
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizou a primeira liberação de recursos para o projeto da Courageous Land Roraima SPE S.A., destinado à implantação de sistemas agroflorestais em áreas degradadas no sul de Roraima. O desembolso, no valor de R$ 18 milhões, integra financiamento de R$ 116 milhões do Fundo Clima para um projeto com investimento total de aproximadamente R$ 340 milhões.
O projeto prevê a implantação de 2 mil hectares de agroflorestas biodiversas, com foco em café, açaí e espécies madeireiras, combinando a recuperação de áreas degradadas com produção sustentável de alimentos, geração de empregos e créditos de carbono. A iniciativa será desenvolvida no sul de Roraima, tendo Rorainópolis como base do projeto.
“Esse projeto mostra que a restauração de áreas degradadas pode estar associada à produção, à geração de empregos e à economia de baixo carbono. O Fundo Clima permite ao BNDES oferecer financiamento de longo prazo para dar escala a esse tipo de investimento, contribuindo para a construção de uma nova economia florestal no país”, afirma a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
Os sistemas agroflorestais combinarão espécies nativas com culturas de interesse econômico, entre elas café, cacau, açaí, banana, pimenta-do-reino, coco e madeiras nobres. O projeto também prevê viveiros próprios, beneficiamento da produção, capacitação local e parcerias com universidades e instituições de pesquisa.
“A restauração produtiva é uma das soluções mais completas para o Brasil e para o planeta. Em Roraima, pastagens degradadas estão sendo transformadas em sistemas agroflorestais produtivos e biodiversos, mostrando na prática que é viável aliar retorno econômico à geração de empregos locais, fixação de carbono e produção de alimentos e madeiras nativas em larga escala”, afirmou o Cofundador e CEO da Courageous Land, Philip Kauders.
O arranjo agroflorestal de referência reúne 13 espécies, distribuídas em diferentes estratos de vegetação. Entre as espécies madeireiras nativas previstas estão castanheira, cumaru, angelim, ipê e pau-de-balsa.
Ao longo da implantação, está previsto o plantio de aproximadamente 9,7 milhões de mudas. O financiamento também contempla insumos, mão de obra, obras civis e agroindustriais, máquinas e equipamentos e capital de giro associado aos investimentos. Do investimento total de R$ 340,8 milhões, R$ 116 milhões serão financiados pelo BNDES e R$ 224,8 milhões correspondem às demais fontes previstas para o projeto. “O enfrentamento da crise climática e o desenvolvimento produtivo do campo não só podem como devem caminhar juntos”, diz a Cofundadora e VP de Operações da Courageous Land, Luiza Avelar.
Emprego e benefícios ambientais
Durante a implantação, o projeto estima alcançar 603 empregos diretos e indiretos. Após a implantação, a previsão é de 682 postos de trabalho, sendo 602 diretos e 80 indiretos.
A expectativa é que os 2 mil hectares recuperados contribuam para remover aproximadamente 33,9 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano. O quadro de resultados também prevê o plantio de cerca de 9,7 milhões de mudas e a recuperação produtiva dos 2 mil hectares.
BNDES Florestas
A operação com a Courageous Land integra a estratégia reunida no BNDES Florestas. A atuação combina diferentes instrumentos para apoiar restauração ecológica, sistemas agroflorestais, conservação e atividades produtivas associadas à floresta, com recursos reembolsáveis, não reembolsáveis e investimentos.
O BNDES Florestas já mobilizou R$ 14,6 bilhões no Brasil, sendo R$ 8,7 bilhões em financiamentos e R$ 5,9 bilhões em participações e investimentos. Esse conjunto está associado ao plantio equivalente a 354 milhões de árvores, à geração de 89 mil empregos verdes e à captura de 68 milhões de toneladas de carbono.
A estratégia busca estruturar uma nova economia da floresta, capaz de recuperar áreas degradadas e, ao mesmo tempo, ampliar a produção sustentável, gerar trabalho e renda e fortalecer cadeias produtivas associadas à floresta. O modelo articula desde redes de sementes, viveiros e capacitação até crédito de longo prazo e capital para que os projetos possam ganhar escala.
“Mais do que contemplar projetos isolados, esses financiamentos contribuem para a construção de uma cadeia econômica da restauração. Uma rede de sementes pode abastecer diferentes projetos, um viveiro apoiado em determinado território pode fornecer mudas para novas áreas, a capacitação forma mão de obra e o crédito permite que projetos privados ganhem escala. O BNDES Florestas organiza esses diferentes instrumentos para que restauração, conservação, emprego e geração de renda caminhem juntos”, afirma o chefe do Departamento de Meio Ambiente do BNDES, Marcus Cardoso.
Sobre a Courageous Land
Fundada em 2022, a Courageous Land desenvolve e opera projetos de soluções baseadas na natureza, com foco no desenho, implantação e gestão de sistemas agroflorestais em larga escala em áreas degradadas. Seu modelo de restauração produtiva combina recuperação ambiental com produção de alimentos — como café, cacau, açaí, pimenta e banana —, espécies madeireiras nativas e geração de créditos de carbono e biodiversidade.
