
Com amor, respeito e muita diversão, a Prefeitura de Boa Vista promoveu nesta sexta-feira, 4, a 6ª edição do RecrearTEAndo e a inédita 1ª Corridinha TEA, eventos que reuniram mais de mil crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), na Vila Olímpica Roberto Marinho. A mobilização encerrou oficialmente a programação da 3ª Semana Municipal de Conscientização do Autismo, que contou com palestras, oficinas e capacitações voltadas a profissionais da rede, pais e responsáveis.
O RecrearTEAndo, que começou de forma tímida na Escola Municipal Carmem Eugênia Macaggi, hoje movimenta todas as unidades de ensino, cresce a cada ano e se consolida como uma das maiores ações de inclusão de Roraima. As atividades foram pensadas com carinho para as crianças e suas famílias, promovendo socialização, desenvolvimento motor e, principalmente, fortalecendo os laços com a comunidade escolar.
“Temos um carinho muito grande pela educação especial no nosso município. O autismo é hoje a maior demanda nessa área e por isso, criamos uma semana dedicada à conscientização, com palestras, oficinas e capacitações. É um momento para sensibilizar toda a sociedade sobre a importância da inclusão e do acolhimento às nossas crianças”, destacou o prefeito Arthur Henrique.
Juntos pela inclusão
Katiane Ferreira, técnica de enfermagem, é mãe do Augusto, de 8 anos, estudante da Escola Carmem Eugênio Maccaggi e atendido no Centro Municipal Integrado de Educação Especial (CMIEE), o “Centrinho”. Ela falou sobre a importância dessa mobilização.
“Quando a gente recebe o diagnóstico de autismo é um baque. Mas a escola foi primordial para o meu filho. Hoje ele já sabe ler e escrever. A prefeitura dá esse suporte que muitas mães, como eu, não têm como pagar. Lá no ‘Centrinho’, enquanto os filhos são atendidos, tem um profissional para conversar com a gente. Isso é de suma importância”, disse.
Talita Almeida, professora e mãe do Miguel, de 4 anos, aluno da Escola José Arnóbio da Silva, afirmou que ficou emocionada com a participação do filho na Corridinha TEA. “Ele ficou muito animado porque ama correr e disse que ia ganhar. Foi lindo ver ele tão feliz. É um momento especial, onde nós, mães, podemos conhecer outras famílias e compartilhar vivências. Às vezes nos sentimos sozinhas e esse evento mostra que não estamos. É sobre amor e inclusão”, falou.
Josimar Pereira, autônomo e pai da Emanuelly, de 4 anos, aluna com autismo e da Ana Rafaela, de 6 anos, participou pela primeira vez do evento e ficou surpreso com a grandiosidade da ação. “É nosso primeiro RecrearTEAndo e estou impressionado. A gente vê o quanto isso abre os olhos dos pais. Minha filha era muito fechada e se escondia. Agora, depois do atendimento, já tem amiguinho e até aguenta ficar mais tempo fora de casa. É muito importante ter esse suporte e ver outras famílias na mesma caminhada”, contou.
Eventos reforçam a importância da inclusão
A novidade deste ano foi a Corridinha TEA, que levou meninos e meninas de 2 a 14 anos a percorrerem trajetos de 50, 100 e 200 metros. Todos os pequenos participantes receberam medalhas como reconhecimento. Já no RecrearTEAndo, as crianças se divertiram com oficinas de pintura, contação de histórias, artes marciais, zumba, jogos de tabuleiro, estações sensoriais, pula-pula, entre outras.
A programação teve como lema a temática nacional “Informação gera empatia, empatia gera respeito!”, reforçando a importância do conhecimento para quebrar preconceitos e estimular a inclusão.
Educação inclusiva é prioridade em Boa Vista
A Prefeitura de Boa Vista tem investido fortemente em políticas públicas voltadas para a inclusão de crianças com deficiência e com TEA. Atualmente, são 2.108 alunos com autismo atendidos na rede municipal, muitos dos quais recebem apoio especializado no Centro Municipal Integrado de Educação Especial (CMIEE) e no Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (CETEA).
Esses centros oferecem atendimento com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, educadores físicos, pedagogos, arte-educadores e assistentes sociais. Além disso, toda criança diagnosticada com TEA tem acesso ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), oferecido em 79 Salas de Recursos Multifuncionais espalhadas pela rede.
O município também conta com 155 professores especialistas em educação especial e desenvolve programas inovadores, como o “TIX Letramento”, que disponibiliza recursos tecnológicos adaptados para o processo de ensino de alunos com deficiência.