Quando deixa de ser brincadeira? DPE-RR orienta alunos sobre bullying, respeito e conflitos na escola

Imersão de três dias do programa Descomplica, tem como alvo 22 estudantes do Colégio Wanda David Aguiar, no bairro Raiar do Sol. – Fotos: CCOM | DPE-RR

Uma brincadeira pode parecer divertida para quem faz, mas nem sempre tem o mesmo efeito para quem está do outro lado. Para ajudar estudantes a reconhecer os limites das relações e encontrar formas de lidar com conflitos, alunos do 8º ano do Colégio Estadual Militarizado Professora Wanda David Aguiar (CEM XI), bairro Raiar do Sol, iniciaram nesta quarta-feira, 7, uma imersão de três dias nas oficinas do programa Descomplica, desenvolvido pela Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR).

Ao todo, 22 estudantes participam das atividades voltadas à convivência escolar, ao combate ao bullying, ao diálogo e à mediação de conflitos. As ações são conduzidas pela equipe da Câmara de Conciliação da DPE-RR, com participação de psicólogos, assistentes sociais e servidores da área de mediação.

Alunos compartilham ideias e experiências durante a roda de conversa.

Em formato de roda de conversa, os alunos são estimulados a falar sobre identidades, sentimentos, emoções, necessidades, autoestima e experiências vivenciadas dentro e fora da escola, com foco no estímulo a uma cultura de paz na comunidade escolar.

O estudante Hugo Laurena Lima, de 14 anos, explica que uma das formas de perceber quando uma brincadeira ultrapassou o limite é observar a reação de quem está sendo alvo.

“A partir de quando a gente vê a expressão do aluno ou da pessoa que está sofrendo uma brincadeira que ela não gosta, a gente consegue ver a expressão física do rosto dela, quando ela se sente muito triste ou quando ela acaba, depois da brincadeira, se sentindo um pouco mais excluída, sem querer conversar”, relatou.

Equipe da DPE-RR conduz atividades do programa Descomplica com estudantes do CEM XI.

O estudante conta que já passou por situações de bullying verbal e físico e que, em uma dessas ocasiões, também defendeu outra pessoa. Para ele, a discussão promovida pelo projeto pode ajudar os próprios alunos a levarem o aprendizado para o cotidiano.

“O projeto Descomplica vai ajudar no momento de ajudar o próximo. A minha expectativa é aprender mais do que eu sei para poder usar na prática fora das salas de aula, que a gente precisa muito hoje em dia”, disse.

De acordo com o professor de inglês Bruno Mercedes, comportamentos reproduzidos a partir da internet também acabam refletidos na sala de aula. Para ele, iniciativas que promovem orientação e diálogo ajudam a tornar o ambiente escolar mais acolhedor para os estudantes.

Camisas do Descomplica são entregues aos estudantes que participam da oficina.

“São alunos que são muito jovens, eles acabam copiando alguns modelos de comportamento da internet. Às vezes essas conversas não acontecem em casa. Então, quando o aluno expõe isso para a gente, ele se abre para um novo horizonte, consegue abrir a mentalidade dele. Essas rodas de conversa são essenciais, importantíssimas”, afirmou.

A assistente social da DPE-RR Tassiana Portela explica que a proposta do Descomplica é criar ferramentas para lidar com situações de conflito antes que elas se agravem.

“O programa Descomplica busca colocar em prática uma função institucional da Defensoria Pública, que é trabalhar a educação em direitos na sociedade. É uma ferramenta para a vida, uma construção de uma postura mediadora para a vida, para que esses jovens possam refletir sobre como eu posso me posicionar diante de problemas, diante de conflitos, tanto na minha escola como na minha vida pessoal. Eles estão numa fase de construção de personalidade, então é um momento muito oportuno para a gente trabalhar sobre isso”, destacou.

Descomplica

O programa é voltado a alunos e educadores da rede pública estadual, incluindo escolas da capital, do interior e de comunidades indígenas. Ao longo do ano, o projeto passou por diferentes instituições e, até o momento, seis escolas já foram contempladas. A oficina possui carga horária de 12 horas e, ao final da programação, os estudantes recebem certificado de participação.

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