Polícia Civil reforça descapitalização como estratégia para enfraquecer organizações criminosas em Roraima

A realização do simpósio também reforça o processo de fortalecimento da PCRR na atuação especializada contra o crime organizado. – Fotos: Ascom | PCRR

A PCRR (Polícia Civil de Roraima) encerrou, nesta sexta-feira, 14, o primeiro Simpósio “Recuperação de Ativos e Asfixia Financeira do Crime” realizado em Roraima, consolidando a descapitalização das organizações criminosas como uma das principais estratégias de enfrentamento ao crime organizado no Estado.

A iniciativa, promovida pela PCRR, por meio da DRA (Delegacia de Recuperação de Ativos), em parceria com o TJRR (Tribunal de Justiça de Roraima) e o MPRR (Ministério Público do Estado de Roraima), reuniu nomes de referência nacional do Judiciário, Ministério Público e das Polícias Civil e Federal.

O encontro colocou em evidência uma mudança de perspectiva no combate às organizações criminosas: não basta prender seus integrantes; é preciso retirar os recursos que mantêm e financiam suas atividades.

Durante dois dias, autoridades e especialistas de diferentes áreas do sistema de Justiça discutiram como identificar, apreender, recuperar e dar destinação ao patrimônio proveniente de atividades criminosas.

Foram discutidos investigação financeira, lavagem de dinheiro, medidas assecuratórias, gestão de bens apreendidos, inteligência financeira e recuperação de ativos, aproximando experiências de diferentes instituições e regiões do país.

Autoridades destacam importância da integração entre as instituições

No encerramento, o promotor de Justiça Paulo Vinicius Parizotto, do Gaeco/MPGO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Goiás), destacou que a recuperação de ativos exige integração entre as instituições.

“Nós temos que estar integrados na atuação para que os resultados voltados à recuperação de ativos, daqueles bens decorrentes de produtos e proveitos de crime, sejam recuperados, confiscados e revertidos em prol da sociedade”, afirmou.

Segundo o promotor, a atuação integrada entre Polícia, Ministério Público e Poder Judiciário representa um novo caminho para enfrentar o crime organizado, especialmente diante dos desafios ainda existentes na investigação financeira e na recuperação de patrimônio.

“Estamos contando com a atuação integrada entre as polícias, os Gaecos, Ministério Público e Judiciário. Esse é o novo caminho no combate ao crime organizado e na atuação direcionada à recuperação de ativos”, destacou.

À frente da organização do simpósio, a delegada titular da DRA, Gianne Delgado Gomes, avaliou o encontro como um marco para Roraima e afirmou que a iniciativa representa o início de uma estratégia que deverá ser ampliada dentro da Polícia Civil.

“Foi o primeiro de muitos que nós ainda vamos realizar como estratégia de enfrentamento ao crime organizado. Ficou muito claro para todos que é imprescindível a cooperação dos operadores do sistema de Justiça criminal para que possamos realmente enfrentar o crime organizado com eficiência”, afirmou.

A delegada destacou que a criação da DRA representa uma nova frente de atuação da Polícia Civil, voltada à identificação e recuperação do patrimônio relacionado às atividades criminosas. A proposta é que o conhecimento e as estratégias discutidos durante o simpósio sejam difundidos entre as demais unidades da instituição.

Para Gianne, atingir financeiramente as organizações criminosas é fundamental para reduzir sua capacidade de atuação e dificultar a reposição de integrantes presos.

“Não adianta mais só prender o criminoso, porque você prende um criminoso um dia e amanhã tem outro no lugar dele. A única forma que estamos vislumbrando como possível é com a retirada do capital, do dinheiro e do patrimônio das organizações criminosas”, ressaltou.

Ainda segundo a delegada titular da DRA, o conhecimento compartilhado durante o encontro precisa agora se transformar em prática permanente dentro das instituições.

“Esse trabalho está sendo difundido, é uma estratégia que está sendo tratada no Brasil inteiro, chegou a Roraima e nós acreditamos muito que é realmente o caminho para o enfrentamento ao crime organizado”, concluiu.

Para a delegada-geral da Polícia Civil, Simone Arruda, o simpósio marca um passo importante na consolidação de uma nova cultura de enfrentamento ao crime organizado em Roraima, com a ampliação do foco da investigação para além da autoria dos crimes e o alcance do patrimônio utilizado para financiar as atividades ilícitas.

“Com essa integração fortalecida com o Ministério Público e o Poder Judiciário, a Polícia Civil passa a concentrar esforços também na retirada dos recursos que dão sustentação às organizações criminosas”, destacou.

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