
A Sejuc (Secretaria da Justiça e da Cidadania) iniciou nesta semana uma programação especial de visitas voltada aos filhos de pessoas privadas de liberdade nas unidades prisionais de Roraima.
A iniciativa busca tornar mais acolhedor o reencontro entre pais e filhos, reduzindo os impactos emocionais causados pelo ambiente prisional.
As atividades ocorrem simultaneamente nas quatro unidades prisionais do Estado. Na Pamc (Penitenciária Agrícola de Monte Cristo), maior unidade prisional de Roraima, as visitas começaram nesta quarta-feira, 20, e seguem até a próxima terça-feira, 26. O acesso das crianças e de seus responsáveis ocorre das 8h às 8h30.
Segundo o secretário da Sejuc, Dagoberto Gonçalves, o projeto foi criado após a identificação de que muitas crianças chegam às unidades emocionalmente abaladas pela ausência dos pais e pelas condições do ambiente prisional.

“Para amenizar esse cenário, instalamos uma estrutura de acolhimento na entrada das unidades, com brinquedoteca, espaço de convivência e distribuição de lanches. A proposta é proporcionar um ambiente mais leve e humanizado, reduzindo o estresse e tornando a experiência menos hostil para as crianças”, explicou.
A ideia é ampliar a iniciativa por meio de parcerias com o Tribunal de Justiça de Roraima, por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Prisional, além dos conselhos da comunidade de Boa Vista e de Rorainópolis.
As visitas foram organizadas por alas e turnos específicos, com média de atendimento entre 30 e 40 crianças por período em cada unidade. Na Pamc, a expectativa é de um número maior de visitantes devido à capacidade da unidade.

A proposta da Sejuc é que a ação passe a ocorrer periodicamente, inicialmente a cada dois meses, com possibilidade de ampliação futura.
A iniciativa conta com apoio de policiais penais, assistentes sociais e da Affur (Associação Famílias Unidas de Reeducandos de Roraima), que atuam no acolhimento das famílias e na distribuição de lanches durante as visitas.
Segundo a conselheira fiscal e fundadora da Associação, Kelry Lima, o projeto contribui para aproximar as famílias do sistema prisional e ampliar o acolhimento aos visitantes.
“Muitas famílias passam horas aguardando o horário da visita e, em alguns casos, sem qualquer estrutura de apoio. Esse tipo de ação ajuda a tornar o ambiente mais humano e mostra que as famílias também precisam ser acolhidas”, afirmou.

