PCRR apresenta estudo sobre suicídios em Roraima e identifica perfis e regiões para prevenção

Levantamento coordenado pela delegada Miriam Di Manso analisou 431 registros. Homens representam 76,3% dos casos e pessoas de 16 a 25 anos correspondem a 30,4% da amostra. – Fotos: Daniel Hebron e Larissa Petranski

A PCRR (Polícia Civil de Roraima) apresentou, durante a campanha Setembro Amarelo, um estudo sobre os registros de suicídios consumados no Estado. Coordenado pela delegada Miriam Di Manso, diretora do DHPP (Departamento e Homicídios e Proteção à Pessoa, o levantamento analisou.431 registros entre 2020 e 2025 e de janeiro a julho de 2026, com base em informações dos registros policiais.

O estudo foi apresentado nessa quinta-feira, 24, na sede da Delegacia-Geral, durante reunião com a delegada-geral da PCRR, Simone Arruda, e representantes de áreas relacionadas à investigação e à produção de informações. A análise busca identificar perfis, territórios e características que possam subsidiar ações de prevenção e proteção à vida, como explica a delegada Miriam.

“Quando analisamos os casos de forma conjunta, conseguimos identificar padrões que não aparecem quando cada ocorrência é observada isoladamente. O estudo permite conhecer perfis, territórios e características que podem contribuir para que as instituições responsáveis pela prevenção direcionem melhor suas ações”, explicou.

Dados do levantamento

Dos 431 registros analisados, 52 foram registrados em 2020, 62 em 2021, 54 em 2022, 67 em 2023, 73 em 2024 e 77 em 2025. Entre os anos completos analisados, 2025 apresentou o maior número de registros.

Entre janeiro e 24 de julho de 2026, foram registrados 46 casos. O dado é parcial e corresponde aos primeiros sete meses do ano. Foram 23 casos em Boa Vista e 23 nos demais municípios.

Os homens representam 76,3% dos registros: são 329 casos, contra 97 envolvendo mulheres. Em cinco registros, não havia informação sobre o sexo.

A faixa de 16 a 25 anos reúne 131 registros, sendo 65 entre pessoas de 16 a 20 anos e 66 entre 21 e 25 anos. O número corresponde a 30,4% da amostra. Pessoas com 61 anos ou mais somam 46 registros, ou 10,7%

Distribuição territorial

Dos 431 casos analisados, 272 ocorreram em Boa Vista, equivalente a 63,1%, e 159 nos demais municípios, correspondendo a 36,9%.

No interior, os maiores números foram registrados em Normandia (25), Pacaraima (21), Rorainópolis, Bonfim (18), Alto Alegre (17) e Caracaraí (16). Em 2025, foram 38 casos em Boa Vista e 39 nos demais municípios.

Considerando os parâmetros populacionais utilizados no levantamento, a taxa de 2025 foi de 10,4 casos por 100 mil habitantes em Roraima. Em Boa Vista, foram 7,8 casos por 100 mil, enquanto os demais municípios, conjuntamente, registraram 15,4. Entre a população indígena, a taxa foi de 16,4 casos por 100 mil habitantes.

Contextos registrados

Os registros apresentaram diferentes contextos nas narrativas, entre eles, conflitos familiares, rompimentos conjugais, violência e abuso, uso de álcool e drogas, desemprego, dificuldades financeira, tristeza, solidão, isolamento, perdas, bullying e cyberbullying, além de registros de ideação suicida ou ameaças anteriores.

Apesar disso, a delegada Miriam ressalta que o suicídio é um fenômeno complexo e os dados não permitem estabelecer, isoladamente, uma causa para os casos.

“O estudo não tem a pretensão de estabelecer uma causa para os casos analisados. Os registros podem apontar contextos e situações de vulnerabilidade que precisam ser considerados, mas não permitem, isoladamente, determinar o que levou cada pessoa a essa situação”, explica Miriam.

Encaminhamento dos dados

O estudo será encaminhado ao Conselho Estadual de Segurança Pública e Defesa Social do Estado de Roraima, onde poderá ser discutido com integrantes do sistema de segurança pública e instituições parceiras. A proposta também prevê articulação com áreas como Saúde, Educação e assistência social.

A delegada-geral de PCRR, Simone Arruda, destaca ainda que o propósito do estudo apresentado pela Polícia Civil é o de transformar informações produzidas pela Instituição em conhecimento capaz de ampliar a proteção à vida em Roraima.

“A Polícia Civil está fazendo a sua parte ao analisar os dados e produzir conhecimento, mas a proteção da vida exige a união de diferentes instituições”, afirmou Simone Arruda.

Em situações de risco, a orientação é buscar ajuda profissional e acionar a rede de apoio. O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, em todo o território nacional, 24 horas por dia.

Sandra Lima

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