
O Governo de Roraima abriu as inscrições para a nova etapa do Projeto de Grãos. O prazo segue até 15 de outubro, nas unidades do Iater (Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural de Roraima) nos 15 municípios do Estado.
A ação, que segue o calendário oficial agrícola do Estado, atende agricultores familiares e comunidades indígenas com produção de milho e feijão. Em 2026, a estimativa é alcançar três mil hectares de área cultivada e beneficiar 2.977 produtores, com investimento de R$ 33 milhões em recursos próprios do Governo do Estado.
Do total, 1.600 hectares correspondem a 160 polos de agricultura familiar indígena, formados por 10 produtores que trabalham coletivamente. Outros 1.400 hectares atendem 1.377 agricultores familiares não indígenas.
O acompanhamento técnico ocorre durante as diferentes etapas da produção, desde o preparo das áreas até o plantio e a colheita. O trabalho também busca reduzir a dependência do fogo no preparo das lavouras e estimular técnicas agrícolas com uso de tecnologia. Segundo o presidente do Iater, José Antonio Vicente, a proposta busca mudar práticas utilizadas no cultivo tradicional.

“O objetivo principal do programa é levar tecnologia, elevar o conhecimento e, principalmente, tirar o produtor daquela cultura do toco, para que ele não precise mais utilizar o fogo para fazer essa cultura. A gente já tem resultado disso nos últimos quatro anos: ele consegue produzir muito mais com tecnologia, em um hectare bem trabalhado”, explicou o presidente.
A equipe responsável pelo acompanhamento é formada por engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas e veterinários do Iater. Os profissionais visitam as propriedades e orientam os produtores nas diferentes etapas da produção.
Após as inscrições, os produtores passam por uma seleção. Os técnicos do Iater visitam as propriedades para verificar as áreas disponíveis e o cumprimento dos critérios previstos no projeto. Os produtores habilitados seguem para as etapas de preparo do solo e cultivo.
Na agricultura familiar indígena, o projeto atende comunidades organizadas em polos, geralmente com pelo menos 10 famílias. Entre os critérios estão a disponibilidade de área preparada, cercada e com acesso adequado para a entrada dos equipamentos. Para agricultores familiares não indígenas, também é necessário que a área esteja destocada e cercada.
Projeto segue calendário agrícola
A abertura das inscrições em setembro acompanha o calendário agrícola utilizado pelo Estado. O cronograma considera períodos adequados para procedimentos como correção do solo, calagem, fosfatagem e plantio mecanizado.
O presidente do Iater também orienta os produtores a procurar as unidades do instituto para obter informações sobre o cenário climático e as condições mais adequadas para o cultivo.
“Estamos passando por um momento de crise, com o El Niño, e nossa equipe está preparada justamente para orientar esse produtor. A gente pede que procure nossa unidade para que tenha todas as orientações técnicas possíveis”, ressaltou.
A nova etapa ocorre durante a situação de emergência decretada em Roraima em razão da estiagem associada ao fenômeno El Niño 2026-2027. O Iater prestará assistência aos produtores com orientações sobre uso eficiente e armazenamento da água, conservação da umidade do solo, manejo de pastagens, alimentação e bem-estar animal, produção e armazenamento de silagem e escolha de culturas mais adaptadas ao período seco.
Os técnicos também atuarão na prevenção de queimadas, no planejamento das propriedades e na elaboração de projetos de crédito rural. O trabalho busca reduzir os impactos da estiagem e manter a produção no campo.
Atendimento em todo o Estado
O Iater possui 50 unidades distribuídas pelos 15 municípios de Roraima. Nos locais sem unidade física, o atendimento ocorre por meio de uma unidade móvel, que percorre comunidades, associações e cooperativas.
Nos dias 12 e 13 de setembro, a unidade móvel percorrerá a região Sul do Estado, com atendimento nos municípios de Caroebe, São João da Baliza e São Luiz do Anauá.
Atualmente, o instituto possui cerca de 32 mil produtores cadastrados. Além do Projeto de Grãos, as equipes prestam orientação sobre diferentes demandas do setor, incluindo a adequação à emissão de nota fiscal eletrônica.
Apoio aos técnicos de campo
Durante o lançamento da nova etapa do projeto, o Iater também entregou EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e materiais de trabalho para as equipes de campo. Foram entregues 290 botas táticas, 290 mochilas, 290 blocos de anotações e 150 chapéus destinados às mulheres técnicas de campo.


