
A arte produzida em Roraima está ultrapassando fronteiras e conquistando novos espaços na educação brasileira. A obra “Cruviana – O Encantamento”, da jovem artista plástica e artesã roraimense Alícia Bianca Fernandes Silva, de 20 anos, foi escolhida como referência artística e cultural no projeto escolar “Arte em Movimento: Arte, rios, cachoeiras e poesia, o melhor do Brasil em 200 dias”, desenvolvido com alunos do 1º ano A da Escola Municipal de Tempo Integral Dona Venância Magalhães Cotrim, em Itumbiara, Goiás.
Acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Alícia teve sua produção reconhecida pela instituição de ensino, que selecionou uma de suas obras para desenvolver atividades pedagógicas com as crianças. A iniciativa surgiu após a coordenadora Maria Bárbara Gonçalves, entrar em contato com a artista por meio das redes sociais e solicitar autorização para trabalhar em sala de aula a obra “Cruviana – O encantamento”.

O projeto desenvolvido pela profa. Silva Keit, com a coordenação Maria Bárbara Gonçalves e direção de Viviane Horta. O projeto busca aproximar os estudantes da cultura roraimense por meio da arte, incentivando a criatividade, a expressão artística e o conhecimento sobre as lendas e tradições da região Norte.
Inspiradas na obra, as crianças produziram suas próprias interpretações da obra, estabelecendo uma conexão entre o universo artístico e o imaginário cultural amazônico.
“Fiquei feliz e grata por ver minha arte chegar tão longe e, principalmente, ganhar novas interpretações pelas mãos das crianças de Itumbiara, em Goiás. Ver os alunos produzindo suas próprias obras inspiradas em uma criação minha que retrata uma das lendas da nossa região amazônica, é algo extremamente gratificante”, destaca Alícia.

A artista também ressalta a importância de despertar nas novas gerações o interesse pela diversidade cultural brasileira.
“Fico emocionada em perceber o interesse e a empolgação das crianças em conhecer as lendas, as histórias e a riqueza cultural que existem em Roraima. Isso mostra que a arte tem esse poder de romper fronteiras, conectar pessoas e levar um pouco da nossa identidade para lugares distantes”, comenta.
Para Alícia, representar Roraima por meio de sua produção artística é motivo de orgulho e também uma forma de contribuir para que a cultura regional seja reconhecida em outras partes do país.
“Roraima é um estado de imensa beleza, tradição e diversidade cultural, e poder contribuir para que tudo isso seja conhecido em outras partes do Brasil é uma alegria enorme. Sinto muito orgulho de ser roraimense e de poder, por meio da minha arte, ser uma voz que apresenta um pouquinho da nossa terra ao país”, conclui.
Quem é Alícia Bianca
Alícia Bianca é artista plástica e artesã roraimense, reconhecida como uma das vozes mais expressivas da arte contemporânea do estado, destacando-se pela precocidade e pelo forte vínculo com a identidade regional. Sua trajetória artística iniciou aos 12 anos, utilizando a arte como forma de terapia e expressão pessoal. Atualmente é acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Roraima – UFRR.
Seu trabalho é predominantemente desenvolvido à mão livre, utilizando múltiplas técnicas que revelam sensibilidade narrativa e forte relação com as estéticas amazônicas. A artista inspira-se na musicalidade regional do Trio Roraimeira e nos pontos turísticos, símbolos culturais e paisagens de Roraima, que permeiam sua poética visual.

Ao longo de sua trajetória, conquistou 19 premiações em concursos de desenho nos âmbitos regional, nacional (São Paulo e Rio de Janeiro) e internacional (Portugal e Itália). Sua produção também dialoga com o campo editorial é autora da ilustração da capa do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de Roraima, com versões em português e espanhol, além de ilustrar capa de livro de ficção e materiais editoriais diversos, ampliando o alcance social, educativo e cultural de sua produção artística.
Em 2025, realizou a mostra itinerante Identidade e Cultura: Roraima e suas Singularidades, apresentada em instituições como a Galeria Franco Melchiorri (Sesc-RR Mecejana) e o Centro de Memória e Cultura do Tribunal de Justiça de Roraima. No mesmo ano, tornou-se a mais jovem imortal da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia, ocupando a cadeira nº 329, e recebeu a Comenda Honorífica Pena de Ouro na categoria Criação Cultural e Artística, em reconhecimento à relevância de sua contribuição cultural, em Manaus-AM.
Em 2026, obteve destaque nacional ao ser a única artista roraimense selecionada no chamamento Arte Amazônia e seus Povos, promovido pela organização Artigo 19, com a obra A ferida de Kopenawa. No mesmo período, foi homenageada pela Assembleia Legislativa de Roraima na exposição Mulheres que inspiram e recebeu Diploma de Honra ao Mérito em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à literatura, à arte e à cultura, contribuindo para o engrandecimento e a valorização da cultura amazônica no Brasil, em Manaus-AM.
Sua trajetória tem sido utilizada como referência pedagógica em diferentes municípios do estado de Roraima e nos cursos universitários, evidenciando seu papel como agente cultural transformadora.
Sua produção, além de premiada, alcançou novos espaços ao integrar a 1ª Bienal da Arquitetura Brasileira, realizada em São Paulo, reafirmando o papel central de sua obra na construção e valorização das narrativas amazônicas contemporâneas.

