
A Aderr (Agência de Defesa Agropecuária do Estado de Roraima) inicia na próxima terça-feira, 26, uma ação preventiva de monitoramento fitossanitário voltada à identificação da planta invasora Amaranthus palmeri, conhecida popularmente como caruru-palmeri ou caruru-gigante.
Considerada uma das pragas quarentenárias de maior preocupação para a produção agrícola brasileira, a espécie será alvo de fiscalização em propriedades rurais com cultivo de soja e milho até o dia 30 de setembro.
A ação ocorrerá nos municípios de Boa Vista, Amajari, Bonfim, Alto Alegre, Mucajaí, Iracema, Caracaraí e Cantá, em cumprimento à Portaria SDA/MAPA nº 1.119, de 20 de maio de 2024, que institui o Programa Nacional de Prevenção e Controle do Amaranthus palmeri no Brasil.

Atualmente, Roraima é considerado área livre da praga. Segundo o presidente da Aderr, José Carlos Markus, a iniciativa busca ampliar a vigilância agropecuária e impedir a entrada e disseminação da espécie no Estado.
“O Amaranthus palmeri é uma espécie invasora com elevada capacidade competitiva, podendo provocar perdas significativas de produtividade nas lavouras”, destacou o presidente.
Reconhecido internacionalmente como uma das plantas daninhas mais agressivas da agricultura moderna, o caruru-palmeri preocupa especialistas pela rápida adaptação a diferentes ambientes e pela resistência a diversos herbicidas utilizados no manejo agrícola.
De acordo com informações da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), uma única planta pode produzir entre 100 mil e 1 milhão de sementes, o que amplia significativamente seu potencial de disseminação.
A espécie foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2015, no estado do Mato Grosso. Atualmente, sua ocorrência oficial está restrita a quatro municípios de Mato Grosso e dois municípios de Mato Grosso do Sul.

As equipes técnicas da Aderr realizarão levantamentos fitossanitários anuais em áreas sem registro da praga e, em caso de suspeitas, ações imediatas para delimitação de focos. Para o diretor de Defesa Vegetal da Aderr, Marcos Prill, a medida possui importância estratégica para a cadeia produtiva de grãos no Estado.
“Esse trabalho é fundamental para proteger a produção agrícola do estado e fortalecer a aproximação entre a Aderr e os produtores rurais, levando informação técnica e conscientização sobre uma praga de grande impacto econômico, ainda pouco conhecida por muitos agricultores”, ressaltou.
A agência também reforça a necessidade de vigilância permanente nas áreas de produção devido ao risco de entrada do Amaranthus palmeri por meio das fronteiras internacionais e divisas interestaduais.
A recomendação é que produtores rurais, técnicos agrícolas e demais profissionais do setor fiquem atentos a plantas com características semelhantes ao caruru-palmeri, especialmente diante de falhas no controle de plantas daninhas após aplicações de herbicidas.
Em caso de suspeita, a orientação é comunicar imediatamente o responsável técnico da propriedade e a Aderr para realização da identificação e confirmação da ocorrência.

