
A PCRR (Polícia Civil de Roraima), por meio da Polinter (Delegacia de Polícia Interestadual), cumpriu, na tarde desta segunda-feira, dia 8, dois mandados de prisão definitiva expedidos pela 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e da Justiça Militar da Comarca de Boa Vista contra F.C.N., de 35 anos, e K.O.F., de 30 anos, condenadas por homicídio qualificado e participação em organização criminosa. As prisões ocorreram após o trânsito em julgado da ação penal, não cabendo mais recursos da decisão judicial.
A ação foi coordenada pelo delegado titular da Polinter, Alexandre Matos. As condenadas foram localizadas por equipes da unidade por volta das 15h. F.C.N. foi presa no bairro São Francisco e K.O.F. no bairro 31 de Março, ambos na capital.
O CRIME – O caso que resultou nas condenações teve início em agosto de 2019 e mobilizou uma ampla investigação policial para esclarecer o desaparecimento e a morte da adolescente Laura Rosa Macedo Marinho, de 17 anos.
Conforme apurado durante as investigações, na noite de 18 de agosto de 2019, Laura Rosa e sua irmã, Lorena Blenda Macedo Marinho, foram atraídas para uma emboscada sob o pretexto de saírem para um lanche. As duas foram sequestradas e levadas para uma residência localizada no bairro Caranã, onde permaneceram em cárcere privado e foram submetidas a agressões físicas, ameaças e sessões de tortura.
As apurações apontaram que o grupo investigado suspeitava que Laura Rosa tivesse mantido relacionamento com integrante de uma organização criminosa rival. A motivação do crime estaria relacionada à disputa entre facções criminosas.
Ainda segundo os autos, durante a madrugada do dia 19 de agosto, Lorena foi libertada, enquanto Laura Rosa permaneceu sob o poder dos envolvidos. Em seguida, a adolescente foi submetida ao chamado “tribunal do crime”, mecanismo utilizado por organizações criminosas para impor punições extralegais a pessoas consideradas infratoras de suas regras internas.
As investigações demonstraram que, após o julgamento promovido pela facção, foi determinada a execução da vítima. Laura Rosa foi levada para uma área do loteamento João de Barro, onde foi assassinada. O corpo somente foi localizado no dia 23 de agosto de 2019, após diligências realizadas pelas forças de segurança, buscas de familiares e informações repassadas anonimamente à polícia.
A responsabilização dos envolvidos foi resultado de um conjunto de provas reunidas ao longo da investigação, incluindo depoimentos, oitivas de testemunhas, laudos periciais e demais elementos técnicos produzidos durante a instrução criminal.
Ao final da instrução processual, cinco réus foram condenados pelo Tribunal do Júri pela participação no homicídio qualificado de Laura Rosa Macedo Marinho e por integrarem organização criminosa. As condenações foram posteriormente mantidas pelas instâncias superiores até o trânsito em julgado da ação penal, culminando na expedição dos mandados de prisão definitiva cumpridos pela Polinter.
As duas mulheres foram apresentadas nesta terça-feira, dia 09, na Audiência de Custódia. Elas deverão cumprir pena em regime fechado, conforme determinação judicial.

