
Os testes e retestes relacionais buscam aferir se as peças e agregados geram os resultados que deles são esperados, desde o nível mais elementar (peça) ao mais complexo (integração entre as partes). Na literatura científica, esses testes e retestes também são denominados de testes de interação, cuja finalidade é aferir se os elementos componentes da tecnologia conseguem interagir entre eles para gerar os resultados desejados, e testes de integração, que é uma espécie de visão ao mesmo tempo estrutural (focado na determinação se as partes do protótipos são efetivamente as consideradas essenciais) e funcional (para saber se os componentes funcionam de forma adequada), para que os impactos deles esperados estejam efetivamente garantidos. Vale notar, novamente, que essa classificação é mais pedagógica e compreensiva do que efetivamente procedural, uma vez que os testes e retestes dos protótipos são feitos de forma simultânea em todas as modalidades (estrutural, funcional, processual, relacional e ambiental), com exceção dos testes e retestes conceituais, fundamentais para que a equipe de inventores obtenha o aval para o início das atividades de geração tecnológica.
Embora os restes relacionais muitas vezes tenham a preocupação primordial de aferir a integridade funcional dos artefatos tecnológicos, o que a move, em última instância, é saber se a integridade física analisada e avaliada produz os resultados desejados por cada um dos elementos que compõem o protótipo. O termo “cada um” significa testar cada peça, peça por peça, subcomponente por subcomponente de cada componente, assim como as partes maiores para, finalmente, a testagem relacional do protótipo visando aos benefícios que dele são esperados. Essas testagens podem ser compreendidas, em suas lógicas intrínsecas, como testes de geração de resultados internos (tecnicamente chamados de bottom-up), para aferir se cada componente provoca os impactos que deveriam provocar, e de geração de resultados externos, subdivididos em dois focos: o primeiro, visando aos subcomponentes e componentes da própria tecnologia, considerados como “externos” aos componentes que estão sendo testados; e o segundo, em relação aos públicos-alvos (consumidores, clientes e usuários), para se ter a garantia de que os benefícios esperados estão sendo entregues.
Os testes de integração, por sua vez, estão mais concentrados na integralidade dos subcomponentes às partes da tecnologia. Especificamente, visam a três dimensões analíticas dos protótipos: a) saber se os componentes estão interagindo corretamente, b) se estão causando os impactos previstos de forma adequada e c) se a efetividade (eficácia com eficiência) é a mais satisfatória. Note que todos os componentes são planejados para que produzam resultados conjuntos a partir de desempenhos particulares. Por essa razão, os desempenhos particulares precisam ser testados e retestados de forma crescente e ascendente, culminando com a integração a mais harmônica e satisfatória possível de toda a tecnologia. Há, portanto, diferentes camadas de integração, de maneira que os testes e retestes precisam também levá-las em consideração.
Dois agrupamentos de testes podem ser visualizados a partir do esquema lógico de integração interna e externa. Os testes de relações internas precisam dar conta de problemas potenciais que os componentes possam apresentar em relação aos resultados deles esperados, uma vez que os artefatos físicos tendem a reduzir seus impactos por diversos motivos, ao longo do tempo, como o próprio desgaste físico. Outro foco é a validação do design da futura tecnologia que pode sofrer alterações de formato, peso, volume, cores e outros aspectos de apresentação. Um terceiro foco é a superação de desafios que todo esforço de geração tecnológica apresenta, antes que os testes de relações externas com os públicos-alvos sejam feitos, como são os casos de incorporação de novos materiais, uso de máquinas inovadoras em algum estágio de produção e assim por diante. E um quarto foco de testes e retestes funcionais, embora estejam centrados nos impactos dos elementos internos e externos, é em relação ao tempo de produção e entrega aos públicos-alvos, a redução das etapas dos processos de produção e ao ajuste dos sistemas de produção e distribuição com os recursos disponíveis (não confundir recurso com dinheiro).
Os testes e retestes da tecnologia, sob a ótica da prototipagem relacional, avalia o impacto das entregas ao usuário a partir da prévia aprovação de seus impactos internos. Testes de funcionalidade, por exemplo, devem ser vistos sob esse ponto de vista, ou seja, a partir do uso feito por quem deverá usar a tecnologia que está sendo produzida. Saber se ela permite ser utilizada em diversos aspectos configuram os testes de usabilidade, mas saber se ela funciona a partir da usabilidade dos seus públicos-alvos configura outros tipos de testes, os de funcionalidade. Isso significa que funcionar bem, permitir o uso adequado e causar boa impressão aos olhos (estética) representam testes e retestes relacionais, porque todos são tipos distintos de impactos que a tecnologia precisa causar. Além disso, durante os testes externos é preciso que sejam testadas as alterações que a futura tecnologia deverá sofrer para se manter atualizada, assim como as possíveis novas funcionalidades que poderão ser acrescentadas. Diversas plataformas para testes relacionais estão disponíveis atualmente na internet, como a Maze e a Figma Mirror.
Os testes e retestes relacionais, assim como todos os tipos de testes de protótipos, devem ser realizados para gerar feedbacks, dados e informações aos inventores de que estão no caminho certo para a materialização da futura tecnologia em conformidade com o que dela esperam os seus públicos-alvos e as instituições e organizações de que fazem parte. É uma conjugação de esforços e interesses que também estão em jogo e que, por essa razão, precisam de garantias de que os resultados pretendidos pela tecnologia e pelas suas corporações tenham a menor probabilidade possível de não se concretizarem. Afinal, ninguém faz testes e os repete apenas por testar. A finalidade, em última instância, é sempre a adequação entre o que é desejado e aquilo que efetivamente será entregue. Quanto mais próxima a entrega estiver do desejo, tanto maior tende a ser a satisfação quanto o sucesso da tecnologia.

(*) Daniel Nascimento-e-Silva, PhD, Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)
