
A Universidade Federal de Roraima (UFRR), por meio do Colégio de Aplicação (CAp), realizou na manhã do último sábado, 17, a cerimônia de formatura da primeira turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA-Fundamental II), turma Wame Viana Atroari. A solenidade ocorreu no Núcleo de Apoio Waimiri Atroari (NAWA), localizado próximo ao munícipio de Rorainópolis.
Com a presença da comunidade local, professores e autoridades acadêmicas, ao todo, 49 alunos concluíram a etapa do Ensino Fundamental II Anos Finais. Oferecida em conjunto com o Colégio de Aplicação (CAp/UFRR), o projeto tem o objetivo de proporcionar à comunidade indígena o acesso à educação formal, respeitando suas particularidades culturais e territoriais.
Durante a cerimônia, a coordenadora do projeto, professora Edjane Scacabarossi, destacou o papel da UFRR em pensar numa educação que também fortaleça e que valoriza os povos indígenas. “A formação dos estudantes Waimiri Atraori representa muito mais que a conclusão de uma etapa escolar é um marco histórico para a educação indígena por se tratar da primeira experiência da educação de jovens e adultos desenvolvido dentro do território indígena”, comentou.
O projeto, iniciado em 2024, nasceu de uma parceria entre a UFRR e a comunidade Waimiri Atroari, que desde 2017 mantém diálogo com a universidade por meio de cursos de extensão e capacitação. A proposta da EJA foi construída de forma participativa entre a universidade e a comunidade.
A cerimônia também contou com a entrega de certificados dos cursos de capacitação desenvolvidos pela UFRR, lançamento do fascículo “Ciências Humanas e Sociais” e uma homenagem ao professor Carlos Alberto Marinho Cirino, um dos articuladores do projeto junto aos Waimiri Atroari, em razão de sua aposentadoria.
O projeto já havia oferecido o Ensino Fundamental I que teve a conclusão de 50 estudantes em 2025 e as turmas do Fundamental II seguiram o mesmo modelo pedagógico observando uma maior carga horária.
Durante a cerimônia, o reitor da UFRR, professor José Geraldo Ticianeli, reafirmou o compromisso da universidade pública com uma educação inclusiva. “A formatura representa uma conquista coletiva e reafirma o compromisso da UFRR com uma educação pública inclusiva, que respeita as culturas, valoriza os saberes dos povos indígenas e amplia oportunidades. Parabenizamos os formandos e todos os envolvidos nessa importante iniciativa”, afirmou Ticianeli.
O vice-reitor da UFRR, Silvestre Lopes da Nóbrega, destacou a consolidação do trabalho da universidade com esse projeto de transformação social. “Para a UFRR, participar desse momento reafirma o nosso compromisso como universidade pública. Temos que levar a educação como instrumento de transformação social respeitando as identidades, as tradições e os saberes dos povos indígenas”, avalia o vice-reitor.
Saiba mais sobre a pedagogia da alternância
A proposta de EJA apresentada aos indígenas utiliza a metodologia da Pedagogia da Alternância. Esse método foi criado na França em 1930 e tem por objetivo uma formação que traga períodos alternados de vivência e estudo tanto na escola como na comunidade em que os alunos residem. O intuito é que ocorra uma intensa troca de conhecimentos entre os ambientes que fazem parte da vida desses alunos.
O projeto da EJA para os Waimiri Atroari teve a realização do chamado tempo-escola e tempo-comunidade visando essa troca de conhecimento em que os professores irão até a comunidade indígena. O “Tempo-Escola” “é constituído por ações educativas realizadas nos espaços institucionais em que os processos educativos são ofertados na escola e o “Tempo- Comunidade” é constituído por ações educativas realizadas nos espaços onde os educandos desenvolvem o trabalho em interação com os bens da natureza através da agricultura, da pesca, da caça e do extrativismo, além de ações coletivas nos movimentos e organizações sociais com práticas culturais de convivência (religiosas, esportivas, de lazer, na família, nas comunidades).
“A importância da UFRR está justamente em garantir o acesso à educação sem exigir que os povos indígenas abram mão de sua identidade. É um compromisso da universidade pública com educação inclusiva, intercultural e transformadora. Essa conquista é dos estudantes do povo Waimiri Atraori e de todos que acreditam na educação como um direito e um instrumento de transformação social”, finaliza a coordenadora Edjane Scacabarossi.

