
A malária, doença infecciosa causada pelo parasita Plasmodium, mantém alta concentração de casos nos estados da Região Norte do Brasil. É transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles ou mosquito-prego infectada. As condições climáticas (clima quente e úmido) e ambientais da Amazônia favorecem a proliferação do mosquito transmissor.
O ciclo de transmissão se completa quando o mosquito pica uma pessoa contaminada, se infecta e transmite o parasita ao picar outro indivíduo sadio. No Brasil, existem duas espécies principais, a gerada pelo Plasmodium falciparum (protozoário responsável pela forma grave da doença) e a ocasionada pelo Plasmodium vivax. Ao entrar na corrente sanguínea, o parasita ataca órgãos linfoides, como o baço, além de destruir glóbulos vermelhos (hemácias). A região amazônica concentra mais de 99% dos casos de malária registrados no país, sendo considerada região endêmica.
Sintomas e diagnóstico
Os sintomas costumam aparecer de sete a 15 dias após a picada do mosquito infectado. Segundo o infectologista do HU-UFRR/HU Brasil, Marcos Maciel, os sinais iniciais podem ser inespecíficos. “Comumente presentes temos a febre, que por vezes tem característica de ser intermitentes ou em ciclos bem delimitados, a cada 48 horas ou a cada 72 horas. A febre geralmente é alta, maior que 37,9 graus, pode estar associada a calafrios, sudorese intensa, dor de cabeça, náuseas, vômitos e fraqueza. Em estágios mais, o paciente pode apresentar confusão mental, convulsões, anemia severa, insuficiência renal ou respiratória”, alertou.
O diagnóstico para a doença é realizado por meio de microscopia direta com exame de sangue–conhecido como gota espessa ou esfregaço sanguíneo– que identifica o parasita e a espécie causadora. Também, podem ser realizados testes rápidos, principalmente em locais com menos infraestrutura. Eles detectam antígenos e indicam o resultado por meio de alteração de cor.
Prevenção e tratamento
Evitar locais próximos a rios e igarapés, bem como regiões de mata, principalmente do entardecer ao amanhecer, horários que o mosquito costuma atacar mais. Para quem frequenta essas áreas, o uso de mosquiteiros, roupas de manga longa, calças e repelentes é fundamental. A prevenção também passa pela eliminação de criadouros, especialmente em zonas urbanas, e pela instalação de telas em portas e janelas.
O tratamento da malária é feito em casa com medicamentos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O tempo de tratamento depende da espécie de malária: no caso da Plasmodium falciparum, são três dias; para a Plasmodium vivax, a duração tradicional era de sete dias, mas foi reduzida para três dias com o uso da tafenoquina–medicamento inovador e eficaz incorporado ao SUS para a cura da doença.
Casos complexos
Pacientes que apresentam complicações precisam de internação hospitalar. Nayara Melo, infectologista e gerente de Atenção à Saúde do HU-UFRR/HU Brasil, explica: “Os pacientes que internam para tratar a malária no HU-UFRR, são encaminhados pelo Sistema de Regulação Estadual. São casos mais graves e recorrentes; temos internações por malária todos os meses”, relatou.
A gerente destaca ainda que, durante alguns meses da estação seca em Roraima (dezembro, janeiro e fevereiro), há um aumento no número de casos. Esse fenômeno também se deve as festividades de final de ano e carnaval, período em que as pessoas costumam frequentar sítios e balneários para comemorara com familiares, aumentando a exposição ao mosquito. As Crianças pequenas, gestantes, idosos e pessoas com baixa imunidade têm maior risco de desenvolver para formas mais graves.
Redução
O Ministério da Saúde divulgou este mês que, em 2025, foi registrada na Terra Indígena Yanomami- TIY, uma redução de 80,8% de óbitos por malária em relação à 2023. Ao mesmo tempo, houve um aumento de 75,9% do número de exames realizados por detecção ativa. A testagem para a doença também foi ampliada de 144.986 para 2574.830 testes em 2025.
O avanço é considerado expressivo para o cenário em relação à malária em Roraima, pois o estado concentra a maioria do território e da população Yanomami do país.
Sobre a HU Brasil
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima (HU-UFRR) faz parte da Rede HU Brasil desde 2024. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
