
Profissionais que atuam nas unidades de acolhimento da Setrabes (Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social) participaram nesta sexta-feira, 28, de um treinamento sobre saúde mental, manejo de situações de crise e sofrimento psíquico.
Realizada pelo DPSE (Departamento de Proteção Social Especial), em parceria com a Sesau (Secretaria de Saúde), a formação reuniu 169 servidores, entre cuidadores, coordenadores, gestores, assistentes sociais e psicólogos. A iniciativa e busca preparar as equipes para lidar de forma mais segura e adequada com as demandas encontradas no cotidiano das unidades.

De acordo com o diretor do DPSE, André Luiz Meira, a formação atende a uma necessidade identificada nas próprias unidades.
“Nós temos muitos acolhidos que têm problemas de saúde mental. Então, assim, é uma demanda que vem a tempo. A gente já fez outros cursos e agora está fazendo mais essa capacitação”, explicou.
Segundo André, um curso semelhante já havia sido realizado em março deste ano e o DPSE pretende dar continuidade às ações de formação.
“Pretendemos fazer mais uma agora, essa outra com outro nível de abordagem, que seria a contenção, acolhimento e contenção em caso de crise”, afirmou.
Conhecimento para situações do cotidiano
Para quem atua diretamente nas unidades, lidar com situações relacionadas à saúde mental já faz parte da rotina. A psicóloga do Abrigo Masculino, Leila Gomes, participou da formação como ouvinte e destacou que adolescentes acolhidos podem carregar impactos emocionais decorrentes das situações de vulnerabilidade e violência pelas quais passaram.
“Quando um adolescente já não vem com o transtorno, ele acaba, de alguma maneira, adoecido emocionalmente pelas vulnerabilidades que ele passou, pelas violências. Então, já faz parte da nossa rotina trabalhar com esse público”, relatou.
Entre os principais pontos abordados, Leila destacou o manejo de crises, considerado um dos momentos mais complexos enfrentados pelas equipes. Para ela, entender como agir e quando buscar apoio especializado pode fazer diferença no atendimento prestado aos acolhidos.
“Às vezes surgem dúvidas com o manejo de crise, quem acionar, como lidar. E eu acho que isso foi um ponto alto da formação”, afirmou.
A psicóloga também ressaltou que a iniciativa é importante não apenas para profissionais da área técnica, mas principalmente para os cuidadores e demais servidores que estão diariamente próximos aos acolhidos.
“Ainda que eu seja psicóloga, eu tenho algum conhecimento mais aprofundado. A maioria dos nossos servidores, dos cuidadores e outros servidores não têm, às vezes, esse conhecimento. Então é uma forma deles entenderem, saberem como manejar”, disse.
Escuta qualificada é primeiro passo
Um dos facilitadores do treinamento, o psiquiatra Dr. Kimã Barbosa, explicou que situações de sofrimento psíquico ou crise podem ocorrer quando uma pessoa enfrenta uma adversidade que não consegue resolver. Segundo o especialista, cada situação pode exigir uma abordagem diferente, mas a escuta deve estar entre os primeiros recursos utilizados pelos profissionais.
“A escuta qualificada é o primeiro passo para tentar mitigar esse processo de crise quando ele está acontecendo”, destacou.
O psiquiatra também chamou atenção para a importância de evitar julgamentos durante a abordagem. Comentários que tratem o comportamento da pessoa como “frescura” ou como uma tentativa de chamar atenção, por exemplo, podem dificultar o atendimento.
“O ideal é evitar os pré-julgamentos. Esses pré-julgamentos não vão ajudar”, afirmou.
Em situações mais graves, o profissional pode orientar o encaminhamento para atendimento especializado, conforme a necessidade de cada caso, incluindo serviços como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e unidades hospitalares.
O profissional também reforça que o cuidado em saúde mental pode envolver diferentes formas de acompanhamento, de acordo com as necessidades de cada pessoa, incluindo atendimento médico, psicológico e suporte social.


