Polícia Civil debate gestão de bens apreendidos e inteligência financeira no combate ao crime organizado

Especialistas também discutiram ações contra lavagem de dinheiro e investigação patrimonial como mecanismos de enfrentamento às organizações criminosas. – Fotos: Artur Farias e Ascom/PCRR

A PCRR (Polícia Civil de Roraima) deu continuidade, na manhã desta sexta-feira, 14, ao Simpósio “Recuperação de Ativos e Asfixia Financeira do Crime”, realizado em parceria com o TJRR (Tribunal de Justiça de Roraima) e o MPRR (Ministério Público do Estado de Roraima), no Fórum Criminal Ministro Evandro Lins e Silva, em Boa Vista.

No segundo dia de debates, especialistas discutiram instrumentos jurídicos para gestão e recuperação de bens apreendidos, além de estratégias de inteligência financeira, lavagem de dinheiro e investigação patrimonial como mecanismos de enfrentamento às organizações criminosas.

Para a delegada-geral da PCRR, Simone Arruda, o conhecimento compartilhado durante o encontro fortalece a atuação conjunta entre a instituições e amplia a capacidade de enfrentamento à criminalidade organizada.

“O simpósio é um instrumento necessário para que possamos unir forças com o Judiciário e o Ministério Público no combate à lavagem de dinheiro e na recuperação do patrimônio dos criminosos”, afirmou.

A delegada titular da DRA (Delegacia de Recuperação de Ativos), explica que a criação da delegacia, em dezembro de 2025, representa um marco nesse processo, ao ampliar a atuação da Polícia Civil para além da responsabilização criminal.

“Com essa nova mentalidade, deixamos de apenas prender os criminosos para, também, descapitalizá-los. A nossa intenção é retirar o dinheiro do crime e utilizá-lo para enfrentá-lo”, afirmou.

O primeiro painel do dia, “Medidas Assecuratórias e Bens Apreendidos: Decisão, Gestão e Efetivação”, foi ministrado pelo juiz federal Gustavo Chies Cignachi, do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Para Gustavo, o Brasil tem instrumentos jurídicos para recuperação de ativos e gestão de bens apreendidos, mas é necessário utilizá-los de maneira integrada e estratégica.

“Nós já temos as ferramentas jurídicas, já temos um arcabouço jurídico para recuperação de ativos e para gestão de bens apreendidos. Esse arcabouço precisa ser utilizado de forma mais integrada, com mais raciocínio jurídico e dentro de uma integração institucional”, destacou.

Na sequência, chefe da Divisão de Repressão à Lavagem de Dinheiro da PF (Polícia Federal), delegado Felipe Alcântara, abordou o tema “Inteligência Financeira, Lavagem de Dinheiro e a Repressão ao Crime Organizado”. Felipe avalia que é preciso transformar o conhecimento sobre o tema em ações efetivas de investigação e repressão qualificada às organizações criminosas.

“Não é de hoje que a gente fala sobre asfixia financeira, sobre descapitalização. O desafio de hoje é transpor o mural dos escritos e colocar isso em prática”, afirmou.

Investigação financeira como estratégia para descapitalizar organizações criminosas

Nessa quinta-feira, 13, os participantes do simpósio discutiram sobre estratégia para descapitalizar organizações criminosas, no painel “Além da Responsabilização Penal: investigação financeira e recuperação de ativos no combate à corrupção e aos crimes tributários”. A atividade foi conduzida pelo delegado Cassiano Cabral, da PCRS (Polícia Civil do Rio Grande do Sul).

Durante a exposição, o delegado apresentou métodos utilizados para identificar movimentações financeiras suspeitas, mapear estruturas criminosas e rastrear patrimônio, demonstrando como a investigação pode avançar para além da identificação da autoria e da materialidade do crime.

“A investigação financeira permite compreender como o crime organizado movimenta e utiliza os recursos obtidos de forma ilícita. Ao identificar essas movimentações e rastrear o patrimônio, é possível não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também alcançar os recursos que sustentam e financiam a atividade criminosa”, destacou Cassiano.

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