretec promove uma mudança de comportamento e de mentalidade capaz de transformar a realidade das pessoas”, afirmou.
Social media e videomaker, Carmen Alejandra também participou da capacitação para fortalecer o próprio negócio. Ela trabalha de forma autônoma produzindo conteúdo para empresas e disse que saiu da imersão com uma nova percepção sobre o empreendedorismo.
“Eu sabia que precisava aprender os comportamentos empreendedores, embora nem soubesse que eles tinham esse nome. Hoje me sinto preparada para levar minha empresa para outro nível. Antes eu não me enxergava tanto como empreendedora. Agora, sim”, contou.
Durante a semana, Carmen conciliou a rotina intensa do seminário com o trabalho e a maternidade. Segundo ela, esse foi um dos maiores desafios da experiência.
“Cheguei a acordar às duas da manhã para terminar trabalhos e dormi apenas três horas por noite. Também saí da minha zona de conforto para vender presencialmente um e-book que eu criei, porque meu trabalho é todo pela internet. O Empretec não é só para a empresa, é para o crescimento pessoal. Eu realmente me superei”, afirmou.
A coordenadora estadual do Empretec, Núbia Ribeiro, destacou que a iniciativa também evidencia o compromisso do Sebrae com a inclusão produtiva de refugiados e migrantes.
“O Empretec para Refugiados mostra esse lado social do Sebrae. É uma oportunidade para que essas pessoas descubram ainda mais o seu potencial e coloquem em prática suas ideias. Tivemos uma turma muito especial, inclusive com participantes indígenas, que demonstraram um enorme potencial durante a capacitação. O Empretec traz não apenas o empreendedorismo, mas também desenvolvimento, geração de emprego, renda e crescimento”, afirmou.


