
Os protótipos relacionais têm como finalidade mostrar as relações entre os componentes do artefato, desde o menor até o maior deles. A lógica dessa prototipagem é definir o que cada peça tem que entregar para componente de que faz parte, essa entrega é testada na etapa de testagem e ajustada no estágio de ajuste; se o impacto não estiver de acordo com o que foi definido, um reajuste tem que ser feito para que seja retestado o resultado da modificação; se o resultado alcançado conseguir a adequação, é considerado aprovado e, se não for, novo reajuste tem que ser feito, seguido de novo reteste, até que a aprovação seja alcançada. Essa é uma visão interna muito importante para assegurar a funcionalidade otimizada da tecnologia, mas outros aspectos igualmente fundamentais precisam ser considerados na realização de ajustes e reajustes nas formas pelas quais um componente exerce impacto ou gera resultados em outro. Esses aspectos são: a validação técnica e funcional, o feedback do usuário, a integração com as tecnologias existentes e a escalabilidade. A razão desses aspectos é vincular os ajustes e reajustes às necessidades dos clientes, usuários, consumidores e do mercado, bem como à viabilidade técnica da nova tecnologia em construção.
O primeiro aspecto a ser compreendido, por mais repetitivo que possa parecer, é que as tecnologias existem para dar conta de alguma necessidade ou problema de outrem. Daí resulta que as equipes de inovação tecnológica precisam levar em consideração as informações e os dados recebidos ou coletados junto aos usuários e clientes. Por essa razão, o feedback e as necessidades do público-alvo precisam ser iterativos para que a proposta conceitual aprovada esteja em consonância com o que se espera da tecnologia. Os feedbacks, preferencialmente, precisam coletar dados e informações capazes de identificar e resolver problemas de usabilidade, falhas de design e expectativas não atendidas, todos detectados nas etapas de testes e retestes. Outro foco está nos ajustes e reajustes com base no nível de fidelidade do protótipo, considerando o estágio de desenvolvimento e o tipo de feedback necessário. Os protótipos de baixa fidelidade, por exemplo, são muito úteis para ajustar os fluxos básicos dos usuários, enquanto os de alta fidelidade são mais apropriados para validar interfaces e funcionalidade, preferencialmente de forma detalhada.
O segundo grupo de ajustes e reajustes concentra-se na validação técnica e funcional dos protótipos. A finalidade é a correção precoce de problemas técnicos, de modo a garantir que cada parte e peça do protótipo causem o impacto desejado e funcione da forma esperada. Para que isso aconteça, deve levar em consideração os requisitos relacionais e não relacionais a serem ajustados e reajustados. Os requisitos relacionais indicam com quem cada peça ou componente deve se relacionar, enquanto, inversamente, os não relacionais indicam com quem cada peça ou componente não deve se relacionar de nenhuma forma, principalmente porque isso provoca danos. A definição clara desses aspectos orienta os ajustes a serem realizados. A comparação com tecnologias concorrentes também deve ser considerada aqui para aferir se a relação de determinado componente apresenta uma solução diferente daquela encontrada em tecnologias existentes, o que ajuda a refinar a proposta de valor e a identificar diferentes áreas de melhoria.
Uma terceira preocupação dos ajustes e reajustes relacionais diz respeito à integração e à compatibilidade do protótipo. O objetivo desse foco é garantir que o avanço da nova tecnologia vai permitir a sua integração com outras tecnologias e sistemas já existentes e utilizados pela organização ou pelos seus públicos-alvo, principalmente para que não haja conflitos e se possa extrair o máximo de benefícios possível de tudo o que a nova tecnologia e as existentes possam oferecer. Por esse motivo, os ajustes e reajustes precisam identificar as dependências entre os diferentes componentes e peças, para que possam ser gerenciados e para garantir a identificação dos impactos necessários, dos desnecessários e dos que jamais podem ocorrer.
O quarto foco dos ajustes e reajustes é o planejamento dos recursos. Chama-se recurso a tudo o que é necessário para que o protótipo faça aquilo que precisa fazer e provoque o impacto previsto e esperado sobre outra peça ou componente. Isso mostra que a finalidade dos ajustes e reajustes é garantir que os recursos previstos compõem o protótipo; contudo, se os recursos não estiverem proporcionando o impacto desejado, eles precisam ser alterados em algum grau, desde o tipo de material de que são feitos até o formato e as cores.
O quinto e último grande foco das preocupações que devem orientar as ações de ajustes e reajustes nos protótipos relacionais é a viabilidade comercial e os custos da nova tecnologia. A grande questão a ser enfrentada é garantir que cada peça seja a mais adequada em termos de custo unitário e de participação no custo total do protótipo, de modo que, durante a fase de testes e retestes, materiais alternativos possam ser testados e ajustados para conferir, comparativamente, seu desempenho. Se o desempenho for similar, a opção deve considerar aquele material, peça ou componente que apresente o menor custo, desde que a sua viabilidade comercial assim o autorize. Pode acontecer de um material ser menos oneroso, mas sua viabilidade contínua no médio e no longo prazo ser fraca ou aquém do desejado.
O grande desafio de todo esforço de ajustes e reajustes nos protótipos relacionais é a entrega do impacto que uma peça ou componente deve causar na outra, como se fossem duas ou mais engrenagens, em que uma faz girar a outra. Embora a finalidade mecânica seja o ponto de convergência, diversos outros aspectos concorrem para que isso seja alcançado, como a iteração e o refinamento de forma equilibrada com as necessidades do usuário, a viabilidade técnica e a estratégia de negócios.

(*) Daniel Nascimento-e-Silva, PhD, Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)