
O Projeto de Lei nº 137/2026, de autoria da vereadora Carol Dantas (PSD), aprovado em regime de urgência pela Câmara Municipal de Boa Vista no início de agosto, pretende transformar as escolas municipais em uma porta de entrada para crianças e adolescentes com potencial para o esporte. A proposta aguarda sanção ou veto do Poder Executivo.
O texto cria um mecanismo permanente para que estudantes com aptidão esportiva sejam identificados ainda no ambiente escolar e encaminhados aos programas de incentivo e formação esportiva já mantidos pelo município. A intenção é estabelecer uma ligação direta entre a rede municipal de ensino e as políticas públicas voltadas ao esporte.
Entre os destinos previstos estão o Programa Bolsa Atleta, o Centro de Iniciação Esportiva (CIEP) e o Programa Qualidade de Vida. A proposta não cria um novo programa de treinamento, mas estabelece um processo para encontrar potenciais atletas e direcioná-los às iniciativas que já funcionam em Boa Vista.
Para Carol Dantas, a escola ocupa uma posição estratégica nesse processo porque é justamente onde professores de educação física acompanham diariamente o desenvolvimento das crianças e podem perceber habilidades que, muitas vezes, não chegam aos programas esportivos.
“Temos crianças e adolescentes com talento dentro das nossas escolas, inclusive nos bairros mais periféricos, que muitas vezes não sabem que existem programas capazes de ajudá-los a desenvolver esse potencial. O que queremos é criar essa ponte. O professor identifica uma habilidade, a escola faz o encaminhamento e o município passa a ter um caminho organizado para que esse estudante possa chegar aos programas esportivos. Não estamos criando uma estrutura paralela, mas fazendo com que aquilo que Boa Vista já oferece alcance também quem hoje pode estar invisível para o sistema”, afirma a vereadora.
A proposta estabelece que as avaliações ocorram pelo menos uma vez a cada semestre letivo, prioritariamente durante as aulas de educação física ou em eventos esportivos internos. O processo deverá considerar critérios como habilidades motoras, resistência, velocidade, coordenação, flexibilidade, além de interesse, disciplina e motivação para a prática esportiva. O encaminhamento também dependerá do consentimento dos pais ou responsáveis.
Os estudantes identificados terão prioridade na inscrição e análise nos programas esportivos municipais, respeitando a disponibilidade de vagas e as regras de cada iniciativa. A indicação feita pela escola não significará ingresso automático, já que a avaliação definitiva continuará sob responsabilidade do programa que receber o aluno.
Olhar para os talentos da periferia
Um dos principais pontos do PL 137/2026 é ampliar o acesso de estudantes de bairros periféricos e em situação de vulnerabilidade à formação esportiva. Além da descoberta de novos talentos, o projeto trata o esporte como instrumento de inclusão e prevenção de situações de risco social.
Carol Dantas destaca que a condição financeira ou o lugar onde uma criança mora não podem determinar se ela terá ou não a oportunidade de desenvolver uma habilidade.
“O talento não escolhe bairro e não depende da condição social da família. Podemos ter dentro de uma escola municipal uma criança com enorme potencial para o atletismo, futebol, judô ou qualquer outra modalidade, mas que nunca teve a oportunidade de chegar a um projeto esportivo. A escola pode ajudar a mudar essa realidade porque está perto dessa criança. Quando o poder público cria um caminho para identificar, encaminhar e acompanhar esses talentos, também está ampliando oportunidades”, afirma.
Na justificativa apresentada à Câmara, a vereadora aponta que Boa Vista já possui programas esportivos consolidados, mas ainda não conta com um mecanismo institucional contínuo que conecte as escolas a essas iniciativas. Segundo o documento, professores de educação física podem identificar habilidades diferenciadas entre os alunos, mas não dispõem de um canal direto e padronizado para encaminhá-los à estrutura esportiva municipal.
O projeto também prevê que a Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (Fetec), ou o órgão municipal responsável pelo esporte, ofereça orientação técnica aos professores para padronizar os critérios de avaliação e os formulários utilizados nos encaminhamentos.
A execução deverá aproveitar servidores, espaços físicos e estruturas que já existem no município. De acordo com o projeto, não haverá criação de novos cargos nem de despesas obrigatórias de caráter continuado.
Após a aprovação na Câmara Municipal, o PL 137/2026 foi encaminhado ao Executivo. A proposta aguarda sanção ou veto para saber se o mecanismo de identificação e encaminhamento de talentos esportivos passará a integrar as políticas públicas de Boa Vista.

