
Com a aproximação da fase de testes da Reforma Tributária, que iniciou em 2026 com a cobrança de alíquotas experimentais do IBS e da CBS, tema pouco debatidofora dos departamentos fiscais, ganha relevância estratégica para empresas de todos os portes, a qualidade das informações cadastrais.
O contador e Advogado Tributarista, José Soares Belido, alerta que erros, inconsistências e cadastros desatualizados podem gerar impactos financeiros diretos na apuração do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), comprometendo a eficiência prometida pelo novo modelo tributário.
A Reforma Tributária tem como um de seus pilares a simplificação e a transparência na tributação do consumo. No entanto, para que as empresas usufruam dos benefícios previstos, será necessário garantir que seus bancos de dados estejam corretos, completos e alinhados às exigências legais.
Segundo Belido, o saneamento cadastral deixará de ser apenas uma tarefa administrativa para se tornar uma ação estratégica de gestão tributária.
“A Reforma Tributária não começa apenas na legislação; ela começa dentro das empresas, nos seus sistemas e na qualidade dos seus cadastros. Muitas empresas estão focadas nas mudanças de alíquotas e regras, mas esquecem que informações incorretas de clientes, fornecedores, produtos e serviços podem gerar falhas na apuração dos tributos, perda de créditos e até aumento da carga tributária efetiva”, disse.
O contador destaca que o novo ambiente fiscal exigirá maior precisão e integração de dados, tornando o saneamento cadastral uma ferramenta de economia.
“Quando falamos em IBS e CBS, estamos falando de um modelo altamente dependente da consistência das informações. Um cadastro saneado reduz riscos de inconsistências, evita retrabalho, diminui custos operacionais e permite o correto aproveitamento dos créditos tributários. Na prática, isso significa preservar recursos financeiros que poderiam ser perdidos por falhas de informação”, orientou.
A transição para a Reforma Tributária é o momento ideal para promover uma verdadeira limpeza cadastral. Belido alerta que o prazo já está correndo, 1º de setembro de 2026, foi definido como a data-chave para a conformidade documental, momento em que os campos de IBS e CBS passarão a ser exigidos nos documentos fiscais.
Nova Forma de Apuração
José Belido explica que uma das mudanças relevantes da Reforma Tributária está na forma como os tributos serão apurados.
“Hoje, na prática, as empresas recolhem seus impostos a partir das apurações realizadas pelos profissionais da contabilidade, que analisam uma série de informações para chegar ao valor devido. Com a chegada do IBS e da CBS, que vão substituir gradualmente tributos como PIS, COFINS, ICMS e ISS, a lógica muda significativamente. A apuração será cada vez mais baseada nas informações constantes nas notas fiscais eletrônicas emitidas e recebidas pelas empresas. Isso significa que a qualidade dos cadastros passa a ter um papel fundamental”, explicou.
Se o cadastro de produtos, serviços, clientes ou fornecedores estiver incorreto, a nota fiscal poderá ser emitida com informações erradas. “Uma nota fiscal errada pode resultar em imposto pago a maior ou a menor, gerando prejuízos financeiros, riscos fiscais e dificuldades para a empresa. Por isso, o saneamento cadastral deixa de ser apenas uma questão administrativa e passa a ser uma medida estratégica para a saúde tributária do negócio”.
Para o Advogado Tributarista, o que muitos empresários ainda não perceberam é que o novo sistema será muito mais automatizado. “As informações das notas fiscais emitidas e das notas fiscais de compras serão a base para a geração dos débitos, créditos e dos valores a recolher. Em outras palavras, a qualidade da apuração dependerá diretamente da qualidade das informações registradas nos sistemas da empresa”, enfatizou.
Belido ressalta que corrigir cadastros agora significa evitar erros futuros, proteger o aproveitamento de créditos tributários e garantir uma transição mais segura para o novo modelo. “As empresas que deixarem essa revisão para a última hora poderão enfrentar custos desnecessários e problemas que poderiam ser evitados com planejamento e organização”, concluiu.
Impacto Direto na Empresa
Embora o debate sobre a Reforma Tributária costume se concentrar nos impactos para governos e grandes empresas, os reflexos da qualidade cadastral alcançam toda a cadeia econômica. Empresas mais preparadas tendem a reduzir custos, aumentar a conformidade fiscal e melhorar sua competitividade, fatores que podem refletir na formação de preços, na geração de empregos e no fortalecimento do ambiente de negócios.
Especialistas apontam que, nos próximos meses, o saneamento de cadastros deverá se tornaruma das principais pautas de adequação empresarial, ao lado da atualização de sistemas e da revisão de processos fiscais.
Para José Belido, a economia gerada pela Reforma Tributária não dependerá apenas das novas regras, mas da capacidade das empresas de trabalhar com informações confiáveis. “O cadastro será um dos ativos mais valiosos na nova era tributária brasileira”, disse.

