
O último dia do 13.º Fórum de Integração de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação Tecnológica do Instituto Federal de Roraima (Forint/IFRR) começou, nesta sexta-feira, 28, com a tradicional apresentação de pôsteres. A programação da manhã foi dedicada à área de ensino, reunindo projetos desenvolvidos por professores e estudantes de licenciatura da instituição.
Quando se fala em educação inovadora, é comum imaginar ambientes equipados com tecnologias de ponta e metodologias digitais. Contudo, criatividade e sensibilidade também transformam práticas pedagógicas. Foi isso que demonstraram diversos projetos apresentados, que recorreram a referências clássicas e a técnicas manuais para despertar o interesse de estudantes do ensino fundamental e de cursos técnicos.
Reescrevendo um clássico da literatura
Um dos destaques foi o projeto “Dom Quixote Vai ao Colégio: Recomposição de Aprendizagem e Identidade Cultural Hispano-Americana em Pacaraima no Âmbito do Pibid”. Ele chamou a atenção pela forma como aproximou os jovens da leitura. Realizado no Colégio Estadual Militarizado Cícero Vieira Neto, em Pacaraima, o trabalho buscou estimular a interpretação de textos, a expressão artística e a criatividade.
Estudantes do 7.º, do 8.º e do 9.º ano do colégio reescreveram a obra de Miguel de Cervantes em cadernos personalizados, produzindo versões próprias do enredo — muitas delas ilustradas. Surgiram o Dom Quixote futebolista, o Dom Quixote dentista e até versões mais elaboradas, com letras douradas. Além dos livros artesanais, houve encenação teatral e até uma refeição temática preparada pelos alunos.
Coordenado pela professora do IFRR Nathália Menezes e supervisionado pela professora Leidiane Soares Silva, o projeto foi desenvolvido por meio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). Participaram da ação pedagógica os estudantes bolsistas Leila Santos Galvão, Jorge Henrique Oliveira dos Santos, Ananda Kaillany Pinheiro dos Santos e Maia de Fátima Lima Dasilva, todos do curso de Letras-Espanhol e Literatura Hispânica, do Campus Boa Vista/Polo Alto Alegre.
Segundo Leila e Maria de Fátima, grande parte dos alunos atendidos é composta por imigrantes, o que tornou a experiência ainda mais significativa para elas como futuras professoras. Para a equipe, os resultados mostram que a literatura hispânica, quando trabalhada de forma criativa e inclusiva, pode fortalecer a sensibilidade cultural, a reflexão crítica e o sentimento de pertencimento — aspectos essenciais em um município de fronteira.
Técnicas antigas, novos olhares
Outro destaque entre as iniciativas de ensino expostas foi o projeto “Oficina Criativa de Processos Gráficos para os Cursos de Design e Publicidade: Técnicas Artesanais e Impressões Naturais em Contexto da Educação Inovadora”, conduzido pela professora Viviane Paludo Shultz, do Campus Boa Vista Zona Oeste.
A proposta resgatou técnicas manuais e processos gráficos utilizados historicamente nas criações gráficas, articulando-os com práticas contemporâneas de experimentação visual. Segundo a professora, a oficina buscou estimular a criatividade, a autoria e o domínio de ferramentas gráficas entre os estudantes dos cursos técnicos integrados.
Materiais produzidos pelos participantes ficaram expostos ao público, lembrando postais antigos. Impressões feitas com plantas e flores reforçaram o caráter artístico e sustentável das criações, despertando a atenção de quem circulava pelo espaço dos pôsteres.
Diversidade de iniciativas
Além desses trabalhos, dezenas de outros projetos voltados ao ensino foram apresentados, alguns vinculados a programas institucionais, e outros desenvolvidos de forma autônoma por docentes e estuddantes.
A organização do Forint deve divulgar, em breve, os anais do evento, reunindo detalhes sobre cada uma das iniciativas apresentadas.
Mais informações estão disponíveis na página oficial do evento.



