
“Vamos nos aliviar um pouquinho, suspirar e voltar para a correria de novo, porque mãe não dorme, não descansa, não tira férias, e mãe atípica é uma leoa 24 horas por dia”, relatou Andréia Santos, neuropsicopedagoga e mãe de uma menina de cinco anos atendida pelo Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), ao participar da primeira roda de conversa voltada às mães de crianças e adolescentes atendidos pela unidade, realizada nesta terça-feira, 3.
A iniciativa é permanente e marca o início de uma nova etapa de acolhimento, que passa a oferecer suporte direcionado também às famílias, além do acompanhamento já realizado com os pacientes. Para Andréia, o momento foi muito proveitoso, pois, quem cuida, também necessita de atenção.

“Eu sou mãe de autista e sou profissional de educação especial. O grande diferencial é que a gente cuida, se doa, se dedica, mas, não tem quem cuide da gente. Nós damos conta de casa, da criança, da rede de apoio e sabemos que a sociedade é falha nesse quesito. Então, fiquei muito feliz em participar e compartilhar nosso dia a dia com outras mães”, comentou.
Ainda segundo ela, a troca de experiências entre mães proporciona cura, além de trazer forças. “Uma dica ali outra aqui, tira a gente de uma crise, porque a mãe atípica também tem, e não pode externar para que a nossa criança não sinta. Nessa roda de conversa, conseguimos externar sem que a criança esteja presente. O que ela vai sentir é o nosso alívio e um novo fôlego para recomeçar a semana e esperar a próxima terça”, avaliou.
Os próximos encontros ocorrerão todas às terças-feiras, a partir das 15h, no auditório da sede principal do Teamarr, localizada na Avenida Santos Dumont, 1193, São Francisco. A ideia é oferecer, em breve, o serviço também no Polo II do programa da ALERR. O primeiro encontro reuniu 20 mães e contou com a participação de psicóloga, assistente social e terapeuta, em um espaço que possibilita escuta, troca de experiências e orientações sobre os desafios da maternidade, especialmente no cuidado diário com filhos dentro do Espectro Autista.

Ambiente acolhedor
Segundo a assistente social Larissa Ramos, idealizadora do projeto, a proposta é criar um ambiente de acolhimento onde as mães possam ser ouvidas, fortaleçam vínculos e encontrem apoio entre mulheres que enfrentam obstáculos semelhantes.
“O objetivo é que elas mesmas se ajudem, trocando experiência e informações sobre aquilo que elas já conseguiram vencer até agora, no cuidado e atenção com seus filhos. Eu fiz todo esse processo de triagem dos atendidos e, nesse atendimento com as mães, identifiquei muitas adoecidas emocionalmente. Esse projeto é uma forma de apoiar essas famílias, que, muitas vezes, não conseguem ter acesso aos bens e serviços do estado voltados à essa questão”, detalhou.

De acordo com a diretora técnica do Teamarr, Ana Paula Aporta, o acompanhamento terapêutico de pessoas autistas considera não apenas o indivíduo, mas todo o contexto em que ele está inserido, incluindo o ambiente familiar e os espaços de convivência e lazer. Nesse sentido, as mães, que representam a maioria dos acompanhantes, também precisam de atenção, escuta e cuidado.
“Elas precisam ser cuidadas, olhadas, escutadas. Faltam, muitas vezes, um apoio, um ombro amigo. A partir desse acolhimento, a Larissa idealizou esse grupo para encontro contínuo, de uma forma que dê apoio para essas famílias até o momento em que elas se sintam bem para continuarem caminhando sozinhas”, frisou.

Onde encontrar
O Teamarr funciona de segunda à sexta-feira, das 8h às 18h30. Mais informações sobre o programa podem ser obtidas pelo número (95) 99115-5046.
