Pequenos negócios sustentam renda de metade da população e celebram 20 anos da Lei Geral

Sebrae destaca que a legislação, ao beneficiar as MPE, reforça toda a economia nacional. Setor responde por maioria dos empregos gerados no país e representam mais de 96% das empresas ativas. – Fotos: Ascom | Sebrae-RR

No Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, comemorado em 5 de outubro, o setor celebra uma transformação histórica: os 20 anos da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (Lei Complementar nº 123/2006). O Sebrae destaca que o tratamento assegurado pela legislação não beneficia apenas as MPE, mas toda a economia nacional. Com mais de 24 milhões de CNPJs ativos, o segmento representa mais de 96% do total de empresas no Brasil e responde por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Antes de 2006, empreender no Brasil significava enfrentar um labirinto burocrático e tributário. O processo para abrir um negócio formal levava em média 70 dias. Duas décadas depois, a digitalização e a desburocratização reduziram esse tempo de abertura para menos de 24 horas.

“A Lei Geral e o Simples Nacional transformaram burocracia em oportunidade. Em 2006, o Brasil tomou a decisão de que quem começa pequeno não pode ser tratado como grande. Mais do que uma medida tributária, o Simples consolidou-se como a maior política de inclusão produtiva da nossa história, garantindo dignidade, crédito e caminho de ascensão social para os brasileiros”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares.

Somente em julho de 2026, oito em cada dez novos empregos formais criados no país tiveram origem em pequenos negócios.

Em Roraima

Dados da Receita Federal e do Sebrae/RR apontam que o estado possui atualmente 47.962 empresas ativas. Desse total, 24.614 são Microempreendedores Individuais (MEIs), 19.008 são microempresas e 4.340 estão enquadradas como empresas de pequeno porte.

Somente nos primeiros seis meses de 2026 foram abertas 5.953 novas empresas em Roraima. A maioria dos registros está na categoria MEI, responsável por 4.737 novas formalizações.

Para o superintendente do Sebrae Roraima, Emerson Baú, os pequenos negócios têm participação direta no desenvolvimento do estado.

“As empresas são essenciais para o desenvolvimento de uma região. São elas que geram emprego, renda e oportunidades para a população. Em Roraima, os pequenos negócios têm um papel ainda mais importante porque representam a grande maioria das empresas existentes e ajudam a fortalecer a economia local”, afirma.

Segundo ele, a presença desse segmento pode ser percebida em praticamente todos os municípios e atividades econômicas.

“Temos informações que mostram que cerca de 97% dos negócios existentes em Roraima são micro e pequenas empresas. Isso demonstra a importância desses empreendedores para a geração de emprego e renda no estado”, destaca.

O empreendedorismo em Roraima tem crescido ano após ano. Em 2018, pouco mais de 2,8 mil MEIs foram formalizados. Em 2025, esse número chegou a 7.771 registros, o maior da série histórica. Até junho deste ano, 4.737 novos microempreendedores já haviam aberto suas empresas.

Os dados também mostram que o setor de serviços continua sendo a principal porta de entrada para quem decide empreender. Entre janeiro e junho deste ano, foram abertas 3.445 empresas no segmento. O comércio aparece em seguida, com 1.610 novos negócios.

Boa Vista concentra a maior parte desse movimento. Dos mais de 24 mil MEIs existentes em Roraima, cerca de 20,8 mil estão na capital. Rorainópolis, Mucajaí e Pacaraima aparecem na sequência entre os municípios com maior número de microempreendedores.

Transformação na prática

Em São Paulo (SP), o Colégio Trilha é um exemplo de como a previsibilidade tributária viabilizou um crescimento estruturado e sustentável. Classificado como Empresa de Pequeno Porte (EPP) e contando com uma equipe de 50 colaboradores, a instituição atende crianças do berçário, educação infantil e ensino fundamental I.

Antes da adesão ao Simples Nacional, a diretora e fundadora, Sylvia Aragão, relembra que a gestão tributária representava uma das maiores barreiras do empreendimento.

“Havia múltiplos impostos, guias separadas e uma burocracia significativa, o que demandava tempo e organização, aumentando o risco de erros. Esse cenário gerava insegurança na gestão e dificultava o planejamento financeiro”, conta Sylvia. A opção pelo regime simplificado permitiu reorganizar a estrutura interna e canalizar recursos para o aprimoramento do ensino e o atendimento às famílias.

“A simplificação tributária permitiu direcionar esforços para áreas estratégicas, como melhoria da estrutura, inovação pedagógica e fortalecimento da equipe. Com os tributos unificados, passamos a ter mais previsibilidade e clareza sobre os custos. Isso trouxe mais segurança para investir e crescer de forma sustentável”, explica a educadora.

Modernizar para avançar

O Sebrae atua de forma permanente no Congresso Nacional e junto ao Poder Executivo defendendo pautas prioritárias para os pequenos negócios. Entre elas, está o reajuste dos limites de faturamento dos microempreendedores individuais (MEI) e das microempresas, a atenuação do “efeito degrau” na transição de portes e a desburocratização digital no contexto da Reforma Tributária.

“Garantir um ambiente regulatório simples, estável e previsível é a chave para assegurar que a força dos pequenos negócios continue dinamizando a economia, gerando empregos na esquina de cada município e construindo o futuro do Brasil”, completa o presidente do Sebrae.

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