
Os protótipos conceituais são a primeira materialização das ideias dos cientistas para a solução de um determinado problema ou para o suprimento de alguma necessidade. Metaforicamente, esse tipo de protótipo funciona como se retirasse da mente dos cientistas o que pensam. Um conceito, portanto, é aquilo que é pensado, imaginado e construído mentalmente por uma ou mais pessoas, de modo que um protótipo conceitual representa a materialização desse pensamento, imaginação ou construção mental para fora, em um papel, computador ou maquete, por exemplo. Como os protótipos são sempre propostas dos cientistas para suprir necessidades ou resolver problemas de outros, os testes conceituais têm como finalidade verificar se o que está sendo proposto está de acordo com o que os clientes desejam. A experiência tem mostrado que as primeiras versões de protótipos raramente estão em conformidade com o que se espera da futura tecnologia, por isso, precisam de ajustes. As versões ajustadas dos protótipos são novamente submetidas a testes (os retestes) e, se houver desconformidade (o que é muito comum), são necessários novos ajustes (os reajustes). Esse procedimento de testes/retestes e ajustes/reajustes permanece em vigor até que as desconformidades sejam sanadas. Mas quais são os aspectos fundamentais que norteiam a lógica dos ajustes e reajustes? Basicamente, são quatro: feedback do usuário, validação técnica e funcional, iteração e refinamento e aderência ao conceito dos clientes. Vejamos cada um deles.
O feedback do usuário ou cliente é obtido quando a primeira versão do conceito lhe é apresentada. Os ajustes mais comuns e importantes notados pela experiência decorrem dos testes de usabilidade, focados nas dificuldades de uso, na confusão dos fluxos operacionais do protótipo ou em aspectos funcionais que não foram considerados intuitivos pelos cientistas. Quando os testes são realizados por meio de entrevistas ou pesquisas, é preciso ajustar as desconformidades relativas à experiência do usuário (UX), à interface (UI) e, principalmente, à própria proposta de valor da futura tecnologia. No caso de testes realizados com públicos-alvo específicos, é preciso focar os ajustes e reajustes nas exigências e expectativas não atendidas. Os procedimentos de testes e retestes precisam ser seguidos até que o feedback de clientes e usuários sinalize a convergência entre a proposta conceitual e o que se espera da tecnologia que se pretende criar e entregar.
O segundo grupo de ajustes e reajustes dos protótipos conceituais das tecnologias visa à validação técnica e funcional. O primeiro foco dos ajustes e reajustes deste grupo é a correção dos problemas técnicos identificados precocemente durante os testes conceituais iniciais, inclusive antes do desenvolvimento completo do protótipo, como os realizados por meio de desenhos físicos ou digitais. O segundo se concentra nos ajustes que garantam a conformidade esperada quanto ao funcionamento do protótipo para a produção da solução desejada pelos clientes e usuários em larga escala. E o terceiro é o refinamento do design e da arquitetura da engenharia, para garantir o desempenho esperado e tornar o protótipo eficiente.
A iteração contínua e o refinamento do protótipo representam o terceiro foco dos ajustes e reajustes conceituais. Esses procedimentos são necessários porque a criação tecnológica é um ciclo de construções, testes, análises de resultados e ajustes contínuos. Essa multiplicidade de iterações é necessária para aprimorar o produto e garantir seu funcionamento a contento. Quanto mais iterações forem feitas, maiores tendem a ser as probabilidades de identificar aspectos da proposta conceitual que são efetivamente essenciais e quais são perfeitamente dispensáveis, o que permite otimizar o tempo de geração da tecnologia e economizar todos os tipos de recursos, inclusive os financeiros, cada vez mais fundamentais para as inovações tecnológicas.
O quarto e último grande agrupamento de focos de ajustes e reajustes nos protótipos conceituais é o relativo à aderência ao conceito e ao mercado da tecnologia que se pretende criar. Isso significa que o protótipo não pode estar distante da solução do problema e do suprimento das necessidades dos clientes e usuários. Aqui são ajustadas as eficácias de resolução do problema original que levou à proposição da tecnologia ou ao suprimento da necessidade. Eficácia é fazer o que deve ser feito. Os ajustes precisam continuar até que os cientistas consigam identificar com exatidão as vantagens e os diferenciais que distinguem a tecnologia proposta daquelas já existentes, o que é essencial para justificar sua implementação. Não se deve esquecer que a aprovação da implementação é um dos objetivos que levam os cientistas a construir protótipos. No caso de tecnologias de alto impacto, como as relativas à vida e à segurança dos seres humanos, é preciso que o protótipo e seu processo de transformação em tecnologia, inclusive com a logística reversa, quando for o caso, garantam todos os aspectos éticos e o atendimento a todas as conformidades legais específicas.
De forma semelhante aos projetos, os protótipos conceituais visam obter aprovação para a etapa seguinte: a prototipagem básica. O protótipo conceitual diz o que vai ser feito, qual solução será garantida e quais benefícios serão entregues; o protótipo básico já apresenta os aspectos técnicos essenciais e mostra como será construído; o protótipo executivo é aquele que está praticamente pronto para ser implementado e construído, com todos os detalhes da tecnologia. Quando o protótipo executivo é aprovado em todos os testes, é elevado ao patamar de tecnologia.
No universo tecnológico atual, especialmente para problemas complexos, a prototipagem conceitual é uma etapa vital para a entrega de qualquer solução. A complexidade sempre envolve riscos de fracasso e de perda substancial de dinheiro, de modo que, quando se pode ver a solução e os primeiros resultados promissores, aumentam as chances de aprovação para a criação da nova tecnologia. Os protótipos conceituais precisam ser ajustados no esforço de transformar a abstração mental em modelos tangíveis, tantas vezes quantas forem necessárias. Passar para a próxima etapa da execução é o foco de todos os ajustes e reajustes.

(*) Daniel Nascimento-e-Silva, PhD, Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)